Um Lugar Silencioso (John Krasinski, 2018)

Você já deve ter visto John Krasinski em algum lugar. Se é fã de “The Office”, foi lá. Se não, como eu, talvez tenha sido numa comédia romântica genérica, onde ele chamava a atenção por não ser o galã que você esperaria num filme do gênero: “Licença Para Casar”, “Simplesmente Complicado” ou “O Noivo da Minha Melhor Amiga”, ele esteve nos três. Ou foi naquele terrível drama de guerra do Michael Bay, “13 Horas: Os Soldados Secretos de Benghazi”… Mas espero sinceramente que você tenha pulado esse. O fato é que, até agora, Krasinski era aquele cara comum: com jeito de gente boa, um pouco atrapalhado, um pouco comum, quase invisível. Bem, até agora.

Nesta quinta, 5 de abril, estreia um suspense que expõe outro lado do ator – aliás, outros lados. Em “Um Lugar Silencioso”, ele vive um pai de família muito sério e preocupado em manter a esposa (Emily Blunt, sua parceira na vida real) e os filhos (muitos) longe das garras de um monstro sanguinário. Ele também é o diretor e, depois de um par de longas menos conhecidos, chega agora escancarando as portas, dizendo à crítica e aos estúdios: olhem para mim! E estão todos, mesmo, olhando para ele.

Porque “Um Lugar Silencioso” é horripilante, como raramente uma obra com alienígenas (que aparecem por mais do que alguns segundos) consegue ser. Ele invoca aquela tensão claustrofóbica do primeiro “Alien”, lado a lado com a ousadia de um “Cloverfield” e um ou outro clichê necessário de um filme-apocalipse. A casa isolada na fazenda, é claro, está ali. A plantação de milho e o rádio que jamais encontra socorro também. Mas é em detalhes humanos (como o fato de sabermos que existem vizinhos, mas eles não terem coragem de se encontrar, ou nos sonhos que o casal insiste em perseguir) que se constrói essa história, arrepiante até o último fio de cabelo. Krasinski assina o roteiro ao lado de Scott Beck e Bryan Woods.

Mas sobre o que é o filme, afinal? Bem, estamos num futuro próximo, quando a humanidade parece ter sido atacada e dizimada por uma invasão de alienígenas que, mesmo em pouca quantidade (há apenas três deles na região onde se passa a história), são rápidos e letais o suficiente para causarem pânico e horror. O pior? Eles são atraídos pelo som (e nós, humanos, somos bichos bem barulhentos).

Essa premissa simples prepara um cenário que, por si só, já é assustador: para sobreviver, os Abbotts precisam viver em silêncio – e isso significa andar descalços, brincar sobre tapetes, forrar os caminhos com areia e se comunicar por linguagem de sinais e lâmpadas, que ficam vermelhas em caso de perigo. E não gritar. Em hipótese alguma. Aconteça o que acontecer.

Nota: lembre-se de que estamos falando de um casal com crianças. Já imaginou tentar viver em silêncio cercado por crianças? Só imagine, por um minuto, tudo o que poderia dar errado… Pois é. Por sorte, uma das filhas é surda e podemos deduzir que eles já tinham o domínio sobre os sinais antes do ataque, o que facilita um pouco o seu silêncio e torna toda a situação mais verossímil. Mas isso também é um problema: afinal, ela não ouve quando alguém se aproxima e não sabe se há algum barulho por perto. E ninguém pode avisá-la, certo?

Acho que agora vocês estão começando a entender… Mas há ainda outro trunfo nas mãos de Krasinski, que garante o sucesso dessa história. Diferente de outros suspenses independentes, que preferem trabalhar o medo do desconhecido a mostrar o horror real (porque é difícil fazer isso sem parecer trash), “Um Lugar Silencioso” faz questão de estabelecer, desde o início, exatamente o quão perigosos são esses monstros que cercam a fazenda, usando para isso uma sequência de abertura de esmagar o coração.

Assim, sabemos logo de cara por que eles têm tanto medo e, honestamente, ficamos apavorados também. E esperamos pelo pior, mesmo que nada aconteça – afinal, tudo no filme é desenhado para que a expectativa mantenha o público preso na poltrona, agoniado, com alguma dificuldade para respirar, durante todos os seus 90 minutos. Felizmente, são apenas 90 minutos.

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