FC! Review – Nerve – Um Jogo Sem Regras

Olá, meus queridos! Esta semana o Review atrasou um pouquinho, mas, antes tarde do que nunca, aqui estamos, prontos para falar sobre um filme interessantíssimo que entrou em cartaz agora no dia 25 de agosto.

Nerve – Um Jogo Sem Regras” é um filme de ação com uma pegada adolescente que discute a cultura da internet a partir de um jogo de celular. Primeiramente, um pouco de contexto: o filme é dirigido por Henry Joost e Ariel Schulman, que já tinham trabalhado um tema semelhante no documentário “Catfish”, de 2010, que mais tarde virou uma série da MTV. Esse filme mostrava um relacionamento virtual que, depois de meses, descobria ter sido baseado em várias mentiras, e acabava refletindo sobre os perfis falsos que as pessoas criam na internet.

“Nerve” é baseado num livro homônimo de Jeanne Ryan e conta a história de Vee, interpretada no filme por Emma Roberts, que decide participar de um jogo só para provar a si mesma e à melhor amiga que não é uma covarde.

O jogo é um aplicativo de celular que funciona como um “verdade ou desafio”, mas só com o desafio. Você pode escolher entre ser um “Jogador” e cumprir os desafios em troca de dinheiro, ou um “Observador” – que é quem paga para propor os desafios e assistir, já que tudo é filmado pelo celular do próprio jogador e de outros observadores que estiverem por perto. Ou seja… Vigilância é definitivamente um tema. O jogo só dura 24 horas em cada cidade e, se você falhar ou quiser parar, perde tudo.

Mas quem está por trás de tudo isso? Quem é o supervilão que está olhando tudo e tem um interesse oculto explorando a diversão dos pobres adolescentes? Ninguém. Quer dizer, existe um grupo fundador, mas, uma vez lançado o jogo, quem manda são os usuários. E, nesse ponto, o filme me fez lembrar de um livro do Dave Eggers chamado “O Círculo”, que vai inclusive virar filme com a Emma Watson, que também falava da internet como um instrumento para formar uma consciência coletiva opressora.

E eu acredito que esse seja o grande tema que se pode discutir com o filme: a coletividade como o vilão. Ao invés do antagonista autoritário, do presidente Snow que a gente viu nos Jogos Vorazes, aqui quem decide o destino dos jogadores é o público, é a pessoa comum que mergulha numa psicologia de massa e faz coisas que individualmente não faria. Por estar num jogo, a coisa é ainda pior porque ela perde a noção de consequência dos seus atos.

Essa lógica não é muito diferente da que a gente vê na internet hoje, com mobilizações extremas surgindo diariamente, seja sobre um filme de super-herói ou sobre política, movidas por essa pulsão de coletividade.

Voltando um pouco ao filme, a gente também pode pensar no jogo como uma metáfora para as redes sociais em geral. Afinal, já existe essa exposição do indivíduo como celebridade, independente de quem seja e do que faça; já existe a interferência do público sobre a realidade do outro – pense no caso da youtuber que acharam que tinha sido sequestrada; e já existe a obsessão por likes e seguidores, porque hoje em dia isso é sinônimo de dinheiro para uma minoria.

Dito isso…. O filme tem, sim, muitos problemas, apesar de estimular a reflexão e ser uma ação bem divertida com atores carismáticos. O primeiro problema é o desenvolvimento de personagens. A Vee, por exemplo, é apresentada como fotógrafa, mas isso não é explorado em nenhum momento – mesmo sendo uma coisa que poderia contar para ela ter um ângulo melhor de um desafio, por exemplo. Ela também tem uma relação conturbada com a mãe, que é superprotetora, porque já perdeu um filho… Mas isso também não evolui e a mãe, interpretada por Juliette Lewis, fica sobrando.

Outro problema, pra mim o que mais incomodou, é a continuidade e a atenção aos detalhes. Logo de cara, a gente vê a protagonista mexendo no computador com a setinha do mouse. Segundos depois, ela clica na tela, que de repente virou touch. Isso acontece o filme inteiro. Outra falha são os botões do jogo, que ora aparecem em inglês, ora em português. E, para completar, as datas são uma confusão – nem tente entender quantos anos a Vee tem e em que ano eles estão, porque os números não batem. Não dá para saber se a história se passa num futuro próximo ou hoje, o que poderia ser um dado importante.

Num balanço, acho que “Nerve” merece uma atenção especial porque faz uma coisa que não víamos desde “Matrix”…. Que é inserir uma reflexão filosófica sobre o mundo atual usando um blockbuster, com ação, romance e um apelo adolescente capaz de expandir a mensagem e gerar perguntas. Infelizmente, o filme provavelmente não vai ter um alcance tão grande assim, mas, a quem alcançar, espero que coloque pelo menos uma pulga atrás da orelha: será que eu tenho o controle sobre a minha vida virtual ou são os meus seguidores que estão determinando meus passos?

Deixo vocês com esse pensamento.

Por hoje é só, mais vídeos como este, você encontra no canal Fala, Cinéfilo! . Tchau tchau!

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