Crítica: “A Bruxa” reúne símbolos tradicionais do terror, mas não assusta tanto quanto promete

A Bruxa”, longa-metragem de estreia do designer Robert Eggers, vem sendo aclamado pela crítica mundial – e até por nomes entendidos do terror como Stephen King – como um dos filmes mais assustadores de todos os tempos. Mas será mesmo?

Exibido pela primeira vez no Brasil durante a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo em 2015 e prestes a estrear comercialmente no próximo dia 3 de março, o longa de Eggers deve atrair uma multidão de curiosos, ansiosos pelo medo prometido pelo burburinho que vem precedendo o filme desde meados do ano passado. Aviso aos leitores: reduzam suas expectativas.

“A Bruxa” conta a história de uma família extremamente religiosa que, após ser expulsa de uma comunidade rural na Nova Inglaterra (EUA) do século XVII, vai morar numa fazenda isolada cercada por uma floresta. Lá, estranhos acontecimentos levam os pais a acusarem a filha mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy), de bruxaria.

O filme aposta num conjunto de símbolos tradicionalmente associados ao terror: além da floresta e da religião opressora, temos o bode, o corvo, a velha rejuvenescida, as crianças que veem coisas que os adultos não enxergam. Está tudo ali, seguindo uma receita pronta para assustar. Mas será que esses símbolos, de fato, estão simbolizando alguma coisa? É difícil acreditar que estejam, tamanha a falta de sutileza com que são jogados ao público.

Há, sim, momentos perturbadores em “A Bruxa”: um bebê é sequestrado e usado num ritual de bruxaria; um menino é possuído (e, possivelmente, abusado). A forma como o pai, obcecado pela religião, fica repetindo para os filhos que eles são pecadores e irão para o inferno, não importa quão humilde sejam suas vidas, também é, no mínimo, desconfortável. Mas também é cansativo, verdade seja dita.

O maior mérito do longa de Eggers é revelar Taylor-Joy, uma atriz americana de aparência nórdica que conduz nosso olhar sobre a história, expressando toda a angústia e raiva da personagem diante das injustiças sofridas, mas mantendo certa inocência durante todo o percurso. O desfecho, bastante expressivo, pode tocar o espectador como sendo sinistro ou cômico, dependendo do olhar. Tire suas próprias conclusões.

 

 

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.

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