Transformers: O Último Cavaleiro (Michael Bay, 2017)

Mais um “Transformers” está entre nós. E isso só pode significar uma coisa: pela quinta vez, Michael Bay apresenta sua combinação inconfundível de câmera lenta e música “emocionante” em ab-so-lu-ta-men-te todas as cenas, durante duas horas e meia, numa tentativa desesperada (ou seria apenas preguiçosa?) de nos convencer de que algo épico está prestes a acontecer, está acontecendo ou, enfim, aconteceu.

Em “Transformers: O Último Cavaleiro”, Optimus Prime abandonou a Terra para procurar seu “criador” e acaba descobrindo que seu planeta foi destruído. Enquanto isso, na Terra, Cade Yeager (Mark Wahlberg) recebe de um autobot no leito de morte um artefato misterioso, que descobre estar ligado à batalha de Lancelot, ao mago Merlin e a uma antiga geração de guerreiros Transformers.

Mark Wahlberg retorna ao papel de Cade Yeager, defensor dos Transformers na Terra
Se você pensa que isso ultrapassa um pouco os limites do que a franquia se propôs até agora, você ainda não viu nada. O vale-tudo, desta vez, é tão aleatório que “O Último Cavaleiro” nem parece um longa-metragem, mas sim um conjunto de pequenas ideias soltas tiradas da mente de um garoto de treze anos.

Entre as pérolas, temos um submarino abandonado que entra em atividade por força do pensamento e um dragão-robô que aparece do nada, não serve para nada e é igualmente ignorado por heróis e vilões. Temos, ainda, uma “protagonista feminina” (Laura Haddock) que é historiadora, filósofa e PHD, mas cuja única função é segurar um cajado (e até nisso ela falha). Para dar alguma substância ao elenco, encontramos o veterano Anthony Hopkins, que encarna o “último membro de uma dinastia perdida” e “guardião de todos os segredos”, mas até ele soa mais como uma paródia do que, de fato, como um personagem a ser levado a sério.

O personagem de Anthony Hopkins mais parece uma paródia do clichê do “sábio que guia o herói”
Repare, ainda, na corrida de gato-e-rato que se constrói desde o início entre a polícia e Yeager, mas que, de uma hora para a outra, se transforma em parceria sem precisar sequer de uma troca de olhares. Há, também, a personagem-mirim (Isabela Moner) que se une aos heróis por suas habilidades de mecânica, mas é esquecida durante a maior parte da ação e em nenhum momento precisa utilizá-las.

Minha favorita, porém, é esta: num determinado ponto da história, quatro estruturas gigantescas em forma de chifres metálicos brotam da Terra, como uma reação do planeta ao ataque iminente … E são completamente esquecidas nos minutos seguintes. Só consigo pensar que elas foram colocadas ali porque davam um efeito dramático interessante.

Essa, aliás, é a sensação geral que o filme passa, desde a sequência de abertura numa batalha medieval até o encerramento no presente com uma nave espacial pousada sobre Stonehenge: não há uma história para contar, não há um universo para explorar, não há um personagem para desenvolver. O que existem são imagens impactantes que ficam bem nos jornais e vendem ingressos, e cenas bonitas e frases de efeito para enganar quem não está, realmente, prestando atenção. Mas não há, nem mesmo de relance, um filme de verdade ali.

“Transformers: O Último Cavaleiro” chega aos cinemas brasileiros no dia 20 de julho, depois de ter arrecadado meio bilhão de dólares ao redor do mundo. A Paramount já tem outras três sequências no forno, incluindo um spin-off sobre a história de Bumblebee, que será dirigido por Travis Knight.

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