CINE RETRÔ: CINEMA PARADISO

No ano em que Quvenzhané Wallis desponta como a mais jovem atriz a ser indicada ao Oscar, aos nove anos de idade (tendo rodado “Indomável Sonhadora” aos seis), outro ator mirim me vem à mente como um dos mais cativantes do cinema. Salvatore Cascio tinha, também, nove anos quando emprestou seus sorrisinhos arteiros ao pequeno Salvatore di Vita, o “Totó”, e assumiu a sala de projeção do Nuovo Cinema Paradiso.

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O clássico de Giuseppe Tornatore ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1990, mas se passa nos anos 40 e tem grande parte de suas cenas pinceladas dos anos 30, com referências que vão de Charles Chaplin a Jean Renoir. O branco-e-preto se mistura harmoniosamente ao tom pastel empoeirado da pequena vila de Giancaldo, na Sicília, onde vivem Totó, o rabugento projetista Alfredo (Phillipe Noiret em performance memorável), a mãe distante (Antonella Attili) e toda uma vizinhança caricata que se reunia no cinema para viver todas as emoções que se havia para viver ali, em tempos ralos de pós-guerra.

A história se passa em três períodos, indo da infância de Totó (quando ele espiava as sessões particulares exibidas para o padre, que então estabelecia a censura sobre beijos e nudez), à adolescência já como projetista (quando se apaixona por Elena, relação mais explorada na versão estendida do DVD), até a meia-idade, 30 anos depois, quando o cinéfilo se tornou um diretor de sucesso e volta a Giancaldo para o funeral de Alfredo.

Acusado de ser melodramático demais por alguns críticos da época, “Cinema Paradiso” fez, realmente, muita gente chorar. A técnica de retomar um elemento do início e, após revisitar toda a vida do protagonista, fazê-lo chorar como criança diante daquele detalhe esquecido, é infalível. E a beleza da cena final, se não arranca lágrimas, abre um sorriso fácil no rosto de qualquer amante do cinema.

A relação de amor-com-espinhos, que sempre volta a aparecer nas telas, é o centro desse drama saudoso: Alfredo ama Totó, mas quer vê-lo independente, longe dali e longe dele. Totó ama Alfredo, mas o respeita tanto que segue seu conselho, sem entender, talvez, que o velho amigo estivesse falando apenas da boca para fora. No final, é sempre tarde demais, tudo mudou. Como diz o amargurado projetista, é preciso ficar muitos anos longe da sua origem para conseguir reconhecê-la e sentir a verdadeira nostalgia, sem a tentação de voltar atrás. É preciso desapegar, saltar, cortar o cordão umbilical sem piedade. Assim, o passado será sempre belo como a lembrança daqueles beijos censurados no antigo Cinema Paradiso.

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