Visitamos a exposição “Hitchcock – Bastidores do Suspense” no MIS

A próxima sexta-feira não será um dia qualquer. Ela será uma sexta-feira 13 – dia do terror, do medo, do suspense e também o dia em que o Museu da Imagem e do Som (MIS) inaugura sua megaexposição sobre o diretor Alfred Hitchcock. Intitulada “Hitchcock – Bastidores do Suspense”, a instalação ocupa dois andares do museu e traz fotografias, documentos, vídeos e espaços interativos montados para colocar o visitante dentro dos sets do cineasta britânico.

É importante notar que, diferente de outras exposições internacionais que já passaram por ali (como as de Stanley Kubrick, François Truffaut e Tim Burton), esta foi inteiramente idealizada pelo museu brasileiro e não veio adaptada de outros países. Como aquelas, esta montagem também oferece a chance de explorar não apenas a biografia, mas também o perfil profissional do artista – um homem perfeccionista e controlador, tão habilidoso com a publicidade de seus filmes quanto foi com a sua realização.

A tensão está no som

O passeio já começa antes mesmo de se cruzar a porta. Ali, no hall do MIS, uma cabine fotográfica espera para captar os melhores gritos de seus visitantes, que reencenam a cena clássica do chuveiro em “Psicose” e se aquecem para as próximas horas de tensão. “Entre por sua conta e risco”, avisa um recado na parede logo adiante, enquanto um corvo observa a entrada de novos curiosos. Entremos.

Para aproveitar ao máximo a experiência no MIS, recomendo desapegar desde o início de fones de ouvido (mesmo que o museu ofereça, como sempre, uma visita guiada por áudio no seu aplicativo). É que, como nos filmes de Hitchcock, boa parte da tensão vem da música ou dos sons dos objetos e você não vai querer perder o efeito esmagador de uma revoada de pássaros, os passos suspeitos que balançam o lustre ou o tilintar das facas que pendem do teto sobre a sua cabeça. Sim, não deixe de reparar nas facas sobre a sua cabeça.

Interatividade

Não deixe, também, de atender ao telefone que toca, de correr entre os milharais como Cary Grant, de morrer de aflição com a escada espelhada ou participar do pequeno Escape temático que o espera quase no fim da exposição (sim, há uma sala de Escape!). Se tiver tempo, perca alguns minutos lendo as curiosidades sobre cada produção e descubra detalhes inusitados como os títulos alternativos para “Um Corpo Que Cai”, a carta de censura à relação incestuosa entre Norman e Norma Bates, o storyboard da cena do chuveiro ou um vídeo em que o próprio Hitchcock apresenta o cenário de sua obra-prima, com comentários como “aqui foi encontrada uma pista importante”.

Talvez você esteja notando que os elementos mais caprichados e curiosos da exposição são dedicados ao longa “Psicose”, e é verdade. Há, até, uma réplica do Bates Motel em tamanho real incluindo a fachada da casa de Norman, a escada no interior e a silhueta do diretor numa das janelas. De fato, há muito o que brincar no universo psicótico dos Bates, mas admito que senti falta de mais experiências com clássicos como “A Janela Indiscreta”, e tenho a impressão de que “Frenesi” passou completamente batido.

Por outro lado, não faltam fotografias e pôsteres originais de praticamente toda a carreira do diretor, além de entrevistas e generosos trechos de filmes. Um cantinho ainda nos presenteia com uma coleção de figurinos criados por Edith Head para Grace Kelly em “Ladrão de Casaca” e Kim Novak em “Um Corpo Que Cai” – pois exposição nenhuma do MIS poderia ficar sem algo assim.

Sob a cortina

Para uma exposição focada nos “bastidores”, a nova instalação do MIS se mostra bastante preocupada com o contexto e os desafios de cada obra, mas não tanto com o lado psicológico do artista por trás delas. O público vai sair de lá encantado com o suspense, saberá tudo sobre a carreira do mestre e com certeza se divertirá com as atividades que encontrará no caminho, mas não saberá quem foi Hitchcock por baixo de todo aquele personagem. Não saberá por que ele trabalhava os temas que trabalhava, de onde vinha sua obsessão com o assassinato de mulheres loiras ou como ele enxergava o mundo além de suas lentes – se é que enxergava. Mas esse, talvez, seja assunto para outra exposição.

Esta, fica em cartaz no MIS de 13 de julho a 21 de outubro e os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria (para o próprio dia) ou pelo site Ingresso Rápido. A inteira custa R$ 12 e, às terças-feiras, a entrada é gratuita.

Confira as fotos:

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