Os Estagiários: a propaganda do Google que saiu pela culatra

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Eles são adultos, têm lábia, gostam de curtir a vida e trabalham juntos para vender produtos. Seus novos colegas são adolescentes, gênios da informática, socialmente traumatizados e isolados em seus celulares enquanto trabalham para vender a si mesmos. Adivinhe quem são os desacreditados? Conheça a nova comédia de Shawn Levy, Os Estagiários.

Vince Vaughn e Owen Wilson, que já foram parceiros em Penetras Bons de Bico, agora vivem dois homens nos seus quarenta-e-poucos anos que, de uma hora para a outra, perdem o emprego. Humilhados, eles decidem se arriscar com um estágio no Google – provando a si mesmos que não são tão “dinossauros” quanto seu chefe acusara.

Na sede da empresa, os dois se chocam com um ambiente dominado por adolescentes e jovens adultos, que escondem sua inexperiência atrás de regras rígidas e conhecimentos matemáticos. O Google, propagandeado a cada minuto, se revela uma máquina de produtividade que aposta no escapismo da cultura pop para manter a imagem de “inovadora”.

Foguetes, lanchonetes gratuitas, carros sem motoristas e até partidas de Quadribol (inspiradas na série Harry Potter) fazem parte do dia-a-dia do escritório, povoado por um exército de sonhadores que lotaria os salões da Comic-Con. Há até quem prefira quadrinhos eróticos japoneses à experiência em carne-e-osso – piada sintomática de uma geração apavorada pelo mundo real.

Apesar de exagerado, o retrato que o filme faz do mercado de trabalho ligado à internet não se distancia tanto da realidade: empresas de comunicação com chefes exageradamente jovens não são raridade. Num universo que exige do funcionário dedicação integral, é de se esperar que a experiência de vida fique em segundo plano.

Especialmente engraçado para quem conseguir captar todas as referências – jovens nerds, no caso – Os Estagiários pode soar como uma grande ação publicitária do Google, o que incomoda.

Não é difícil perceber, contudo, que a encomenda saiu pela culatra: vemos a marca, no fundo, como um gigante anti-social tentando tornar as relações humanas menos complicadas para sua própria geração, supostamente aproximando pessoas, serviços e ideias. Apenas supostamente.

 

Texto publicado originalmente no site Guia da Semana.

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