“Família do Bagulho”: sexo, drogas e férias em família

bagulho

À primeira vista, Família do Bagulho parece mais um dos tantos filmes injustiçados que sofreram com a tradução do nome. Concebido como “We’re The Millers”, a comédia com Jennifer Aniston e Jason Sudeikis não poderia ser tão inofensiva quanto sugere o título em português – afinal, nos prometeram drogas, strip-tease e uma classificação “R” (para maiores de 17 anos nos EUA).

À segunda vista, porém, o nome se revela perfeito. A nova comédia de Rawson Marshall Thurber, com roteiro escrito a oito mãos (Bob Fisher, Steve Faber, Sean Anders e John Morris), parece ter medo de definir seu público – e acaba soando mais como uma lembrança distante do clássico familiar Férias Frustradas do que como um filme adulto dos anos 2000.

Sudeikis interpreta David, um traficante local de maconha que mantém o mesmo estilo de vida de quando estava na faculdade – sem mulher, nem filhos, nem um emprego formal. Sua vizinha (Aniston) trabalha como stripper e está à beira do despejo. Também mora ali um adolescente ingênuo, que parece ter sido recém-abandonado e nem se dado conta disso. Para completar o time, há uma pseudo-punk (com um celular de última geração) que fugiu de casa e agora mora na rua ou em casas de amigos.

Todos precisam tomar um rumo na vida, mas falta um empurrãozinho, que vem quando David é assaltado e contrai uma dívida com seu fornecedor (Ed Helms).  Para pagá-la, ele precisará cruzar a fronteira do México e trazer uma encomenda de maconha para os Estados Unidos. O melhor jeito de fazer isso, ele descobre, é alugar um trailer e fingir que está de férias com a família perfeita.

Se a premissa é interessante, o resultado não poderia ser mais convencional. Você já sabe que verá o casal que se odeia e depois se apaixona, a família que “é só fachada”, mas acaba agindo como uma família de verdade,o vilão internacional que se revela um frouxo, a sorte sempre a favor dos desajustados, a justiça triunfante no final.

Jennifer Aniston consegue arrancar sua parcela de risadas, como quando migra rapidamente do papel da stripper para o de mãe de família, mas fica difícil encontrar sensualidade na sua performance solo, quando dança de lingerie (bege) para distrair o traficante.

Sudeikis está muito bem no papel do egocêntrico e excessivamente animado adolescente eterno, mas pouco se vê de evolução no seu personagem. Quanto aos filhos, quem merece destaque é Will Poulter, o típico (e engraçado) virgem inocente – Emma Roberts, que vive a jovem punk, não tem nem a chance de contar o passado de sua personagem e acaba não convencendo.

Apesar dos clichês, Família do Bagulho é uma diversão leve, menos apelativa que outros lançamentos do gênero e que poderia muito bem ter sua classificação reduzida se não fosse a questão das drogas. Como o nome, certeiro, já indica, este é um filme sobre famílias, para a família que não quer pensar muito num domingo à noite.

Texto publicado originalmente no site Guia da Semana.

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