Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar (Joachim Rønning, Espen Sandberg, 2017)

Parece que foi ontem, mas já faz seis anos que o quarto filme da franquia “Piratas do Caribe” chegou aos cinemas, trazendo um excesso de Johnny Depp, sereias e até Penélope Cruz para tentar dar alguma sobrevida a uma série devidamente encerrada quatro anos antes. A receita não deu tão certo e foi preciso esperar algum tempo para que um novo episódio voltasse a fazer sentido para os fãs e para o estúdio.

Pois é nesta quinta, 25 de maio, que estreia “Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar” – com menos Depp, nenhuma sereia e três nomes novos na escalação: os novinhos Brenton Thwaites (“O Doador de Memórias”) e Kaya Scodelario (“Maze Runner: Correr ou Morrer”) e o veterano Javier Bardem (“Biutiful”). Para uns, este é apenas mais um entre tantos caça-níqueis genéricos de olho nas férias, mas, para outros, pode ser um resgate do que havia de melhor na franquia e uma adição valiosa ao universo fantástico criado pela Walt Disney. Para esta que vos escreve, é uma mistura dos dois.

Receita infalível

Geoffrey Rush retorna ao papel do capitão Hector Barbossa, agora rico e dono de uma frota poderosa

A Vingança de Salazar” entrega absolutamente tudo o que promete: é engraçado, nostálgico, exagerado, banhado numa mitologia própria cheia de criaturas mágicas, construído em cima da clássica “caça ao tesouro” e tem a inocência típica da Disney para alcançar crianças e adultos. Pode ser um formato um pouco antiquado, mas não há nada de errado nisso quando se está falando de uma franquia de aventura para a família.

Jack Sparrow, alçado a herói no longa anterior, encolhe para dar espaço ao novo elenco e deixa de lado a pose de sabichão para abraçar novamente o papel de alívio cômico e fio condutor quase acidental. A razão para isso pode não ser narrativa (Depp foi recentemente acusado de violência doméstica e seus filmes estão sentindo as consequências), mas a verdade é que um Sparrow coadjuvante funciona muito melhor do que um protagonista (e é sempre bom ver um pouco mais de Geoffrey Rush, na pele do capitão Hector Barbossa).

Trama e personagens

A história começa com um garotinho navegando sozinho na escuridão que, com um mapa na mão, para sob a luz de um farol, amarra um saco de pedras à própria perna e se joga ao mar. O que ele encontrará lá embaixo, prefiro deixar para a imaginação de vocês.

Keira Knightley, que não aparecia na franquia desde 2007, faz uma participação especial no filme

A sequência impactante dá um tom de ousadia ao filme, que a partir de então trabalhará com o equilíbrio entre o drama desses personagens obstinados e o humor pastelão de Jack Sparrow, mantendo o balanço que garantiu o sucesso do início da franquia.

Falando em início, o longa traz de volta os personagens de Orlando Bloom e Keira Knightley, que há uma década não davam as caras na série. A dupla tem uma participação curta, mas é lembrada durante todo o filme e deve aparecer muito mais no futuro – porque, apesar de ter uma aparência de “conclusão”, o novo episódio deixa claro que não será o último.

Entre as novidades, o destaque vai para Carina Smyth, a astrônoma interpretada por Scodelario: uma jovem que tem um apego pessoal pela ciência e não acredita em lendas marítimas, mas é perseguida como bruxa por um exército que, mais tarde, buscará a ajuda de uma bruxa de verdade (Golshifteh Farahani, de “Paterson”).

Kaya Scodelario interpreta Carina Smyth, uma astrônoma que traça a rota para o Tridente de Poseidon

Carina, bem menos sexualizada que outras protagonistas femininas da franquia, tem um arco próprio e uma participação efetiva na jornada. É ela quem orienta o grupo rumo ao Tridente de Poseidon – um artefato capaz de anular todas as maldições do mar, e que ela acredita ter uma ligação com o pai que nunca conheceu.

Ver ou não ver?

Piratas do Caribe – A Vingança de Salazar” é uma boa opção para quem procura aquele filme leve e divertido para levar as crianças ou relaxar a cabeça no final de semana, sem se preocupar com piadas ofensivas ou roteiros esburacados, mas também sem abrir mão de uma produção luxuosa que esbanja cada centavo dos seus US$ 230 milhões de orçamento. Nota: apesar disso, prefiram sessões comuns, já que algumas cenas ficam escurecidas demais na versão em 3D.

Se será um sucesso? Dependerá da força do caso Depp, da memória afetiva dos fãs e de nada mais. Deixo a resposta nas mãos de vocês.

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