Robin Hood – A Origem: mais um remake sem nada a acrescentar

Mais um ano, mais um remake ambicioso com o subtítulo “a origem” chega aos cinemas. Desta vez, é o justiceiro Robin Hood que ganha sua enésima rodada nas telas, agora com o rostinho bonito de Taron Egerton, uma coleção de roupas inexplicavelmente modernas e o festival de pirotecnia e efeitos visuais que se espera de qualquer superprodução de respeito.

Sem tempo de ler? Ouça a crítica:

Robin Hood – A Origem” é a primeira incursão do diretor de TV Otto Bathurst (“Peaky Blinders”, “Black Mirror”) nos cinemas e o roteiro é assinado pelos também estreantes Ben Chandler e David James Kelly. A falta de experiência talvez explique a confusão de cenas desconexas que se enfileiram na tela com estética impecável e lógica discutível, mas a insistência de Hollywood em repetir os mesmos erros todos os anos, lançando remakes, reboots e sequências que ninguém quer ver, é que está cada vez mais difícil de justificar.

O novo Robin Hood, como o título sugere, mostra o personagem antes de se tornar um fora-da-lei. Nobre, Robin de Loxley se apaixona pela ladra Marian (Eve Hewson, numa inversão que poderia ser interessante se ao menos rendesse mais do que uma cena bonitinha de romance), é enviado para lutar nas Cruzadas e volta para descobrir que teve todos os seus bens confiscados. Então, acompanhado de um árabe que conhecera na guerra (Jamie Foxx), ele começa a roubar os impostos arrecadados pelo Xerife de Nottingham (Ben Mendelsohn), espalha o dinheiro pela cidade e se transforma em Robin Hood.

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Este Robin parece muito mais movido pela aventura e pelo poder de persuasão de seu novo amigo do que por suas próprias convicções socialistas. Destas, Marian tem muito mais, mas ela também não parece saber direito o que fazer com tanta ideologia. Pois o filme não quer se demorar em discussões políticas, apesar de querer claramente colocá-las ali. Hood, afinal, é um herói que representa a distribuição de renda e a luta de classes, apesar de também personificar o privilégio, e sempre pega bem falar mal dos “marajás”.

Mas talvez o público não queira discutir política tão a fundo numa sexta-feira à noite. Injustiças, guerras fabricadas, líderes corruptos, tudo precisa estar lá como pano de fundo, mas não deve jamais tomar o tempo do romance inabalável, das demonstrações de coragem e destreza do herói, do pequeno show de vilania do xerife e do cardeal.

Pois o filme sabe bem quais são suas prioridades: cenas bonitas, ação desenfreada, fogos e perseguições. Arquétipos bem claros e desenhados para encher os olhos sem pesar na cabeça: o vilão histérico, a bela moça, o coadjuvante engraçadinho, o mentor rigoroso, o herói infantil. Mas sua tentativa de trazer “algo a mais” – necessário em qualquer remake – acaba brigando com essa estrutura simplista. Suas críticas sociais não conversam tão bem com seu maniqueísmo, seus diálogos chapados não deixam espaço para desenvolvimento de personagem e esses pulam, correm e jogam moedas feito confete sem saber direito por que fazem isso.

O resultado não é nem mesmo divertido. Eu, pessoalmente, me vi distraída em pelo menos uma sequência de ação e me senti incomodada com a falta de cuidado com os detalhes: ora, como um homem árabe com marcas de guerra no rosto como o personagem de Jamie Foxx poderia andar pela cidade britânica e pelos ambientes da nobreza sem sequer ser notado? E quantas vezes Egerton terá que deixar o pano que cobre seu rosto escorregar até que sua identidade seja descoberta? E, sinceramente, como não desconfiar de alguém que perdeu todas as suas riquezas, foi dado como morto e reaparece de repente esbanjando como um rei? Façam-me o favor…

O filme também traz no elenco Jamie Dornan, no papel de um líder popular que poderia fazer um contraponto mais realista e interessante ao justiceiro, mas que nunca realmente mostra a que veio. Sua única função parece ser a de rival do herói (em todos os sentidos, especialmente na disputa pela única mulher da história). Repito: a única mulher da história.

Robin Hood – A Origem” chega aos cinemas no dia 29 de novembro.

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