Me Chame Pelo Seu Nome (Luca Guadagnino, 2017)

Alguns filmes são história, outros são sensação. “Me Chame Pelo Seu Nome”, fenômeno indie do diretor italiano Luca Guadagnino, que vem flertando com o Oscar e com os demais prêmios da temporada como um “Moonlight” em 2018, é pura sensação: uma sensação gostosa como um amor de verão, que chega arrebatador, atordoa os sentidos e deixa para trás algumas boas memórias, duras lições e a impressão, traiçoeira, de que tudo não passou de um sonho.

O filme traz Armie Hammer (“O Agente da U.N.C.L.E.”) e Timothée Chalamet (que também está em outra febre do momento, “Lady Bird”) nos papéis principais. O primeiro, tem 31 anos na vida real e interpreta um estudante de pós-graduação nos seus vinte e poucos, sedutor e espaçoso. O segundo, tem 22 e vive um garoto de 17, brilhante e um pouco ingênuo, sendo inconvenientemente devorado por seus hormônios durante um verão quente no Norte da Itália.

É nesse verão que o personagem de Hammer, Oliver, chega à residência dos Perlman para cumprir um estágio de seis semanas com o pai de Elio (Chalamet), professor de arte clássica. Todos os anos, um novo estudante é hospedado na mansão e Elio se diverte com a amiga Marzia (Esther Garrel) analisando os escolhidos. Desta vez, porém, o visitante o incomoda.

Talvez seja seu jeito folgado, independente demais e ligeiramente arrogante de se despedir dos outros na mesa de jantar. Talvez sejam seus shorts, curtos demais para suas pernas imensas, ou o fato de que ele desaparece todas as noites, provavelmente para se enroscar com uma das vizinhas ou farrear no bar de jogatinas da cidade. Ou talvez seja porque Elio não consegue tirá-lo da cabeça, e ele nem parece se importar.

O romance que se desenha pouco a pouco em “Me Chame Pelo Seu Nome” não é aquele amor proibido das tragédias ou o relacionamento cheio de desconfianças e traições das novelas, mas é algo mais real e hipnótico. Elio e Oliver se sentem, ambos, na obrigação de esconderem seus sentimentos, por motivos diferentes, mas isso não impede que as pessoas em volta percebam que há algo no ar. Os dois não passam os dias declarando seu amor, mas conversam sobre música, literatura, o verão e o inverno, cuidam um do outro quando é preciso e riem (ou choram) ao tomarem consciência de seus impulsos juvenis. São, enfim, um casal jovem como qualquer outro, com um jeito particularmente adorável e desajeitado de se tratar.

O filme se passa nos anos 80, mas poderia ser nos dias de hoje. O preconceito é mais forte na época, claro, mas, como hoje, cada um reage de forma diferente à própria homossexualidade – uns, se aceitam e são aceitos; outros, se escondem sob estereótipos de masculinidade. Uns fazem piadas e dão apelidos, outros se mantêm nas sombras de amigos mais corajosos. Tudo é um pouco complicado, como o amor sempre é. E doce e sensual e marcante.

“Me Chame Pelo Seu Nome” estreia nos cinemas no dia 18 de janeiro e é baseado no livro de mesmo nome de André Aciman.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s