HOMEM DE FERRO 3 – MAIS FANTASIA, MAIS COMÉDIA, MAIS CARA-DE-PAU

Até alguns meses atrás, eu não teria ligado muito para assistir ao Homem de Ferro 3, muito menos no concorridíssimo final de semana de estreia. Mas os super-heróis vêm sendo cada vez mais presentes no cinema, no dia-a-dia e, consequentemente, nos meus textos… Este Homem de Ferro foi anunciado como um dos grandes lançamentos do ano, veio carregando uma expectativa gigantesca depois de Os Vingadores e eu, simplesmente, não poderia deixá-lo passar.

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Surpresas no Cinemark

A experiência, em pleno sábado à noite, não poderia ter sido mais estranha: antes de entrarmos, fomos avisados de uma briga na sessão anterior, supostamente causada por uma tentativa de assalto. Minha cadeira, apesar de moderna e confortável com seu couro preto acolchoado, estava pichada com tinta amarela. Pichada… Eis uma coisa que não vemos todos os dias num Cinemark. No meio do filme (na verdade, num momento bastante decisivo quando Tony encontra o Mandarim), o alarme de incêndio foi acionado e nos retiramos da sala por medo, sem que ninguém viesse nos dizer o que estava acontecendo ou se teríamos nosso bilhete de volta… Na saída, enquanto nadávamos entre os espectadores de todas as outras salas, descobrimos meio por acaso que o alarme era falso e que o filme recomeçaria em instantes de onde parou. Muitas pessoas não voltaram.

Tony Stark: o super-herói genial

E vamos ao filme: no novo Homem de Ferro, o foco é Tony Stark – o homem por dentro da armadura. Não que o fator “super-herói” não venha à tona em todos os momentos. Stark (Robert Downey Jr.) não nos deixa esquecer sua genialidade: ele cria uma nova armadura, atualiza todas as outras e até se vira sem nenhuma delas, com apetrechos de uma loja de materiais de construção (numa cena que tenta não ser tão cômica, mas remete imediatamente a filmes infantis como Esqueceram de Mim ou Os Três Ninjas).

É fruto dessa superinteligência uma das novidades mais interessantes do filme. Apesar de já terem aparecido em Homem de Ferro 2, as armaduras automáticas (que não dependem de um usuário para funcionar) ganham novas funções e muito mais destaque neste capítulo. Aliás, é essa autonomia toda que fará Tony Stark repensar sua identidade de super-herói – afinal, cinco pessoas diferentes chegam a usar a armadura que antes o definia como o Homem de Ferro.

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Complexo de Wolverine

Regeneração celular volta a ser o sonho de consumo dos grandes vilões. A mutação natural do mais selvagem dos X-Men já foi desejada pelo Lagarto no Espetacular Homem Aranha e agora é alvo de experiências nos porões da AIM (Advanced Idea Mechanics), comandada pelo pseudo-sensual Aldrich Killian (Guy Peirce). Neste caso, é a cientista Maya (Rebecca Hall) que descobre uma forma de manipular o DNA para que o corpo humano consiga regenerar células e membros indefinidamente. Em tese, isso seria a imortalidade. Na prática, a mutação pode causar um super-aquecimento que torna as cobaias armas terroristas em potencial.

Pepper Potts

Gwyneth Paltrow conseguiu: no novo filme, sua personagem deixa de ser a assistente sem sal para assumir de vez o comando das indústrias Stark e ter importância central na trama, com direito a cenas de ação próprias. Alguns momentos podem ser caricatos demais, mas lembre-se de que este é um filme da Marvel. Essa é a graça.

Tony Stark, ironicamente, é quem deixa a coerência um pouco de lado. Se ele está em pânico e fragilizado, como mantém o comportamento despreocupado do bad-boy de sempre, ainda mais teimoso e engraçado? Poxa, é Potts que ele está tentando salvar! Cadê o medo?

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Parodiando Bin Laden

Em Homem de Ferro 3, inimigos públicos como Bin Laden e Kaddafi são ridicularizados no personagem Mandarin (Ben Kingsley), o terrorista que invade as redes de televisão com mensagens de ameaça ao presidente dos Estados Unidos. Apesar de batido, o tema traz novas abordagens, mais críticas, e a cara-de-pau necessária para fazer o público rir e pensar ao mesmo tempo.

A sensação de dèja-vu é inevitável: das cenas do Afeganistão no primeiro Homem de Ferro às patriotices de Força Aérea 1 e ao clássico avião em apuros de Superman. Felizmente, todas as cenas-clichê ganham algum toque de comédia ou de absurdo, dando um “quê” de novidade ao conjunto.

Efeitos visuais e algumas questões

Como era de se esperar num filme cujo protagonista é um mestre da tecnologia, os efeitos visuais dão um show. Explosões (muitas), desmoronamentos, armaduras de todos os tipos voando por todos os lados… Tudo o que os fãs de blockbusters esperavam está ali. Curiosamente, porém, o 3D não faz tanta diferença – o que, para quem não gosta dos óculos durões dessas salas, é uma boa notícia. O visual “vídeo-game” dá conta do recado e não parece falso. Chama a atenção a quantidade de nomes nessa categoria na lista de créditos finais… Alguma relação com as reivindicações de classe depois da falência da Rhythm and Hues?

Especulações à parte, o novo Homem de Ferro deixou muitos fãs com uma interrogação: com mil referências a filmes e heróis anteriores, o filme parece fechar um ciclo, mas deixa lacunas demais. A vontade é esperar pelo próximo Vingadores para saber como essa história vai continuar, pois outro Homem de Ferro não deve sair tão cedo.

P.S.: Quer uma dica? Se estiver com pressa, não espere pela cena pós-letreiros. Não vale tudo isso.

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