Paris Pode Esperar (Eleanor Coppola, 2017)

“As férias podem esperar”, declara o produtor de cinema Michael (Alec Baldwin) a um parceiro de negócios no telefone, enquanto sua esposa Anne (Diane Lane) escuta, na sacada, olhos sobre a praia de Cannes.

Quantas vezes não terá Eleanor Coppola – diretora de “Paris Pode Esperar“, que chega aos cinemas no dia 8 de junho – ouvido essa frase de seu célebre marido (ele mesmo, o Francis Ford) ao longo de cinquenta e poucos anos de casamento?  Eleanor, aos 81, lança-se à direção autoral pela primeira vez agora, em pleno 2017, e parece colocar para fora algumas décadas de submissão artística e invisibilidade. Seus filmes anteriores, notem, haviam sido todos documentários sobre a obra do marido ou da filha, a também cineasta Sofia Coppola – fruto de uma geração totalmente diferente.

Aos 81 anos, Eleanor Coppola escreve, dirige e produz seu primeiro longa-metragem de ficção

Recentemente, a diretora deu uma entrevista afirmando que, na sua época, não era comum que as mulheres pudessem seguir a profissão que quisessem, e que isso era algo que sua filha jamais compreenderia. Talvez as amarras, afinal, estivessem fincadas lá dentro e não aqui fora e agora, enquanto Sofia recebe o prêmio de Melhor Direção naquela mesma praia ensolarada, Eleanor decidiu que é hora de começar.

Seu começo dificilmente pode ser classificado como “original”, mas é sincero. “Paris Pode Esperar” é uma mistura de “Sob O Sol da Toscana” e “Comer, Rezar, Amar“, gostosa e açucarada. Eleanor apoia-se um pouco mais do que deveria no contraste entre o “exótico” francês e o “prático” americano – ou melhor, a americana -, mas num ponto ela acerta em cheio: os pratos que acompanham Lane em sua viagem transformadora pela França são de dar água na boca!

Essa viagem, aliás, não é feita ao lado do maridão – lembram-se do Michael, lá atrás? -, mas sim com o sócio dele, Jacques (Arnaud Viard). A promessa era que Jacques desse a Anne uma carona de carro de Cannes a Paris, já que ela sofria com uma dor de ouvido e fora aconselhada a não voar. O que ele faz, porém, é um tour de dois dias pelo interior do país, parando a cada minuto para “um pequeno desvio”. Melhor para ela: entre pepinos e abacaxis, Michael acaba atrasando sua chegada a Paris e ela tem o tempo que precisa para repensar sua vida, sua carreira e seu casamento.

“Paris Pode Esperar” é um filme agradável e sem grandes ousadias, que vai cair bem numa manhã preguiçosa acompanhada por um chocolate quente, almofadas e um edredom. Para a senhora Coppola, entretanto, tenho certeza de que significará muito mais do que isso.

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