OZ: MÁGICO E PODEROSO

“Decepção” talvez não seja a palavra certa para descrever minha sessão de sexta-feira à noite com “Oz: Mágico e Poderoso”. Boa parte dos problemas, afinal, já eram esperados.

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Depois de um Wrap requentado (com alface e tudo) numa franquia do restaurante Seletti (não é a primeira vez que me irrito com eles), entrei, ainda esperançosa, na sala 1 do Espaço Unibanco Pompeia, só para passar os primeiros minutos diante de uma tela quadrada com áudio de sala-de-estar.

A tela reduzida era proposital: a primeira parte do filme se passa num antigo circo itinerante, com filmagem em preto e branco. Depois daí, pegamos carona num tornado para chegar (sem um arranhão) ao maravilhoso mundo de Oz. Nós e o pouquíssimo carismático Oscar Diggs, vivido por um James Franco cheio de sorrisinhos e pouco à vontade.

Descobrimos logo que os truques de Oscar (o tal do Mágico e Poderoso Oz) são bastante limitados: um paninho vermelho, uma caixinha de música para conquistar garotas, uma pomba no chapéu… Nada à altura do que as três bruxas daquele lugar esperavam encontrar, o feiticeiro que as salvaria umas das outras.

A missão de Oz no filme de Sam Raimi (responsável pelas também-não-tão-incríveis aventuras do Homem Aranha entre 2002 e 2007) é justamente lidar com mulheres traídas e ciumentas – mesmo desafio com o qual ele lidava na sua vida comum. Mila Kunis é Theodora, a primeira a aparecer – exageradamente sensual, exageradamente ingênua e nem um pouco convincente sob quilos de maquiagem verde. Rachel Weisz é a segunda, como Evanora – que não é boa nem má o suficiente para prender nossa atenção. Por último, Michelle Williams é a melhor das três, no papel de Glinda – loira, angelical, mas não tão insossa quanto esperaríamos que fosse.

Na guerra entre as bruxas, Oz é o coadjuvante que recorre aos conhecimentos científicos para forjar sua mágica. Mais uma vez, homenageia-se o cinema em suas origens, como entretenimento barato em feiras e circos. O ilusionista e o cineasta se equiparam na criação da fantasia. Ou deveriam, já que Raimi dificilmente nos ilude com seus efeitos de câmera, fazendo bruxas voadoras parecerem apenas atrizes estáticas aproximadas por zoom e manipuladas em computador.

A falta de peso no balão e as constantes falhas de perspectiva (reparem na cena em que Evanora se aproxima de uma árvore em busca da varinha de Glinda, ou no momento em que Oz encontra a boneca de porcelana) deixam a desejar. Já o roteiro se apoia em clichês de filmes infantis, mesmo que eles nada signifiquem para aquela história em particular (anões fazem acrobacias sem nenhum motivo aparente e até uma maçã envenenada entra na mistura). Com tudo isso, Oz se revela um filme raso, adequado apenas para plateias ainda não letradas em computação gráfica e bons roteiros – ou seja, crianças de, no máximo, oito anos de idade.

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