MAMA: JESSICA CHASTAIN VOLTA AOS CINEMAS EM TERROR SOBRENATURAL

Certos filmes têm o poder de influenciar toda uma geração de cineastas. Pense na menininha rastejante de “O Chamado”, com seus cabelos escorridos e o clássico efeito de câmera dando aquela sensação de “TV com interferência”… Lembre-se também da garota de “O Grito”, com joelhos e cotovelos curvados em ângulos aracnídeos, e aquela voz gutural… O que dizer, então, de “A Bruxa de Blair”, que elevou galhos secos e cabanas escuras à condição de cenário máximo do terror americano?

mama

Bem, mas o que seriam dos filmes de gênero sem seus clichês? A novidade da semana é o terror “Mama”, protagonizado pela quase-vencedora do Oscar Jessica Chastain (que concorreu por “A Hora Mais Escura”, de 2012), produzido pelo consagrado diretor Guillermo Del Toro (que não dirigiu, mas deu seu aval ao argentino novato Andrés Muschietti) e, é claro, carregado em todos os clichês citados no início do texto.

A história é baseada no curta-metragem homônimo lançado em 2008 por Muschietti: nele, duas crianças tentam escapar de uma figura deformada, de cabelos dançantes e postura zumbítica (se é que existe tal palavra), a quem chamam de “mãe”. Na versão para o cinema, as meninas são Lilly e Victoria – filhas de um homem que perdeu tudo durante a crise econômica americana e, em desespero, matou os dois sócios e a esposa. Por pouco, não tirou a própria vida e as das garotas. Digo por pouco, já que alguém (ou algo) intercedeu por elas… Quando isso aconteceu, Lilly tinha um ano e Victoria, três.

O tio das meninas, Lucas (Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister de Game of Thrones e futuro Sykes no sci-fi “Oblivion”), dedica os anos seguintes a procurá-las e a procurar o irmão (também vivido por ele) que não sabe estar morto. Durante cinco anos, portanto, elas vivem numa cabana abandonada num ponto ignorado do mapa, feito animais, na companhia apenas da criatura a quem chamam de “Mama”.

Para completar o quadro, Lucas vive com Annabel (Jessica Chastain, enfim), uma guitarrista imatura (por que rockeiros são sempre associados a adolescentóides egocêntricos?) com absolutamente nenhum instinto materno. A personagem poderia ser um fracasso, não fosse pelo bom senso de Chastain, que imprime humanidade na futura madrasta das meninas, a ponto de sentirmos pena e torcermos pela sua evolução, que acontece no momento certo, na medida certa.

Apesar de previsíveis, os sustos são bem dosados e é possível se interessar realmente pela trama entre uma aparição de “Mama” e outra. Há, sim, os momentos de exagero: escrever “mamamamama” no monitor da sala de hospital foi desnecessário, fazer a criatura “possuir” e, depois, transportar milagrosamente o corpo da tia de uma casa para a outra também. Mas são pequenos detalhes que podem agradar a uma parcela do público e até passar despercebidos pela outra. O final é surpreendente e ajuda a segurar a aura de terror que vinha se criando até ali: Muschietti não entrega tão gratuitamente o velho desfecho feliz – parece fazer concessões, mas mantém o controle até onde pode. Bom começo para alguém que conseguiu chamar a atenção do diretor de “Labirinto do Fauno” com um vídeo na internet.

“Mama” estreia nesta sexta, dia 5 de abril, nos cinemas.

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