Meus 15 Anos (Caroline Okoshi Fioratti, 2017)

Se 2017 não tem sido lá muito generoso com seus blockbusters (“Mulher-Maravilha” sendo uma grata exceção), com os pequenos e médios a situação está se mostrando bem diferente: os melhores filmes estão vindo dessas categorias e as surpresas não param de chegar. Foi o caso de “Meus 15 Anos”, comédia adolescente que explora a velha história do “patinho feio”, mas com uma pegada delicada, confiante e atual.

“Meus 15 Anos” é a história de uma festa de 15 anos – daquelas cheias de pompa, com direito a valsa e show da Anitta – montada para uma menina que, bem, não é o que se espera de uma debutante. Bia (Larissa Manoela) é uma garota tímida, que tem um único amigo, uma amiga que tem vergonha dela, e seu pai (Rafael Infante), que trabalha organizando eventos e vestindo fantasias constrangedoras e com quem vive sozinha desde a morte da mãe. Bia não sabe usar salto alto, tira notas boas e é, cumprindo todos os requisitos, a típica garota invisível na escola. Mas isso está prestes a mudar.

Com a melhor das intenções, seu pai a inscreve num concurso e ela acaba ganhando a festa dos sonhos de qualquer menina da sua idade – ou, pelo menos, do padrão de menina da sua idade. De um dia para o outro, todos os alunos (até os mais velhos, do “terceirão”) se interessam pela “garotinha estranha” e se aproximam dela para garantir um convite. No meio da confusão, um menino por quem ela tinha uma paixonite também chega mais perto – e aí, vocês já sabem.

O formato desta história já foi usado diversas vezes: “O Diário da Princesa” é o que mais vem à memória enquanto assistimos ao filme mas, felizmente, a relação é mais de inspiração do que de mera repetição. “Meus 15 Anos” tem sua vida própria e isso, por si só, já faz valer o ingresso.

Além de trabalhar a transformação da protagonista (de patinho feio a princesa, de princesa de volta a patinho, mas agora um patinho que encontrou seu lugar), o filme também traz um lado musical importante e um drama pessoal que torna a personagem de Larissa mais completa. Sua relação com o pai é algo delicioso de assistir e tenho certeza de que muitos marmanjos vão se emocionar.

A escolha do elenco é muito boa e, entre os coadjuvantes, vale destacar a dupla formada por Victor Meyniel e Priscilla Marinho, que funcionam muito bem juntos como o núcleo cômico. Felizmente, suas participações são bem pontuadas e nenhum deles chega a roubar a cena ou tirar o foco da trama principal – que é o amadurecimento de Bia por seu próprio ponto de vista.

No fim, “Meus 15 Anos” consegue entregar tudo o que prometeu e um tantinho a mais: é um filme leve, gostoso, inocente o suficiente para sua faixa etária e com uma mensagem que vai valer tanto para pais quanto para filhos – a de que você não precisa fazer tudo o que esperam de você para ser aceito (e, de quebra, que não é preciso ser uma “princesa” para ser uma menina “normal”). O que você precisa mesmo é aceitar suas próprias esquisitices e ser feliz.

“Meus 15 Anos” é escrito e dirigido por Caroline Okoshi Fioratti, que estreia nos cinemas depois de comandar as séries “A Grande Viagem” e “Unidade Básica”. O filme estreia nesta quinta-feira, 22 de junho.

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