“Custódia”: drama francês discute violência na separação

Mais um sucesso da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado está chegando aos cinemas para sua rodada no circuito comercial. “Custódia”, drama francês sobre um casal que briga pela guarda do filho mais novo, foi um dos grandes títulos que, ao lado de “Sem Amor” e “O Vale das Sombras”, fez daquela a Mostra das crianças perdidas.

Aqui, Julien (Thomas Gioria) não está literalmente perdido, mas bem que gostaria. Ele é o único motivo pelo qual Mirian (Léa Drucker) e Antoine (Denis Ménochet) ainda precisam manter contato, especialmente depois que a juíza deu a ele o direito aos fins de semana com o filho. O menino tinha declarado expressamente que não queria isso – mas quem vai saber se o discurso treinado não fora obra da mãe? Você já ouviu essa história antes.

Talvez o ponto fraco do filme seja justamente esse: você, principalmente se vive num país como o Brasil, já ouviu essa história muitas vezes antes e vai ser difícil se deixar enganar pela suposta ambiguidade que coloca, no início, tanto mãe quanto pai como possíveis agressores (ou, simplesmente, como dois corações partidos que não querem conversar). Acontece que basta um olhar torto e uma resposta atravessada para sabermos exatamente quem é o quê e toda a neutralidade se dissolve num clássico drama de violência doméstica. A criança, coitada, fica como uma bolinha de pingue-pongue entre os dois lados da guerra, sabendo que a bomba pode estourar bem em cima dela. E ela estoura, ah como estoura.

O que se sobressai, muito acima de um roteiro pouco surpreendente, é a direção do estreante Xavier Legrand, que extrai atuações sufocantes tanto do trio principal quanto da filha mais velha, vivida por Mathilde Auneveux. A jovem tem sua própria história paralela se desenrolando em meio a esse pesadelo e ninguém parece sequer notá-la. Nós notamos, com o coração na mão.

O que falta na trama, sobra em tensão e é a sensação de que “alguma coisa vai acontecer” que segura o filme entre uma cena e outra. Quem nos ajuda a transitar pelo campo minado, quase prendendo a respiração, é Julien – a criança que traz no olhar e nas atitudes contraditórias todo o nervosismo de quem assiste ao terror. Teria ele alguma culpa nisso? Deveria ele fazer alguma coisa a respeito? Talvez leve uma vida inteira para ele entender que não.

 “Custódia” estreia nesta quinta, 5 de julho.

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