OBLIVION

O fim do mundo está na moda. Não apenas a humanidade, com as já tradicionais doenças contagiosas capazes de dizimar toda a população de Nova York numa noite, mas desta vez é o planeta que está condenado. Pelo menos no cinema: no mínimo cinco filmes estão previstos para abordar o tema em 2013.

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O primeiro deles é “Oblivion”, que estreia nesta sexta-feira no Brasil. Em junho, virão“Depois da Terra”, estrelando Will e Jaden Smith; a comédia “É o Fim”, com dezenas de celebridades interpretando elas mesmas, incluindo Seth Rogen no papel central; e o mix de apocalipse com zumbis “Guerra Mundial Z”, apelando para Brad Pitt. Em agosto, é a vez de “Elysium” exibir os brasileiros Wagner Moura e Alice Braga contracenando com Matt Damon.

Reação tardia ao calendário maia ou sintoma da tensão nuclear que volta a assombrar o mundo? Seja qual for a explicação, a profusão de filmes apocalípticos traz consigo um problema básico: como inovar? Já vimos “Metrópolis”, “Blade Runner”, “Matrix” e tantos outros mais tecnológicos e menos metafísicos. Trazer novos “gadgets” bacanas não é o suficiente – já temos o Batman para isso. Imaginar a civilização sendo tomada pela selvageria também não é novidade – veja “Eu Sou a Lenda”. Seria preciso trazer uma discussão relevante, fincar a fantasia futurista na ferida mais aberta do presente, dialogar com este tempo e só este, para começar.

Bem, “Oblivion” não faz isso. Não que houvesse essa expectativa: é o novo filme de ação do Tom Cruise, e uma sacada de marketing que nasceu de uma graphic-novel que nunca, de fato, existiu. Joseph Kosinski, o diretor de “Oblivion” e de “Tron: O Legado” (2010), credita seu longa como “baseado na graphic-novel” de mesmo nome, criada por ele mesmo. Acontece que a série em quadrinhos não passou de um livro-teaser lançado pela editora Radical Comics durante a ComicCon de 2010, nos Estados Unidos. A partir desse teaser (com algumas belas imagens), Kosinski já conseguiu os primeiros contatos para realizar o filme – não uma adaptação, portanto, mas a substituição de um formato pelo outro. Segundo o próprio diretor, a história de Oblivion sempre foi muito mais adequada para o cinema do que para o papel.

Polêmicas à parte, o filme mostra uma Terra antes e após a “Guerra”: quando seres de outro planeta destruíram parte da lua e, com isso, desestabilizaram toda a natureza terrestre, facilitando a invasão. O que se conta é que os humanos venceram a guerra, mas perderam o planeta. Inabitável, a Terra passou a ser usada apenas como fonte de energia e água, sugados por plataformas gigantescas fiscalizadas e mantidas por casais humanos. Tirando esses fiscais, o resto da população vivia agora num lugar chamado “Titan” e comandado por um governo chamado “Tet”.

Jack Harper (Tom Cruise, de volta à forma) e Victoria (Andrea Riseborough) são um desses casais. Eles vivem isolados numa plataforma suspensa e fazem a manutenção dos “drones” (veículos não-tripulados como aqueles que causaram alvoroço no início deste ano), no caso, bolas voadoras encarregadas de caçar e matar invasores que ainda vivem sobre a superfície terrestre. O curioso é que Jack e Victoria tiveram suas memórias apagadas antes de iniciar a operação, e uma mulher (Olga Kurylenko) insiste em aparecer nos sonhos dele. Aí começa a se revelar a rede de mentiras que Jack deverá desvendar para salvar, realmente, a Terra.

Se a história soa familiar, espere até ver os outros clichês que fazem parte desse filme: clones, perseguições em naves que lembram muito as do Episódio I de Star Wars, inteligência artificial, grupos rebeldes com rostos sujos de terra, livros clássicos que parecem conter em si a humanidade dos seus leitores (Fahrenheit 451?), sacrifício heroico (Armageddon), etc.

O resultado é um mix de tudo o que já se conhece sobre ficção científica futurística, muito bem feito, mas com nada de novo. Diverte? Sim, muito. Tem uma fotografia bonita (também nada excepcional) e capricha nos efeitos visuais. Mas vai cair no esquecimento em, no máximo, cinco anos.

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