Homem-Aranha no Aranhaverso: seis aranhas para a nova geração

Depois de anos de super-heróis amadurecidos, sombrios, metidos em guerras mundiais, grandes dilemas morais ou na subversão tão pós-moderna dos conceitos de bem e mal, a animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” chega aos cinemas bem menos pretensiosa, devolvendo o gênero às crianças e lembrando aos adultos que toda aventura começa tão pequena quanto uma picada de aranha num garoto inseguro.

Não que o filme, que será lançado pela Sony em janeiro de 2019, seja simples. Inspirado tanto nos quadrinhos quanto nos videogames, “Aranhaverso” traz um visual psicodélico arriscado e interessantíssimo, que mescla elementos em 2D com um ambiente 3D e abusa de todas as liberdades de forma e cor que a técnica permite.

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No centro, temos não Peter Parker, mas Miles Morales – o personagem criado em 2011 como um sucessor de Parker e explorado recentemente no jogo do Homem-Aranha para PS4. Ele é um adolescente negro e hispânico que vive em Nova York, onde já existe um Homem-Aranha em ativa (mas não por muito tempo). A jornada começa quando Miles muda de escola e recebe uma lição de casa que o obrigará a repensar sua identidade e suas expectativas e, no processo, cruzar o caminho de sua própria aranha radioativa.

O título, porém, já avisa que o jovem do Brooklyn terá companhia. Após uma explosão envolvendo um experimento do Rei do Crime, outros cinco Aranhas são transportados para sua dimensão e precisam se unir a ele para voltar para casa. O primeiro é o próprio Peter Parker – numa versão mais velha, desiludida e divorciada. Depois, conhecemos Spider Gwen (baterista, bailarina e heroína nas horas vagas); o Homem-Aranha Noir (que vive num mundo em preto e branco, combatendo espiões soviéticos); uma garotinha de estilo mangá com um robô-Aranha (fofa e futurista, com habilidades tecnológicas); e o favorito dos fãs com um senso de humor, Porco-Aranha (um porquinho com jeito de Looney Tunes, bigorna e tudo).

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Apesar da superpopulação de heróis, é a trajetória de Miles que acompanhamos o tempo todo e a presença dos outros serve mais para ajudá-lo e ensiná-lo (e para render infinitas piadas e referências que os fãs mais velhos vão amar) do que para explorar toda a complexidade de um multiverso. Sua lição, diferente da de Parker, não é a de usar seus poderes com responsabilidade, mas sim de aprender a confiar em si mesmo. Uma lição mais condizente com os tempos e que faz todo o sentido para o personagem.

Pois Miles é realmente um novo Homem-Aranha para um novo público. Enquanto Parker continua sendo referência por sua inteligência científica e curiosidade jornalística, é esse garoto inexperiente, com uma sensibilidade para as artes e uma ligação muito forte com a família, que precisa de vez em quando da ajuda dos amigos e que está disposto a admitir seus medos e vencê-los, que vai dialogar mais de perto com uma geração que valoriza as diferenças e que reconhece as próprias inseguranças mais do que qualquer outra. E, é claro, Miles se revela um super-herói totalmente badass, depois de um pouco de treino e um salto de fé.

Homem-Aranha no Aranhaverso” estreia nos cinemas no dia 10 de janeiro e tem tudo para ser o filme das férias. Ele vai brigar de perto com Aquaman e WiFi Ralph, mas facilmente terá uma vida mais longa nos canais de streaming e TV a cabo – e já é certo que ganhará sequências e spin-offs. Miles Morales e Spider Gwen, pode anotar, estarão por todos os lados em 2019.

(Já pode preparar o cosplay.)

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