De volta ao mundo dos dinossauros

Por mais que Hollywood diga o contrário, poucos filmes nascem com a vocação para se tornarem franquias. Desses poucos, os melhores provavelmente vieram da mente de Steven Spielberg. Nesta quinta (21), estreia oficialmente (depois de uma semana de pré-estreias) o quinto longa de sua famosa saga jurássica, “Jurassic World – Reino Ameaçado”. Um filme que vem provar, em meio a um mar de sequências desnecessárias, que um universo bem construído pode render décadas de terror, curiosidade, aventuras e dilemas morais que não estão nem perto de acabar.

O novo filme, prometido como o capítulo central de uma segunda trilogia (certamente não a última), é dirigido por J.A. Bayona, que, acreditem, é a pessoa perfeita para o trabalho. O cineasta espanhol tem como especialidades justamente o terror “atmosférico” e o trabalho com protagonistas mirins, coisas que fizeram do primeiro “Jurassic Park” um fenômeno entre crianças e adultos. Para quem não está reconhecendo o nome, foi ele quem nos trouxe “O Orfanato”, “O Impossível” e o belíssimo “Sete Minutos Depois da Meia-Noite”.

Com essa mudança de direção (Colin Trevorrow, que comandou “Jurassic World”, retorna para o roteiro), o filme escapa da armadilha da repetição e traz, no lugar da megalomania do longa anterior, uma experiência totalmente oposta: intimista, tensa e sinistra, que aposta em sombras e sugestões mais do que em sangue, explosões e gritos. Aqui, o medo vem da espinha e a inteligência assusta mais do que os dentes.

A história não é tão diferente dos outros filmes, é verdade, mas as ideias e sensações que Bayona e Trevorrow conseguem extrair são excepcionais. Novamente, temos uma ilha habitada por dinossauros, um grupo interessado em protegê-los e outro em vendê-los, mas, em meio a tudo isso, há um debate sobre o papel do ser humano diante dessas criaturas. É fácil pensar nessa discussão como metáfora para a nossa relação com animais reais ou com nossos companheiros de espécie, mas essa sugestão não se permite crescer a ponto de ofuscar a experiência – que tem como objetivo, acima de tudo, a diversão.

Chris Pratt e Bryce Dallas Howard retornam aos seus papéis, agora mais calejados e devidamente vestidos (adoro o fato de que a primeira imagem que vemos de Claire seja dos seus sapatos). Daniella Pineda (“The Vampire Diaries”) e Justice Smith (“The Get Down”) se unem ao time, trazendo aquele toque de humor e esperteza necessários a um filme que tem um tom muito mais sério, mas que não deixa de ter um DNA infantil.

Do outro lado, Rafe Spall encarna o empresário ganancioso e James Cromwell estreia na franquia como um personagem das antigas, velho parceiro do visionário John Hammond. Mas é a neta dele, uma criança criada entre fósseis e interpretada por Isabella Sermon, que costura toda essa nova trama, aproxima a obra do “clima” original e carrega a série, corajosamente, para um novo e inesperado cenário. Um cenário, eu espero, cheio de dinossauros.

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