“A Garota na Teia de Aranha”: saga Millenium continua sem a pegada da Fincher ou Larsson

A atriz sueca Noomi Rapace, a americana Rooney Mara e a britânica Claire Foy podem ter muito pouco em comum, mas, a partir do dia 8 de novembro, todas terão vivido a mesma personagem nos cinemas: Lisbeth Salander, a hacker caçadora de homens maus. É quando estreia no Brasil o novo filme da saga Millenium, “A Garota na Teia de Aranha” – adaptação do quarto livro da série, escrito por David Lagercrantz (Stieg Larsson, autor dos três primeiros, faleceu em 2004).

Como Rapace e Mara, Foy também empresta a Salander uma interpretação muito particular. Se a primeira transpirava uma agressividade punk estetizada e a segunda investia na esquisitice de seu lado outsider, esta parece uma versão mais madura da heroína, alguém que já aceitou seu papel de justiceira e que veste suas tatuagens e seu cabelo raspado não como rebeldia, mas como identidade.

Desta vez, Lisbeth investiga um software capaz de controlar todas as operações de mísseis e ogivas nucleares no mundo e, em meio à perseguição, acaba reencontrando sua irmã, de quem se separou quando criança. O jornalista Mikael Blomkvist (Sverrir Gudnason) também retorna para ajudar a desenrolar a história.

O filme, entretanto, sente a ausência de David Fincher, diretor da adaptação de 2011 de “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres”, primeira e mais famosa aventura da personagem. A direção de arte faz um bom trabalho em conectar o estilo dos dois filmes (destaque para a primeira aparição de Lisbeth, bastante teatral, e para a bela animação de abertura), mas falta ao novo longa toda a tensão e sensualidade que faziam vibrar o anterior. Quem comanda a nova versão é Fede Alvarez, de “O Homem Nas Trevas”.

O roteiro também perde força sem a visão de Larsson, que criara com sua trilogia um conjunto de personagens complexos, movidos por traumas quase inenarráveis e violências terrivelmente gráficas. Pensando nas histórias anteriores, “A Garota Na Teia de Aranha” até parece inocente, livre de crueldades e ambiguidades – falta-lhe o perigo, o suspense e também os pequenos detalhes que se espalhavam por cada página para formar uma verdadeira teia de segredos. Aqui, é tudo muito nítido e não há surpresas (o roteiro é de Alvarez, Steven Knight e Jay Basu, baseado no livro de Lagercrantz).

Para compensar, o filme aposta na ação bem feita e no ritmo frenético, que empolgam e fazem do longa uma experiência divertida. Não será uma sessão particularmente memorável, mas talvez seja interessante o suficiente para embalar sua sexta-feira à noite. Vale, pelo menos, pelo talento infinito de Foy.

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