Tinta Bruta: vencedor do Teddy Awards usa delicadeza e poesia para falar de repressão

Pedro não gosta de lugares públicos. Apesar disso, todas as quintas-feiras ele liga sua webcam e dança nu, banhando-se em tinta neon e tocando seu corpo colorido para uma plateia fiel e pagante. O vencedor do Festival do Rio e do Teddy Awards (troféu voltado para filmes queer no Festival de Berlim), “Tinta Bruta”, finalmente chega aos cinemas brasileiros no dia 6 de dezembro trazendo essa história melancólica e quase trágica para brilhar na tela. Isso, se o público estiver pronto para ela.

“Tinta Bruta”, apesar do título, encontra na delicadeza a sua linguagem e nem mesmo seus frequentes nus frontais ou sua abordagem franca de temas como prostituição e violência poderiam fazer dele um filme agressivo. Essa violência, tão familiar a seus protagonistas gays, lésbicas, negros ou plus size, aparece como um ímã invisível que os puxa constantemente para dentro de suas conchas, mais como um inconveniente obstáculo do que como a força que dita todos os seus movimentos.

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