Lançamentos de filmes e séries em agosto

É hora de dar adeus às férias e dar as boas-vindas ao segundo semestre, com um cardápio já bastante extenso de plataformas de streaming (cortesia de um ano e meio de isolamento geral) concorrendo com o retorno progressivo aos cinemas – de preferência com vacina, máscara e certo distanciamento (melhor deixar a pipoca para daqui a alguns meses).

Nesse mês, as opções estão especialmente variadas. De um lado, a nostalgia corre solta com lançamentos como as quatro temporadas de “A família dinossauro”, no Disney Plus; o polêmico e totalmente falso documentário “As faces da morte”, no Belas Artes à la Carte; e todos os filmes da saga “Crepúsculo”, no Starzplay. Do outro, o cinema traz as maiores novidades: um mix de nacionalidades e sabores no filme-família “Abe”; uma aventura de ficção científica ambiciosa em “Caminhos da memória”, com Hugh Jackman; e um drama feminista árabe (dirigido pela primeira cineasta saudita do mundo) em “A candidata perfeita”. E, entre o antigo e o novo, está a nova versão de “O Esquadrão Suicida”, com Margot Robbie reprisando o papel de Arlequina.


Sesc Digital

5 de agosto
As invasões bárbaras
Em pedaços
Fevereiros

“O encouraçado Potemkin”, de Sergei Eisenstein, é um marco na história do cinema por seu uso da montagem na narrativa de uma rebelião de marinheiros às margens da cidade de Odessa

9 de agosto
[CINECLUBINHO]
– Experimenta – A ciência das crianças
– O ninho do corvo
– Emoticones – A felicidade de Karen
– O trompetista
– Astronauta
– Bebê a caminho

12 de agosto
O encouraçado Potemkin
Rockfield – A fazenda do rock
Dê lembrança a todos


Disney Plus

4 de agosto
Pane Elétrica: curtas originais [SÉRIE – Temporada 2]
Me Encontra em Paris [SÉRIE – Temporadas 1 e 2]
Posso Explicar [SÉRIE – Temporada 1]
Muppet Babies: Hora do Show
Star Wars: Forças do Destino (Curta-metragem) [Temporada 2]
Vampirina Canta Com as Monstrinhas! (Curta-metragem) [Temporada 2]
Lendas da Marvel [SÉRIE – Episódios 10, 11 e 12]

A nova série da Marvel para o Disney Plus será a animação “What If…?”, que coloca os personagens da marca em papéis inesperados

6 de agosto
​​Most Wanted Sharks [DOCUMENTÁRIO]
Sharkcano  [DOCUMENTÁRIO]
What the Shark?  [DOCUMENTÁRIO]
Secrets of the Bull Shark  [DOCUMENTÁRIO]
Meu Nome É Greta [DOCUMENTÁRIO]

11 de agosto
What if…? [SÉRIE]
Operação Big Hero – A Série [SÉRIE – Temporada 3]
Bizaardvark [SÉRIE – Temporadas 1 a 3]

13 de agosto
Star Wars Vintage: A História do Wookie Que Acredita
Star Wars Vintage: Caravana da Coragem
Star Wars Vintage: Ewoks: A Batalha de Endor
A Vida de Cesar Millan [DOCUMENTÁRIO]

Dino, Baby e toda a família Silva Sauro chegam ao streaming neste mês, para matar as saudades dos anos 90

18 de agosto
O mundo dos animais [SÉRIE]
Diário de uma futura presidente [SÉRIE – Temporada 2]
Família Dinossauro [SÉRIE – Temporadas 1 a 4]
Nat Geo Lab [SÉRIE – Temporadas 1 e 2]

20 de agosto
Quando em Roma
Topa em Junior Express: A qual estação vamos?

25 de agosto
Viúva Negra
Disney Gallery / Star Wars: The Mandalorian [SÉRIE – Temporada 2]
Andi Mack [SÉRIE – Temporada 3]
Star Wars Vintage: Droids [SÉRIE – Temporadas 1 e 2]
Truques da Mente [SÉRIE – Temporadas 7 e 8]
A Lenda dos Três Caballeros [SÉRIE]

27 de agosto
Chris Hemsworth: Investigando Tubarões [DOCUMENTÁRIO]


Netflix

1 de agosto
Chico: Artista brasileiro
Star Trek
Masha e o Urso [SÉRIE – Temporada 4]
Show Dogs: O Agente Canino
Darwin’s Game

Sandrah Oh estrela a série “The Chair”, sobre uma mulher que se torna a primeira não-caucasiana a assumir a direção de uma universidade

