O SÉTIMO SELO – DESCOBRINDO BERGMAN

Assistir a uma partida de xadrez entre a Morte e um cavaleiro das Cruzadas foi um ítem há muito esquecido na minha lista de prioridades. Mas bastou uma visita à locadora, naquela sessão bem ao fundo onde se guardam os Grandes Diretores, para que “O Sétimo Selo” piscasse para mim e me implorasse para ser visto. Lembro-me de ter ouvido falar dele já nos últimos anos de colégio, durante uma Mostra Internacional de Cinema ou algo assim. Desde então, ele esteve lá, adormecido no final da lista, até hoje.

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Falar de Ingmar Bergman (o diretor sueco de mais de 60 filmes, que colocou um pouco de suas próprias angústias na tela e se tornou cultuado até hoje) é um desafio, mas há algo que se pode pegar com clareza, seja nos closes fechados nos olhos dos atores ou na luz fortemente contrastada de “O Sétimo Selo”. Bergman busca respostas.

Surpreende que a filmagem pareça tão mais tosca que em outros filmes da mesma época (ele foi feito em 1957, em plenos anos dourados de Hollywood). Mas este não é um produto de Hollywood, e fica clara aqui a diferença de estrutura e de intenções – compreender o homem e sua mente soa mais importante para o sueco do que entreter o público.

Max Von Sydow é Antonius Block, o cavaleiro que desafia a Morte (Bengt Ekerot, num figurino negro que deixa exposto apenas seu rosto redondo e branco, mais bizarro que assustador) numa partida de xadrez. Com isso, Block pretende ganhar tempo para, diz ele, fazer algo de bom. Na verdade, o que ele procura é entender o silêncio de Deus e a própria mortalidade.

Seu medo se reflete em todos a sua volta, que se desesperam diante da Peste que se espalha rapidamente e reagem de formas diversas à iminência da morte. Uns aceitam-na como o destino natural (como o pintor na capela). Outros apelam para o autoflagelo em busca de perdão. Já o ateu Jöns, escudeiro de Block, insiste não haver nada além do vazio após o fim. “Meu mundo é só meu e só acredito em mim mesmo”, brada ele, indiferente às ameaças que surgem de todos os lados.

Uma família de atores se une à “cruzada”, não atrás de respostas, mas sim de continuar vivendo em harmonia – eles são os mais ingênuos e, ao mesmo tempo, os mais sábios, nos provoca o diretor.

Pincelado com esquetes cômicas e uma ou outra cena de violência, “O Sétimo Selo” nos traz um apanhado de situações duvidosas, que põem em questão princípios básicos como o amor e a generosidade, discutindo assim não a morte ou Deus ou o Diabo, mas apenas a consciência do ser humano.

Se é bom? Bem… Só garanto que não é fácil.

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