Crítica: “Peter Pan” funciona bem como aventura infantil, mas não emociona o público mais velho

Você já conhece a história do garoto que não queria crescer, do capitão com um gancho no lugar da mão e até daquele mesmo garoto, quando resolveu virar adulto. Mas, e quanto à origem dos personagens? No novo filme de Joe Wright, Peter e Gancho ainda não são “Pan” nem “Capitão”, mas a Terra do Nunca já está ali e é nela que os dois se tornarão grandes amigos, antes de descobrirem suas primeiras desavenças.

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Peter Pan” traz de volta aos cinemas alguns velhos conhecidos do público: além de Peter (Levi Miller) e Gancho (Garrett Hedlund), Tigrinha (Rooney Mara) e o pirata Smee (Adeel Akhtar) têm papéis de destaque, as sereias (Cara Delevigne) têm seu momento, o crocodilo dá as caras e Sininho tem uma participação relâmpago. No papel do vilão, quem entra é Barba Negra, interpretado por um Hugh Jackman de peruca, bigode e um sorriso de quem nunca se divertiu tanto.

O filme começa promissor, com uma sequência da mãe de Peter (Amanda Seyfried) abandonando o bebê na porta de um orfanato e, em seguida, algumas cenas divertidas do dia-a-dia na instituição. Logo, o protagonista começa a desconfiar que a diretora (má como a mais malvada das diretoras de orfanatos) esteja vendendo crianças em troca de dinheiro.

Para tirar a prova, ele e seu melhor amigo resolvem ficar acordados durante a noite, e é aí que Peter é levado pelos piratas de Barba Negra, que caem do teto pendurados em cordas feito ioiôs. A partir daí, Peter conhecerá a Terra do Nunca, descobrirá que pode voar e partirá numa aventura em busca do ninho secreto das fadas, ao lado de Tigrinha e Gancho.

Tudo em “Peter Pan” é bastante teatral – das acrobacias aéreas à fumaça colorida que sai das armas de fogo; do figurino dos índios aos hinos de punk rock entoados pelos escravos de Barba Negra. Já era de se esperar: entre outros filmes, Joe Wright é conhecido por sua adaptação nada discreta de “Anna Karenina”, que, apesar de cansativa, transformou o romance de Tolstói numa sofisticada encenação.

Como aventura infantil, “Peter Pan” tem todos os elementos para funcionar bem: um herói mirim, criaturas fantásticas, vilões sedutores, capangas atrapalhados e uma grande viagem cheia de obstáculos. Para o público adulto, porém, acostumado a versões como a animação de 1953 ou o filme  com Robin Williams, de 1991, será difícil estabelecer um novo laço. O Peter de Miller, sério e todo “adulto”, não é o Peter que conhecemos. Aquele Gancho,  mulherengo e nobre de coração, também não é o pirata que tememos na infância.

Muita coisa se manteve e muita coisa mudou, mas, nesse processo de inovação, algo da essência de J.M. Barrie se perdeu. O que foi feito da Terra do Nunca, único lugar da imaginação onde qualquer um poderia ser criança para sempre? Onde está a sensação de liberdade que aquele mundo deveria carregar?

“Peter Pan” traz as doses certas de diversão, ação e drama, mas erra em alguns personagens e exagera em algumas cenas essenciais (o clímax da batalha contra Barba Negra é algo que você dificilmente esquecerá, e não digo isso no bom sentido). Por isso, o longa perde a chance de ser inesquecível, mas, ainda assim, é um programa interessante para o Dia das Crianças. O filme chega aos cinemas no dia 8 de outubro, com cópias em 3D.

Texto publicado inicialmente no Guia da Semana.

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