007 SKYFALL

E lá se foram 50 anos de James Bond. Meio século de investigações secretas na base da porrada e de brinquedinhos tecnológicos, sempre com muito charme, bebidas e mulheres – belas, traiçoeiras e cada vez mais numerosas. Com “Skyfall”, é claro que não é diferente: todo o charme do Mr. Craig-Bond, muito álcool na veia e nada menos que três belas mulheres (uma negra, uma latina e uma francesa exótica, de olhos puxadinhos. Nenhuma loira, pasmem).

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A história, porém, já testou todas as variações possíveis. Nem é preciso prestar atenção aos diálogos para saber que haverá uma perseguição inicial com alguma pista falsa ou truque do inimigo, que levará Bond como isca até ele, e em algum momento a situação se reverterá. Ah, e provavelmente ele sobreviverá a algum impacto absurdo, sem arranhões.

O que mantém um pouco o interesse em “Skyfall” são as histórias originais – ficamos sabendo o que aconteceu com os pais de Bond, como a senhora M (Judi Dench, ainda mais impenetrável) tratou seus antigos agentes, quem cuidou de Bond antes de ele ser quem é. Algumas referências aos antigos filmes fazem a homenagem necessária: um carro Astor Martin com metralhadoras nos faróis, referências a uma caneta explosiva e a volta do agente Q (atualizado para um jovem geek). O que se busca, a todo o tempo, é pensar a relevância do velho diante do novo e do moderno. Aqui, M e Bond são questionados em seus métodos e têm que provar seu valor.

Isso tudo são detalhes que dão uma graça a mais, mas não mudam muito o rumo da trama. O que se destaca, portanto, tem que estar fora do roteiro, tão inflexível em sua necessidade de ser franquia. Particularmente, escolhi passar o tempo reparando nas cores da fotografia e na trilha sonora. Boa escolha: assim como em todas as categorias de som, “Skyfall” está concorrendo ao Oscar de melhor fotografia.

O jogo é bastante evidente: temos o amarelo dando liga a todos os ambientes, dia ou noite, internos ou externos, e o que varia são as composições. Predomina o azul nos momentos mais investigativos ou de perseguição, quando vemos o 007 trabalhando do seu jeito. Vermelho para a China exótica e para cenas mais sedutoras. Branco quando o foco passa para a personagem M e para o passado de Bond. Preto para o vilão no auge da sua vilania.

Azul para o agente secreto em ação

Vermelho para o exótico e a sedução

Branco para o passado

Preto para o ataque do vilão

Apesar de previsível, o resultado é bonito e acrescenta um determinado sentido às imagens que muitas vezes não percebemos, assim como faz a trilha, que explora variações da canção de Adele e do tema clássico da série em diferentes intensidades.

Numa série tão infinita quanto 007, é função da música carregar aquele “clima” que queremos recordar ao assistir a cada sequência. A obra de Adele, nesse sentido, resgata com precisão o sentimento de “agente secreto noir” que é a base de tudo. Ao contrário das aberturas “pop” dos últimos três anos, ela se prendeu a uma ideia de cinema e não apenas a uma história, misturando-se ao filme como uma coisa orgânica.

“Skyfall” não vai marcar a história do cinema, nem tem pretensão de ser assim, porque nasceu para ser uma sequência. Para quem gosta da série, não há motivo para decepções. Para quem não gosta, o filme oferece um bom visual, boa música e ótimas atuações. Boa pedida para esta sexta-feira à noite.

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