Halloween: sequência chega aos cinemas tentando atualizar a franquia

Quarenta anos atrás, Jamie Lee Curtis enfrentava pela primeira vez um assassino de máscara com um ódio específico por babás que atacava na noite do Dia das Bruxas. Esse slasher estiloso se chamava “Halloween” e logo se tornaria um fenômeno cult. Desde então, onze filmes e muitas reviravoltas se passaram, mas a história, aparentemente, não acabou.

Nesta quinta, 25 de outubro, chega aos cinemas mais um episódio da franquia chamado simplesmente de “Halloween”. Com Curtis de volta ao papel principal, o longa se apresenta como sequência direta do clássico de 1978, ignorando tudo o que aconteceu entre os dois, incluindo a ideia de que Laurie Strode (Curtis) e Michael Myers (o assassino) seriam irmãos. O título minimalista, porém, não deixa dúvida: este é muito mais um reboot para apresentar a obra à nova geração do que uma sequência, e nem é preciso voltar ao clássico de John Carpenter para acompanhar o que se passa na tela (aliás, se você voltar verá que a sequência não se encaixa muito bem com o final do original).

O fato é que o foco, desta vez, é menos o serial killer – mostrado como uma máquina de matar de movimentos robóticos – e mais o trio formado por Strode, sua filha Karen (Judy Greer) e sua neta Allyson (Andi Matichak). Sinal dos tempos, é claro: ninguém vai poder dizer que “Halloween” não é feminista! Ou vai?

Acontece que as mulheres deste novo terror não se sustentam assim tão bem. Strode é o clichê da badass, quase uma Sarah Connor de espingarda em mão e um arsenal de armadilhas para enfrentar seu velho nêmesis. Mas não há muito mais acontecendo em sua vida nos últimos 40 anos, exceto essa eterna e mal resolvida revanche contra o que ela chama de O Bicho-Papão (eu sei, é uma referência, mas oh céus…).

Já Karen é a mãe alienada, alguém que ressente ter sido criada para lutar contra um serial killer e, como uma espécie de rebeldia, resolve ter a família mais comum possível com o marido mais descartável que encontrou (digo isso porque o roteiro o descarta feito embalagem de papel, como faz com todos os outros personagens secundários). Por fim, temos Allyson, a garota bonita com o namorado bobão que quer trazer a avó de volta à família, mas é simplesmente esquecida por ela e pela mãe quando chega a hora de se esconder. Enfim, sozinha e em fuga, ela parece representar as garotas que estrelavam filmes de terror quando “Halloween” estourou: aquelas que sabiam gritar e correr.

Mas isso sou eu, sendo exigente demais com um filme cujo objetivo principal é assustar. Afinal, ele assusta?

Pois é… Acontece que não. O novo “Halloween” passa longe de ter o timing de suspense que Carpenter dominava tão bem e até chega a ser engraçado (de um jeito um pouco patético) por suas conveniências e exageros, como a faca perfeita que aguarda no lugar certo ou a cabeça que explode feito gelatina sob o pé. Os sustos também não funcionam tão bem, já que falta a sutileza para preparar o clima e criatividade para fugir do óbvio – digo, quantas vezes você já viu o vilão se esconder entre manequins? Fica difícil saber se a intenção era ser uma paródia dos detalhes que envelheceram mal no longa de 78 (e em todos os slashers da época) ou, realmente, um filme de terror sinistro para os novos tempos.

O que dá para saber é que, daqui a 5 ou 10 anos, ninguém mais vai se lembrar que algum dia houve ainda mais esse “Halloween”.

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