Rogue One: Uma História Star Wars

Faz apenas um ano, mas eu já tinha me esquecido de como era assistir a um “Star Wars” na tela grande do cinema. A trilha musical épica, as estrelinhas falsas sobre o fundo preto, a nave gigantesca que de repente se projeta diante de você… Só faltou o letreiro amarelo, se afastando horizontalmente como um longo pergaminho. “Rogue One: Uma História Star Wars” não o tem, mas não demora para entendermos por quê.


O filme que estreia nesta quinta (15), o primeiro spin-off da franquia, é um “Star Wars”, mas não é. É parte daquele universo, com certeza, e sua história amarra com maestria os pontos da saga que tão bem conhecemos, mas sua natureza é diferente em muitos sentidos. “Rogue One” é um filme de guerra, é um filme de ação, e, definitivamente, não é um filme de personagens. Mas é um filme com alma.

Explico: o longa, que preenche a lacuna entre os Episódios III e IV, tem a função de mostrar ao público como o projeto da primeira Estrela da Morte foi roubado de Darth Vader e entregue à princesa Leia, desencadeando toda a aventura que vemos em “Uma Nova Esperança”. Assim, o foco principal é a missão, é o passo-a-passo de como um grupo de rebeldes conseguiu invadir a base imperial e cumprir seu objetivo – não a história pessoal de uma família perdida, de amigos fiéis ou jovens em conflito, mas uma história de guerra.

Não que “Rogue One” não tenha personagens com problemas pessoais e relações complexas, mas esse, simplesmente, não é o foco. Quem comanda o grupo é Jyn Erso (Felicity Jones), uma jovem fora-da-lei criada por um rebelde radical que se separou do pai quando criança. Ele, contra sua vontade, foi trabalhar para o Império como engenheiro-chefe de uma nova arma (a Estrela da Morte) e nunca mais voltou. Agora, a notícia de que existe uma arma capaz de destruir planetas chegou à Aliança e Jyn é convocada por seus líderes (incluindo os veteranos Mon Mothma e Bail Organa, pai adotivo de Leia) para ajudar numa missão de resgate ao seu pai.

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Estabelecido esse pontapé inicial, é hora de partir para a ação. E você nunca viu tanta ação num filme da franquia Star Wars quanto aqui: são tiros para todos os lados, explosões, lutas com bastões e espadas, destruição de naves, cidades e planetas, tudo isso sem muito tempo para respirar. Diferente dos outros episódios, este spin-off se rebela até mesmo na forma. Nada de conversas descontraídas no bar, noites de descanso antes da batalha, manobras mirabolantes ou personagens engraçadinhos para quebrar o gelo. Há, sim, momentos de humor e há, sim, um droide adorável (espere até conhecer o K-2SO!), mas o tom é muito mais tenso e impaciente.

Apesar das diferenças, “Rogue One” ainda é um “Star Wars” e, como tal, tem todo o fan service que o público espera. Darth Vader está lá, mais bad ass do que nunca; a trilha de John Williams está lá, levemente modificada; eventos da trilogia original são mencionados e outros personagens queridos são pincelados como easter eggs. Uma das referências é, inclusive, bastante bizarra. O Grand Moff Tarkin, comandante da Estrela da Morte que aparece em “Uma Nova Esperança”, tem um papel central aqui. O problema é que o ator, Peter Cushing, morreu em 1994 e teve seu rosto recriado digitalmente para o papel. Bem feito, mas um tanto sinistro.

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Diferente na forma e familiar no conteúdo, o filme vai se desenrolando aos poucos, mas não se define realmente até os 10 minutos finais – mas são os 10 minutos que farão seu ingresso valer a pena. Você provavelmente vai ficar sem fôlego e aplaudir o filme ao subir dos créditos, como fizeram dezenas de críticos na sessão de imprensa. “Eles realmente fizeram isso?”, você vai pensar. Sim, fizeram.

Antes desse gran finale, “Rogue One” era um bom filme com algumas soluções convencionais de roteiro, boas sequências de ação e curiosidades para fãs, mas seria esquecido em pouco tempo. Depois dele, absolutamente tudo ganha um novo sentido, mais poderoso e relevante. A guerra, finalmente, é real.

Rogue One: Uma História Star Wars” chega aos cinemas no dia 15 de dezembro.

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