Star Wars – Os Últimos Jedi (Rian Johnson, 2017)

Certas coisas são inevitáveis quando se fala de cinema. Sucessos do passado sempre voltam para nos assombrar. Filmes adorados pelo público sempre ganham sequências. E produções da Disney, mais cedo ou mais tarde, sempre acabam se encaixando no padrão da casa.

Que a franquia “Star Wars” acabaria por ganhar mais humor, mais ação e menos densidade de personagens em algum momento num futuro próximo, portanto, não era exatamente uma questão… Mas ver isso acontecer logo no segundo episódio da nova trilogia, depois de um “Despertar da Força” tão autêntico e cuidadoso com o desenvolvimento de seus heróis, partiu meu coração.

Sei que muitos fãs ficarão satisfeitos com o longa de Rian Johnson, que chega aos cinemas já nesta quinta-feira (14) – afinal, ele tem ótimos momentos – mas permitam-me esperar um pouco mais de uma franquia tão rica em possibilidades. Mais do que o mesmo plano de sempre envolvendo a invasão de uma nave inimiga, a destruição de uma peça-chave capaz de explodir toda a embarcação e uma contagem regressiva para o disparo de uma arma gigante que destruirá a Rebelião.

A guerra em si talvez nunca tenha sido o forte da saga espacial, é verdade, mas era um coadjuvante muito bem colocado, emoldurando com louvor os dramas e aventuras da família Skywalker. Aqui, entretanto, é ela que empurra a história para a frente e coloca Rey, Finn e Poe nas situações mais improváveis – e, em muitos momentos, até patéticas. O aguardado confronto entre Finn e Phasma, por exemplo, não poderia ser mais banal, como o próprio encontro entre Rey e Luke que encerrou o ep. VII numa nota e retorna, agora, em outra totalmente distinta.

Não é, portanto, apenas o excesso de déja-vu que incomoda em “Os Últimos Jedi”, mas sim o tom – um tom cômico e terrivelmente equivocado que despe as cenas mais dramáticas de seu senso de urgência e gravidade (lembrando, por coincidência nenhuma, técnicas de outra afilhada da Walt Disney, a Marvel). A impressão que se tem é a de que o filme não quer se levar a sério e, por isso, age como uma paródia de si mesmo mais do que como um “Star Wars” de fato.

Não que a série não tenha tido, anos atrás, seus momentos de humor ingênuo, mas dificilmente alguém os identificaria como os pontos altos nestas quatro décadas. O que fez a fama de “Star Wars”, sabemos bem, não foram os Ewoks ou as trapalhadas de Jar Jar, mas sim os conflitos morais de um jovem Jedi que precisou enfrentar seu pai para dar fim a uma grande guerra, ou de outro jovem poderoso que encontrou num Sith o seu mentor mais compreensivo, ou mesmo de uma princesa que se tornou general para lutar contra a opressão de um Império, mas viu seu próprio filho se voltar contra seus ideais.

Em “Os Últimos Jedi”, justiça seja feita, alguns novos dilemas são colocados na mesa e há um interessante conflito moral na relação entre Rey e Kylo Ren – de longe, o núcleo mais forte do filme. Temos, também, a chance de reencontrar Luke e compreender seu papel em toda esta nova saga – o de um mentor sábio, como Yoda, mas atormentado e hesitante, como Obi Wan Kenobi.

Porém, essa turbulência emocional em torno de Rey acaba tendo que competir com uma trama paralela, conduzida por Finn, Poe e Leia às voltas com seus próprios relacionamentos com novos e antigos personagens – Rose, vivida por Kelly Marie Tran, e a vice-almirante Holdo, interpretada por Laura Dern, são as maiores novidades, enquanto Benício Del Toro decepciona como um traficante espertalhão genérico.

O resultado desse mosaico, que envolve ainda uma tentativa vaga de politizar a trilogia e outra, ainda pior, de introduzir um novo par romântico, aproxima o filme mais de uma grande confusão do que de uma aventura épica e atemporal. Que a Força esteja com J.J. Abrams para consertar tudo isso no ep. IX.

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