2 de agosto
Como hackear seu chefe

3 de agosto
Top Secret: OVNIs
Pray Away
Shiny Flakes: drogas online

4 de agosto
Control Z [SÉRIE – Temporada 2]
Cozinhando com Paris Hilton [SÉRIE]
1976: Entre o amor e a revolução
Pompeia
Jobs
Cocaine Cowboys: the kings of Miami

6 de agosto
Hit & run [SÉRIE]
As nove emoções [SÉRIE]
A jornada de Vivo
A nuvem
Duas rainhas

Tathi Lopes e Larissa Manoela interpretam melhores amigas que decidem viajar juntas para fora do país na comédia nacional “Diários de intercâmbio”

8 de agosto
Chorão: Marginal Alado
Hotel Transilvânia 3 – Férias Monstruosas

9 de agosto
Shaman king

10 de agosto
O Souvenir
Untold: Briga na NBA
A Casa Mágica da Gabby [SÉRIE – Temporada 2]

11 de agosto
A barraca do beijo 3

12 de agosto
AlRawabi School For Girls [SÉRIE]
Lokillo: o novo normal
Monster Hunter: Legends of the Guild

13 de agosto
Valéria [SÉRIE – Temporada 2]
Desaparecido para sempre [SÉRIE]
Vosso Reino [SÉRIE]
Beckett
Velozes & Furiosos: espiões do asfalto

O terceiro filme da bem-sucedida franquia “A Barraca do Beijo” estreia em agosto na Netflix

15 de agosto
O Clube das Winx [SÉRIE – Temporada 7]
Bunny Girl Senpai [SÉRIE – Temporada 1]

17 de agosto
Untold: Pacto com o diabo
Go! Go! Cory Carson [SÉRIE – Temporada 5]

18 de agosto
Demais pra mim
Diários de intercâmbio

20 de agosto
The Chair [SÉRIE]
Todo va a estar bien [SÉRIE]
Justiça em família
The Loud House: O Filme

22 de agosto
Bravura Indômita

23 de agosto
The Witcher: Lenda do Lobo

24 de agosto
Untold: Caitlyn Jenner
Bebê Oggy

Com Tanner Buchanan, de “Cobra Kai”, a comédia romântica “Ele é demais” inverte a premissa do clássico teen “Ela é demais”, mostrando um garoto pouco popular que é transformado no “rei da formatura” por uma influencer digital

25 de agosto
Clickbait [SÉRIE]
Post mortem: ninguém morre em Skarnes [SÉRIE]
A Saída [SÉRIE]
João de Deus – Cura e crime

26 de agosto
Reunião de Família [SÉRIE – Parte 4]
EDENS ZERO

27 de agosto
Tiltletown High [SÉRIE]
Ele é demais
O quinto set
Ride on time [SÉRIE – Temporada 3]
Eu ♡ Arlo

31 de agosto
A magia do dia-a-dia com Marie Kondo [SÉRIE]
Good Girls [SÉRIE – Temporada 4]
John DeLorean: visionário ou vigarista?
Untold: Crime e infrações


Belas Artes à la Carte

5 de agosto
O poder de um jovem
Samy e eu
Os sapatinhos vermelhos
A coletora de impostos
Soledade, a bagaceira

Cultuado nos anos 80 por ter sido “banido em 46 países”, “Faces da Morte” reúne imagens chocantes de mortes, acidentes e mutilações – e enganou muita gente por décadas, vendendo a ideia de que tudo ali era real.

12 de agosto
As faces da morte
O pássaro com plumas de cristal
O chicote e o corpo
Repulsa ao sexo
Fábio Leão – entre o crime e o ringue

19 de agosto
Cobb, a lenda
Duas ou três coisas que eu sei delas
A arte da felicidade
O processo do desejo
Muda Brasil

26 de agosto
O lado bom da vida
Fonte da vida
O destino bate à sua porta
Esse mundo é dos loucos
Os senhores da terra

O cinema paraibano é tema de mostra especial no Belas Artes à la Carte em agosto. Na foto, “Seu amor de volta”, de Bertrand Lira

Mostra “O novíssimo cinema da Paraíba” *Gratuito para assinantes e não-assinantes
5 a 18 de agosto
A república das selvas
Sol alegria
Ambiente familiar
Beiço de estrada
Jackson – Na batida do Pandeiro
Rebento
Seu amor de volta (mesmo que ele não queira)
+ Curtas e debates – informações aqui

Mostra Ecofalante de Cinema *Gratuito para assinantes e não-assinantes
11 de agosto a 14 de setembro
Programação completa aqui

Cine Clube Italiano *Gratuito para assinantes e não-assinantes
27 de agosto
Gangue de ladras


