Liberdade é um caminho sem volta

Primeiro foram os sutiãs. Bati o olho num modelito sem aro, sem bojo, sem quase nada, e foi amor à primeira vista… Pensei nas pontadas que já tinha levado quando o ferro se desprendera do pano, pensei no formato estranho que meus seios ganhavam quando os obrigava a se encaixar num semicírculo perfeito, pensei no tamanho irreal e na posição eternamente imóvel que ganhavam quando vestia as peças mais desconfortáveis da indumentária humana… E saquei a carteira.

Não demorou para que eu revisse, também, meus conceitos sobre tênis. E mochilas – ah, mochilas! Nunca gostei delas nos tempos de escola, hoje tenho uma melhor amiga: molinha, cheia de bolsos, pau para toda obra. Sabe aquela? Você já teve uma assim. Lembre-se dela com carinho.

Pois a elegância que me perdoe, mas tenho coisas demais a carregar na vida – como um corpo que já não se quer acomodar sobre calçados rasteiros… E já não se pode contentar com qualquer coisa que não seja a liberdade, com qualquer coisa que não seja o meu tempo, o meu lugar, o meu jeito, o céu inteiro.

A liberdade é um caminho sem volta, você vê…

Uma vez percorrido, é difícil olhar para trás para as caixas lacradas de onde se veio, sem ver o quão pequenas elas são. O quão insignificantes e tolas elas são.

A liberdade é mesmo um caminho sem volta, que faz você ver.

Versos livres

Tenho colocado poucas palavras no papel. Meus pontos finais andam cada vez mais raros e já não sei o que dizer para a tela em branco, o caderno de bolso ou a parede preta pintada de tinta-lousa. Passei os últimos meses procurando sem sucesso pelo texto que se desmanchava entre sonhos dormidos e acordados, mas talvez procurasse, sem saber, pelos pedaços que se perderam de mim.

Esbarrei em interrogações, parênteses e reticências nos lugares onde esperava encontrar um ponto redondo e definitivo. Sem saber o que fazer com tão indecisas conclusões, minha caneta hesitou, pigarreou e engasgou. Hoje chacoalho esse tufo de insegurança para dentro do texto e fora de mim.

Talvez minhas palavras quisessem dizer, pelo silêncio, que se sentiam trancadas numa caixinha sem janelas. Que os lugares aonde as levei não lhes saciava a fome por sentimento e verdade. Pois escrever é um ofício sincero – pessoal demais para caber nas expectativas do mundo e inquieto demais para caber numa jornada diária de oito horas mais almoço com uma ou duas pausas para o café de máquina.

Escrever não cabe em nenhum lugar que não seja dentro do escritor. E, dentro de mim, há caos.

E poesia.

Dentro de mim há versos livres e frases inacabadas.

Rapidinhas (11 a 17 de dezembro)

Bom dia, pessoal!

Fim de ano é uma época de poucas notícias e muitas retrospectivas, muitas estreias e poucas novidades. No Rapidinhas de hoje, vamos preparar o coração para os primeiros selecionados ao Oscar 2019, repensar alguns conceitos na eterna briga do cinema contra a Netflix e chorar junto com os produtores do que pode se tornar o maior fracasso de bilheterias do ano! Aproveite para conhecer alguns filmes que vêm por aí e entre em 2019 bem informado. Continuar lendo “Rapidinhas (11 a 17 de dezembro)”

Quando é preciso desconectar

Longe de mim ser a pessoa que vai dizer que os tempos eram melhores antes da internet. Vivo e respiro nela desde muito cedo e, introvertida que sou, sempre encontrei na rede uma forma mais fácil de conviver do que nas esquinas exaustivas da vida real. Tampouco sou dependente dela, diga-se de passagem: quando ocupada, quase sempre deixo o celular de lado e não me importo em checar notificações até que esteja no caminho de casa – e, se a bateria acaba, dou de ombros sem nenhum trauma. Sério, vocês deviam experimentar.

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Rapidinhas

A semana no cinema | de 03/12 a 10/12

Olá, pessoal! 

A partir de hoje, o Caderno J terá, toda semana, um resuminho com as principais notícias de cinema (e um pouco de séries também)  – dos trailers mais comentados até as polêmicas mais obscuras. Divirtam-se!

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Meus favoritos de 2018

Chamem-me de piegas, mas sou daquelas pessoas que aproveitam o período entre dezembro e janeiro para fazer o “balanço” do ano que passou e anotar os projetos, metas e tendências para o ano que vem. Retrospectivas são comigo mesmo e talvez esta seja a única época em que eu realmente vejo sentido em fazer listas. Então, antes de olhar para 2019 com olhos curiosos, quero compartilhar com vocês um pouco do que eu vi, li e descobri em 2018. Vamos?

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Homem-Aranha no Aranhaverso: seis aranhas para a nova geração

Depois de anos de super-heróis amadurecidos, sombrios, metidos em guerras mundiais, grandes dilemas morais ou na subversão tão pós-moderna dos conceitos de bem e mal, a animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” chega aos cinemas bem menos pretensiosa, devolvendo o gênero às crianças e lembrando aos adultos que toda aventura começa tão pequena quanto uma picada de aranha num garoto inseguro.

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Tinta Bruta: vencedor do Teddy Awards usa delicadeza e poesia para falar de repressão

Pedro não gosta de lugares públicos. Apesar disso, todas as quintas-feiras ele liga sua webcam e dança nu, banhando-se em tinta neon e tocando seu corpo colorido para uma plateia fiel e pagante. O vencedor do Festival do Rio e do Teddy Awards (troféu voltado para filmes queer no Festival de Berlim), “Tinta Bruta”, finalmente chega aos cinemas brasileiros no dia 6 de dezembro trazendo essa história melancólica e quase trágica para brilhar na tela. Isso, se o público estiver pronto para ela. Continuar lendo “Tinta Bruta: vencedor do Teddy Awards usa delicadeza e poesia para falar de repressão”

Azul, com traços vermelhos

A questão me apresentava quatro alternativas e, em cada uma delas, duas palavras ambíguas. Você é distante e reservada? Ou cuidadosa e atenciosa? Influente e criativa ou firme e assertiva? Azul, verde, amarela ou vermelha? Vamos, escolha. Conte-nos quem você é. Continuar lendo “Azul, com traços vermelhos”

Robin Hood – A Origem: mais um remake sem nada a acrescentar

Mais um ano, mais um remake ambicioso com o subtítulo “a origem” chega aos cinemas. Desta vez, é o justiceiro Robin Hood que ganha sua enésima rodada nas telas, agora com o rostinho bonito de Taron Egerton, uma coleção de roupas inexplicavelmente modernas e o festival de pirotecnia e efeitos visuais que se espera de qualquer superprodução de respeito. Continuar lendo “Robin Hood – A Origem: mais um remake sem nada a acrescentar”