Círculo de Fogo: um colírio para olhos nerds

circulo

O novo filme de Guillermo Del Toro, Círculo de Fogo, que chega aos cinemas no dia 9 de agosto, é a expressão mais sincera de um espírito fanático, reverente e, nem é preciso dizer, nerd como o próprio diretor.

Num futuro próximo, criaturas chamadas Kaiju se materializam de dentro de uma fenda no Pacífico e atacam as cidades do Oriente. Exércitos se unem e reagem construindo robôs (os Jaegers) para, literalmente, lutarem em defesa da humanidade. Mas esses monstros continuam vindo, com freqüência cada vez maior… E eles são grandes.

À primeira vista (e talvez algumas depois), o que impressiona na superprodução são as dimensões. Tudo é, simplesmente, grande demais. Não que isso seja um defeito: como no mito dos Titãs ou nos filmes do monstro japonês Godzilla, o tamanho representa a opressão e a insignificância do ser humano diante de certas ameaças.

No caso de Godzilla, o inimigo era o armamento nuclear. Em Círculo de Fogo, talvez seja o poder alienante da internet ou a aceleração irrefreável das tecnologias. Dica disso é o fato de que o único robô que se sustenta em pé depois de uma série de ataques é o “analógico” (ou, muito ironicamente, nuclear).

Vale considerar, ainda, a necessidade de que dois pilotos trabalhem juntos para comandar cada robô, ou a urgência de que as nações esqueçam suas diferenças para afastar o estrangeiro. A referência a uma “inteligência coletiva” do lado dos monstros também pode dar o que pensar.

Estão no elenco o astro da série de TV Sons of Anarchy Charlie Hunnam, a japonesa revelada em Babel Rinko Kikuchi e o ainda-não-tão-popular Idris Elba, de Prometheus e Thor. Os dois primeiros têm passados traumáticos e são pilotos daquele Jaeger nuclear, que também tem nome: Gypsy Danger. O terceiro é uma espécie de general, que lidera os pilotos e profere a já famosa frase “Hoje nós vamos cancelar o Apocalipse!”.

Enquanto Jaegers e Kaijus não estão no mar (ou na terra) brigando, seus pilotos têm outros problemas a lidar – questões mal resolvidas com o passado ou com a família, rivalidades, investigações… Mas a profundidade das relações humanas apenas arranha a superfície. Del Toro deixa claro que Círculo de Fogo é um filme para rir, torcer e ter seu queixo derrubado por duas horas diante de efeitos especiais inacreditáveis.

E, sim, eu disse “rir”: dois cientistas meio patetas e um comerciante fora-da-lei representado por Ron Perlman (Hellboy) garantem algumas cenas hilárias em meio à destruição. No final, apesar de uma ou outra explicação questionável sobre a existência dos Kaijus, o resultado é positivo: como em Godzilla, o espectador sai do filme com aquela sensação quase boba de ter se livrado de algo contra o qual nunca poderia, realmente, lutar. Depois, volta para seu Playstation e dorme satisfeito.

 

Texto publicado originalmente no site Guia da Semana.

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