“A Teoria de Tudo” carrega no romance e deixa a ciência de lado

Falta teoria em “A Teoria de Tudo”. O filme de James Marsh, baseado no livro homônimo de Jane Hawking sobre seu famoso ex-marido – Stephen, o próprio – prefere o caminho fácil do romance de superação ao desafio de discutir a mente de um dos pensadores mais intrigantes que a humanidade já conheceu.

teoria

Não surpreende que o filme tenha sido indicado a cinco Oscars, mas seria uma surpresa injusta se ele vencesse na categoria principal. Eddie Redmayne, que interpreta Stephen Hawking, é o único que faz por merecer a estatueta, oferecendo o corpo inteiro e boa dose de senso de humor a seu ilustre personagem.

O longa se passa majoritariamente entre os anos 60 e 90, tempo que durou o casamento de Stephen e Jane (Felicity Jones). Os dois se conheceram pouco antes de o físico ser diagnosticado com a doença do neurônio motor (também conhecida como Esclerose Lateral Amiotrófica), pela qual os médicos lhe deram a expectativa de apenas dois anos de vida.

Graças ao apoio da então namorada, Stephen seguiu em frente com o doutorado e os dois se casaram. A previsão não se confirmou e, com o passar dos anos, eles tiveram três filhos e o professor se tornou uma celebridade no mundo da ciência, pioneiro em teorias envolvendo buracos negros, singularidades e a origem do universo.

Um dos motivos para a popularidade de um físico como Hawking é que seus livros – em particular “Uma Breve História do Tempo” – foram escritos numa linguagem acessível, coisa até então inédita, traduzindo as teorias impenetráveis da cosmologia para leigos. Um filme como este, portanto, seria a oportunidade perfeita para expandir ainda mais a compreensão de assuntos complexos e de grande interesse científico para o público em geral.

“A Teoria de Tudo”, porém, deixa escapar essa chance e não oferece ao espectador mais do que ele já conhece, de cor e de olhos fechados: que o amor vence todas as barreiras, que o ser humano é capaz de superar todos os obstáculos, etc., etc. e tal. Nada além do que a televisão já despeja todos os dias depois do jornal.

Texto publicado no Guia da Semana em 23/01/2015.

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