Homem-Aranha: De Volta Ao Lar (Jon Watts, 2017)

Confissão do dia: sou fã do Homem-Aranha. Mas até eu já estava cansada de ver a morte do tio Ben ou a mordida da aranha, e só de pensar em ouvir a frase “com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades”, meu estômago se revirava.

Felizmente, para mim, a Marvel entendeu que um novo filme com o mesmo herói só faria sentido se trouxesse uma nova perspectiva. Uma perspectiva, digamos, que não fosse mais a de origem, mas sim de desenvolvimento – e que trouxesse algo além do garoto que se deslumbra com o extraordinário, ou que se desestabiliza todo por uma garota.

Pois “Homem-Aranha: De Volta Ao Lar” atendeu a todos os meus pedidos e deve recuperar, pelo menos, parte de sua leva perdida de fãs. Isso porque este não é um filme genérico de super-herói, mas um que se sustenta com os próprios pés mesmo se tirarmos dele todos os elementos fantásticos e sobre-humanos. Esta é a história de um adolescente, inteligente mas ingênuo, forte mas inexperiente, lidando com seu primeiro emprego, sua primeira paquera e suas primeiras escolhas realmente relevantes na vida.

“De Volta Ao Lar” é o primeiro filme-solo do herói dentro do universo Marvel e na pele de Tom Holland, que já estreara no personagem em “Capitão América: Guerra Civil”. Como a Mulher-Maravilha em “Batman vs Superman”, o cabeça-de-teia roubara a cena mesmo rodeado por um batalhão de heróis, e agora tem sua chance de provar que não era apenas um garoto engraçadinho.

Holland, é claro, é muito mais do que isso. Capaz de dar ao personagem um tom juvenil e amigável que cativa o público desde a fabulosa sequência de abertura, ele constrói um Peter Parker coerente com sua idade (15 anos – o ator tem 21) e digno da expressão “amigão da vizinhança”. Ele é, afinal, um cara normal, que não sabe muito bem como ser um herói, mas tem as melhores intenções do mundo quando veste o uniforme.

Descoberto no drama “O Impossível” (2012), Holland também tem a oportunidade de explorar um lado mais visceral de Parker quando, num momento de derrota, lança ao espectador um turbilhão de emoções sem quase precisar mostrar o rosto. Espere por esta cena, que é de arrepiar.

O jovem ator chega às telas muito bem acompanhado por um antagonista à altura – coisa que não víamos há um bom tempo no gênero. Michael Keaton veste a armadura de Abutre – um homem que perdeu o emprego para as indústrias Stark e, de posse de algumas sucatas alienígenas, reconstruiu a vida como traficante de armas aprimoradas.

Ele, porém, não precisa da roupa para ser um personagem completo: apenas motivação e princípios. É sua determinação inabalável que faz de Abutre um vilão ameaçador e sua melhor cena, não por acaso, acontece fora do campo de batalha e sem qualquer acessório fantástico. Bastam os olhos para desconcertar cada um de nós em nossas poltronas.

Por ser um romance de formação, mais do que uma guerra entre o Bem e o Mal, há muita coisa acontecendo simultaneamente na vida de Peter Parker. Ele gosta de uma garota, seu melhor amigo descobre sua identidade secreta, sua tia está preocupada com sua puberdade, há uma competição escolar em andamento, há uma grande festa se aproximando e, pairando como um peso enorme sobre tudo isso, há uma relação distante com Tony Stark (Robert Downey Jr.) que pode ou não evoluir para uma vaga entre os heróis mais famosos do mundo.

Peter, portanto, vive a ansiedade por um feedback que nunca vem no que ele mesmo chama de “estágio nas indústrias Stark” – e isso é um sentimento com o qual qualquer adolescente (ou jovem adulto) pode se identificar.

Rondando esse personagem cheio de energia e inseguranças, o filme coloca uma figura ambígua e observadora, que pode vir a ter um papel maior nos próximos episódios, interpretada com um humor sarcástico pela atriz Zendaya. Marisa Tomei retorna como uma divertida e “parceira” tia May, Donald Glover faz uma breve participação (mas tem uma das melhores cenas) e Laura Harrier interpreta Liz, a garota do último ano por quem Parker tem uma queda.

“Homem-Aranha: De Volta Ao Lar” estreia no dia 6 de julho e tem direção de Jon Watts e distribuição da Sony Pictures, com produção da Marvel Studios. O herói aparecerá novamente em 2018 no filme “Vingadores: Guerra Infinita”.

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