Telecine

2 de agosto
Agentes Vanguard
Dança fatal

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2021, o dinamarquês “Druk – mais uma rodada” discute os benefícios e malefícios do álcool com ousadia

3 de agosto
Aliens roubaram meu corpo

5 de agosto
Druk – mais uma rodada

6 de agosto
Sozinha

7 de agosto
Milagre na cela 7

10 de agosto
Missão cupido

12 de agosto
Dias melhores

Representante de Hong Kong no Oscar 2021, “Dias Melhores” acompanha uma jovem que tenta se concentrar em seus exames escolares e planejar para o futuro, enquanto lida com bullying e problemas familiares

13 de agosto
Você deveria ter partido

14 de agosto
Synchronic

15 de agosto
L.O.C.A.

16 de agosto
Por um corredor escuro

17 de agosto
Amigas de sorte

18 de agosto
Jiu-Jitsu

19 de agosto
Quo Vadis, Aida?

Também indicado ao Oscar, “Quo Vadis, Aida?” mostra os horrores da Guerra da Bósnia pela perspectiva de uma tradutora da ONU

21 de agosto
The Box – No ritmo do coração

23 de agosto
A nossa canção de amor

27 de agosto
Willy’s Wonderland: Parque maldito

28 de agosto
Não olhe

29 de agosto
Pânico nas alturas


Amazon Prime Video

6 de agosto
Cruel Summer [SÉRIE – Temporada 1]
Val

A nova série “Nove estranhos” (“Nine perfect strangers”) acompanha nove pessoas que se hospedam num resort de luxo sob a promessa de cura e bem-estar, mas encontram algo bem diferente do que esperavam

13 de agosto
Modern Love [SÉRIE – Temporada 2]
Evangelion: 3.0+1.01 Thrice upon a time
Evangelion: 1.11 Você (não) está só
Evangelion: 2.22 Você (não) pode avançar
Evangelion: 3.33 You can (not) redo

15 de agosto
Angry Birds 2 – O Filme

20 de agosto
Nove desconhecidos [SÉRIE – Temporada 1]
Isolados: medo invisível
Safer at home

27 de agosto
Kevin can f*** himself [SÉRIE – Temporada 1]

29 de agosto
Mr. Robot: sociedade hacker [SÉRIE – Temporada 4]


Reserva Imovision

5 de agosto
A balsa

6 de agosto – Documentários
Mais que mel
Lumière: A aventura começa
Jean-Michel Basquiat: a criança radiante
Bergman: 100 anos

Quatro filmes da cineasta francesa Claire Denis entram para o catálogo do Reserva, incluindo o drama “Nenette e Boni”, sobre irmãos que vão viver juntos temporariamente

12 de agosto
Me leve para algum lugar legal

13 de agosto – Coleção Claire Denis
O intruso
Nenette e Boni
Chocolate
Bastardos

19 de agosto
Jumpman

20 de agosto – O primeiro filme de sucesso
Amor à primeira briga
Sem deus
Lucky

26 de agosto
O rio

27 de agosto – Filmes LGBTQIA+
O confeiteiro
Conquistar, amar e viver intensamente
O círculo


Cinema Virtual

5 de agosto
Uma mulher contra um país
Tocados pelo sol

O cineasta alemão Rainer Werner Fassbinder é o foco do documentário “Fassbinder: ascensão e queda de um gênio”, em cartaz a partir de 26 de agosto no Cinema Virtual

12 de agosto
Apenas nós
No fio da navalha

19 de agosto
A vida sem você
100 Dias de resistência

26 de agosto
Fassbinder: ascensão e queda de um gênio
O lado engraçado da vida


Looke (Vídeo Club)

4 de agosto
O doador de memórias
Renascida das trevas
A lei do mais valente

Baseado em graphic novel francesa, “O expresso do amanhã” mostra uma rebelião dentro de um trem cujos vagões simulam classes sociais, num futuro distópico e gelado

11 de agosto
O terremoto de Spitak
Expresso do amanhã

18 de agosto
O prisioneiro

25 de agosto
O garoto do leito 6
Sem perdão


Paramount Plus

1 de agosto
Goosebumps: monstros e arrepios

11 de agosto
Infinite

18 de agosto
Behind the music [SÉRIE DOCUMENTAL]


Starzplay

1 de agosto
Jumanji: Bem-vindo à selva
Adrenalina

3 de agosto
La La Land

A saga “Crepúsculo”, inspirada nos livros de Stephenie Meyer, chega completa ao Starzplay no mesmo dia: 15 de agosto

15 de agosto
Heels [SÉRIE]
Crepúsculo
A Saga Crepúsculo: Lua Nova
A Saga Crepúsculo: Eclipse
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1
A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2


