Crítica: Kevin Costner vive anti-herói perturbado em “Mente Criminosa”

Nem todo filme precisa ser cabeça. Mas um filme despretensioso pode ter, simplesmente, as doses certas de ação, drama e suspense para manter o espectador interessado até o fim. “Mente Criminosa”, que estreia no próximo dia 14, é assim.

O filme dirigido por Ariel Vromen (“O Homem de Gelo”) traz Kevin Costner no papel principal, como um anti-herói que lembra os valentões de Liam Neeson (um pouco como Costner já fizera em “3 Dias Para Matar”), mas com uma atuação consideravelmente mais compromissada.

O ator interpreta Jericho, um sociopata que passou a maior parte da vida na prisão, porque um acidente na infância fez com que ele perdesse completamente a empatia e as noções de certo e errado (o que, somado às circunstâncias desse acidente, transformaram-no em um assassino).

Essa deficiência, porém, torna-o o candidato perfeito para uma ação desesperada da CIA: a replicação das memórias de um agente morto em seu cérebro. O espectador pode questionar a base científica para tal operação, mas o pouco de explicação que o filme coloca é suficiente para que se “compre” a história e siga sem problemas.

Passado o estranhamento inicial, o público logo se verá hipnotizado pela evolução de Jericho – que passa a ter os dois personagens dentro de si, numa convivência conflituosa que rende ótimos momentos. Vale notar que o criminoso nunca deixa de ser ele mesmo (ele não “reencarna” o agente, como seria a opção mais charlatã), mas “agrega” um pouco dos sentimentos e conhecimentos do outro em sua própria personalidade.

Além de Costner, o longa também traz no elenco nomes como Gal Gadot, Ryan Reynolds, Tommy Lee Jones, Gary Oldman e Michael Pitt. Gadot, que recentemente roubou a cena em “Batman vs Superman” como a Mulher Maravilha, não tem aqui um papel tão empoderador – ela é, afinal, “a esposa” e “a mãe” que precisa ser resgatada em algum momento –, mas, ainda assim, é uma personagem forte que não vai decepcionar o público feminino.

Se o elenco é um dos pontos altos do filme, o ponto baixo é a dupla de vilões formada por Antje Traue e Jordi Mollà, cujas motivações são mostradas apenas vagamente e cujas personalidades se resumem a estereótipos de “chefão calmo e violento” e “capanga devota e ineficiente”.

“Mente Criminosa” é um filme médio que acaba ganhando o espectador por acertar no tom: há um pouco de humor, romance e suspense e um tanto de drama, mas o foco nunca deixa de ser a ação. Despretensioso, mas bem feito, este é aquele filme que poderia passar na televisão no meio da tarde – e você assistiria até o último minuto sem mudar de canal.

 

Texto publicado originalmente no site Guia da Semana.

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