Jessica Chastain e James McAvoy protagonizam o drama “Dois Lados do Amor”

Estreia no dia 12 de março o drama “Dois Lados do Amor”, ou melhor, “O desaparecimento de Eleanor Rigby”, se quisermos manter o charme do título original. O filme de Ned Benson – estreante em longas-metragens e surpreendentemente habilidoso tanto na direção quanto no roteiro – tem provocado curiosidade desde o Festival de Cannes em 2014, quando concorreu ao prêmio “Un Certain Regard”.

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O filme foi lançado em três versões diferentes: “Ele”, “Ela” e “Eles”, sendo que a última intercala os dois pontos de vista e será a única lançada no Brasil. Isso não significa que o público vá perder algum detalhe da trama, mas, sem a divisão prevista pelo diretor, parte do sentido da obra se perde completamente.

“Ele” é Conor (James McAvoy), “ela” é Eleanor Rigby (Jessica Chastain) – exatamente como na música dos Beatles, que narra a tragédia de uma mulher solitária, de sonhos partidos. Pois é assim que se sente Eleanor, partida ao meio e sem saída, querendo ser invisível como sua xará. Conor também sofre, mas suas reações são diferentes e isso a entristece ainda mais.

Levamos algum tempo para compreender o que aconteceu àqueles dois, mas entendemos que não foi o sentimento que sumiu. Foram as circunstâncias que os obrigaram a tomar caminhos diferentes (mesmo que nenhum deles saiba muito bem para onde está indo).

O filme discute temas delicados como a maternidade e as complicadas relações entre pais e filhos, mas o faz sem forçar julgamentos, estimulando a reflexão. Chastain e McAvoy são um espetáculo à parte, carregando cada lado da história com intensidade e carisma. Benson não desperdiça seu elenco, formado também por Viola Davis, Isabelle Huppert e William Hurt, e entrega a todos eles falas que ecoam até depois da sessão.

Sem a divisão original, que exploraria a trajetória de cada um dos amantes sem revelar imediatamente o pensamento do outro, o que resta é um filme um pouco mais convencional, mas ainda assim capaz de partir o coração do espectador de mil formas diferentes. Ao mesmo tempo, o  longa consegue equilibrar a tragédia com pequenas doses de doçura e esperança – tornando o percurso simplesmente irresistível. Leve um lencinho.

Texto publicado no Guia da Semana em 5/03/2015.

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