“Boneco de Neve”: romance policial chega aos cinemas com trama confusa e problemas de produção

Algo de precioso sempre se perde quando um diretor estrangeiro se aventura pela primeira vez em Hollywood. Tomas Alfredson, por exemplo, já tinha duas adaptações europeias muito bem sucedidas no currículo (o cultuado “Deixa Ela Entrar” e o suspense “O Espião Que Sabia Demais”) quando foi chamado pela Universal para levar o bestseller “Boneco de Neve”, de Jo Nesbø, para as telas. O projeto tinha tudo para dar certo, mas algo muito importante foi esquecido no caminho: o controle.

Segundo o próprio diretor em entrevista à revista americana Indiewire, Alfredson foi contratado para assumir a direção de “Boneco de Neve” depois que Martin Scorsese se afastou do cargo, resignando-se à produção executiva. A essa altura, muito já havia sido feito e as filmagens foram apressadas, fazendo com que parte do roteiro simplesmente ficasse de fora – obrigando certas amarrações grosseiras a serem feitas na sala de edição.

O resultado se expressa nos números: há um mês em cartaz nos EUA, o filme arrecadou constrangedores US$ 6,6 milhões e amarga uma nota de 8% no site Rotten Tomatoes, onde 147 críticos já o avaliaram negativamente. Há certo exagero aí, mas as dificuldades de produção certamente transparecem nas inúmeras lacunas de roteiro e no olhar de confusão do público após as sessões.

Curiosamente, “Boneco de Neve” deveria ter sido muito simples: um detetive veterano e alcoólatra (Michael Fassbender) investiga um novo caso ao lado de uma policial recém-transferida (Rebecca Ferguson) e, trabalhando em pistas diferentes de forma a montar um quebra-cabeças, os dois desvendam o mistério envolvendo um assassino em série e os bonecos de neve que ele deixa para trás. Passados nebulosos e famílias disfuncionais se seguem.

O filme, porém, vem no final de uma onda já quase sem fôlego de suspenses nórdicos que viram seu auge entre 2009 e 2011, com as adaptações dos livros da série “Millenium”, de Stieg Larsson (o quarto título, aliás, chega aos cinemas em 2018 com Claire Foy no papel de Lisbeth Salander). Se fosse só por isso, o público já se sentiria suficientemente fatigado pelos clichês tantas vezes já vistos, que se repetem no longa de Alfredson.

Mas não é só: na tentativa de dar complexidade a uma trama simples, talvez para recativar um público adormecido, o filme escrito a seis mãos (oito, se contarmos o autor) se dilui numa infinidade de personagens secundários e histórias paralelas, que jamais se concluem, provavelmente devido à correria das gravações.

O resultado é um suspense sem ritmo e sem pegada, que desperta risos quando deveria estar provocando arrepios e foge da memória segundos após o subir dos créditos. Para piorar, nomes como J.K. Simmons e Toby Jones são desperdiçados em papéis inexplicavelmente curtos e Charlotte Gainsbourg, quem diria, sofre no papel de donzela em perigo. Péssimo batismo para o diretor sueco.

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