Sem internet

Eram umas onze horas quando apertei o play para assistir ao novo queridinho da Netflix, Malcolm e Marie. Estava oscilando entre começar a rascunhar uns parágrafos para a dissertação ou preparar alguns posts para as redes do Caderno e decidi que um filme assim no meio do dia era uma boa terceira opção: repertório nunca é demais, não é mesmo? Mas ando desconfiando de que o destino gosta de me repreender, e nem me espantei quando a página não carregou. Esperei alguns minutos, tentei de novo. Nope. Da sala, o Gabriel gritou: “Você também está sem internet?”. Ora ora, pelo jeito estou.

Entenda que ficar sem internet para ele tende a ser muito mais grave do que para mim, hoje em dia: sua vida agora é feita de reuniões (online, é claro, estamos ambos lá no final da fila de vacinação) e, naquela hora em particular, ele tentava exportar um arquivo. Um arquivo grande, pesado, que precisaria não apenas de uma conexão, mas de uma bela conexão. Não tínhamos, evidentemente, nenhuma das duas.

O que tínhamos eram dois celulares com uma rede 4G, o que ajudou temporariamente com as reuniões. Não com a Netflix, nem com o arquivo enorme, mas era um começo. A falta de wi-fi acabou antecipando o almoço, pois o ócio combina com fome: macarrão para mim; arroz e feijão para ele, restos de ontem e de antes de ontem. Ainda sem internet. Fui cuidar das plantas, ele foi lavar a louça. Limpei cada folhinha com esmero.

Curtimos o silêncio em surpreendente tranquilidade por um minuto ou dois. Então, ouvi uma voz eletrônica indicar diferentes números para infinitos ramais e soube que um de nós tinha se dado por satisfeito com sua dose de desconexão. A ligação estava no viva-voz – pois é o que se faz quando se liga para uma operadora de internet. Não se pode cair na armadilha de lhe dedicar atenção total, e Gabriel escolheu dividir a sua com um programa de esportes na televisão. 

Fez bem. Quando a melodia genérica já tinha se incorporado ao ambiente e nenhum de nós lembrava que ela vinha de uma ligação, um atendente apareceu e informou que estávamos pagando o dobro do necessário por um plano ruim (o que acontece todo ano, pois a tal operadora nunca atualiza os planos). Sobre a internet, não soube dizer. Talvez resolvessem até as 15h, mas já aprendemos pela última queda que isso era apenas um número, não uma previsão. Olhei para o computador aceitando a derrota: hoje seria um dia de Word. Dia de escrever off-line, sem distrações.

Correção: sem muitas distrações.

Bem, talvez algumas distrações.

Olha, eu tinha um celular com 4G e não ia ignorar as notificações justo no dia em que publicamos nosso primeiro podcast, OK?

Agora são seis da tarde e a internet voltou razoavelmente perto do horário combinado. Quando isso aconteceu, quase me decepcionei: estava no meio deste texto e parei imediatamente para resolver certas coisas que, se eu não fizesse na hora, provavelmente iria esquecer. Adeus, embalo. Mas me forcei a voltar e terminar, e aqui estamos nós: nada de dissertação, mas com uma crônica nova. De onde eu vejo, é um empate: menos do que eu deveria produzir, mas muito mais do que eu realmente esperava. Está bom para uma segunda-feira, vocês não acham?

3 comentários em “Sem internet

    1. Pois é! Eu até me achava bastante analógica (anoto à mão e preciso de uma agenda de papel, senão tudo vira um caos), mas nesse dia descobri que até os livros que eu pretendia estudar durante a queda da internet estavam no Drive! Lição aprendida, salvei tudo num HD pra me garantir.
      Assisti Malcolm & Marie hoje, achei bem interessante! Acho que DRs estão na moda… vai entender.
      Espero que curta o podcast! É longo, eu sei, mas é legal…rs

      Curtido por 1 pessoa

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