Crítica: “Como Ser Solteira” não consegue fugir do rótulo de comédia romântica

Há poucas coisas mais frustrantes para quem vai ao cinema do que descobrir que aquele filme que se dizia “diferente”, na verdade, é igual a todos os outros. Então, caso você esteja esperando que “Como Ser Solteira” seja uma comédia sobre a solteirice feminina, e não apenas mais uma comédia romântica cheia de casais felizes… Bem, não diga que não avisamos.

O filme traz Dakota Johnson (“Cinquenta Tons de Cinza”) no papel de Alice, uma garota que decide “dar um tempo” no seu relacionamento sólido para morar sozinha pela primeira vez e, quem sabe, se conhecer melhor. A ideia é promissora: temos uma protagonista com a qual podemos nos identificar, que tem as mesmas dúvidas que qualquer uma (ou qualquer um) de nós. Esse início seria ótimo, se não fosse pelo diálogo artificial entre os dois, que termina com um ressoante “vou sentir falta dos seus peitos”.

O nível de maturidade do roteiro segue a linha dessa conversa inicial. Alice vai a Nova York, conhece Robin (Rebel Wilson) e mergulha na vida noturna em busca de, enfim, mais homens. O velho plano de viver sozinha e descobrir seus próprios gostos é rapidamente substituído por “ficar dividida entre três homens” e “fazer tudo o que sua amiga faz”. Nem o público, nem a própria protagonista conseguem descobrir quem ela é (nem mesmo sua profissão é relevante), exceto pela personalidade que ela imprime ao seu novo apartamento e que não aparece em mais nada, nem em suas roupas.

Em defesa do filme, essa contradição entre o que ela procurava e o que ela realmente vive chega a ser discutida, mas não antes de toda a história ser construída sobre esses novos relacionamentos. Para um filme que propunha explorar a “vida de solteira”, há uma quantidade impressionante de homens, não apenas os de Alice mas também em outros casais enrolados, seguindo a tradição de filmes como “Simplesmente Amor”, “Idas e Vindas do Amor” e “Ele Não Está Tão a Fim de Você”. Este último (escrito pela mesma autora do livro que inspirou “Como Ser Solteira”) é uma referência tão óbvia que chega a incomodar.

Rebel Wilson, que fora destaque nos trailers, acaba tendo um papel secundário. Explosiva nos minutos iniciais, ela escorrega lentamente para o segundo plano, enquanto os conflitos de Alice (bem menos cômicos) e de sua irmã Meg (Leslie Mann) assumem a dianteira. Uma pena, pois o papel de Wilson era o único que realmente trazia algo além da superfície.

“Como Ser Solteira” chega aos cinemas no dia 25 de fevereiro e é uma opção para quem procura uma comédia romântica leve, para dar algumas risadas. Só não espere originalidade.

 

 

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.

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