Cinemas

5 de agosto
O diabo branco
Abe
O esquadrão suicida
Mangueira em 2 tempos
Doutor Gama
Piedade
Que mal eu fiz a Deus? 2

“Abe”, com Noah Schnapp (“Stranger Things”) e Seu Jorge, tem direção brasileira e conta a deliciosa história de um adolescente de família meio-palestina, meio-israelense, que vive em Nova York e ama cozinhar

12 de agosto
Jogo do Poder
O Poderoso Chefinho 2: Negócios da Família
Ema
O labirinto
Cavalo
O homem nas trevas 2
O empregado e o patrão
Luana Muniz – filha da lua
Ela e eu
Dois + Dois
Águas selvagens
Shadow

Escrito e dirigido pela co-criadora de “Westworld”, Lisa Joy, “Caminhos da Memória” traz Hugh Jackman como um investigador que usa uma tecnologia futurista para mergulhar em memórias e descobrir o que se esconde no passado

19 de agosto
Caminhos da memória
Nunca mais nevará
Free Guy – assumindo o controle
Eternos companheiros
Uma noite de crime – a fronteira
Heróis do fogo
G.I. Joe Origens – Snake Eyes

Em “A candidata perfeita”, uma médica saudita se candidata a um cargo político na Secretaria Municipal para melhorar as condições de trabalho para si e seus colegas

26 de agosto
Infiltrado
Lamento
Eternos companheiros
A candidata perfeita
Homem onça
Edifício Gagarine
Pedro Coelho 2 – O fugitivo
Intervenção
A lenda de Candyman
Escape Room 2 – tensão máxima
A candidata perfeita

Rádio Jota #02 – Jeff Bezos no espaço, churrasquinho de Borba Gato e mulheres nas Olimpíadas

No programa de hoje, comento três notícias culturais cheias de polêmica: a (curtíssima) viagem de Jeff Bezos ao espaço, parte de uma corrida espacial dos bilionários; o ataque à estátua do bandeirante Borba Gato em São Paulo, e a tendência de derrubada de estátuas ligadas à escravidão e ao colonialismo pelo mundo; e as dificuldades enfrentadas por atletas mulheres nas Olimpíadas de Tóquio, no que diz respeito a regras antiquadas de vestuário e à total falta de compreensão sobre as necessidades de lactantes e puérperas. Para não perder o costume, também indico um filme bem diferente para ampliar seus horizontes: o sci-fi angolano “Ar condicionado”, em cartaz na plataforma Mubi.

Gostou? Quer participar ou sugerir assuntos? Entre em contato:

E-mail: cadernojota@gmail.com

Instagram: @julianavarella 

Estreias do fim de semana (23 – 25/07)

O fim de semana está entre nós e, com ele, a chance de assistir um filminho com pipoca no sofá ou, se você já estiver vacinado, na poltrona do cinema. Confira alguns destaques entre as estreias nas mais diversas plataformas:

SWEAT | Mubi

A cultura digital dos influenciadores é examinada de perto no longa “Sweat”, do sueco Magnus Von Horn, estreia da semana na Mubi. O filme acompanha uma blogueira fitness que vive o auge do sucesso online, mas, ao mesmo tempo, sofre com a carência de contato humano verdadeiro, enquanto precisa lidar com um fã obcecado.

CÉU VERMELHO-SANGUE | Netflix

Quando um grupo de terroristas decide sequestrar um avião, no thriller “Céu vermelho-sangue”, da Netflix, eles certamente não esperavam que uma das passageiras fosse, secretamente, uma vampira, que agora está determinada a proteger seu filho e chegar ao seu destino, custe quanto sangue custar.

EM UM BAIRRO DE NOVA YORK | HBO Max

A versão cinematográfica do musical da Broadway “Em um bairro de Nova York” chega ao catálogo da HBO Max, com a trilha composta por Lin-Manuel Miranda. O filme mostra uma comunidade latina dentro da agitada metrópole estadunidense. Lá, o dono de uma bodega economiza cada centavo enquanto sonha com uma vida melhor.

RASHOMON | Belas Artes à la Carte

O clássico de Akira Kurosawa “Rashomon” é o grande destaque do Belas Artes à la Carte. O filme de 1950 conta a história de um mesmo crime a partir de quatro pontos de vista: o de um bandido, uma noiva, um fantasma e um lenhador. Vencedor do Leão de Ouro e indicado ao Oscar pela Direção de Arte

SABOR DA VIDA | Filme Filme

Já a plataforma Filme Filme traz para o catálogo o romance Sabor da Vida, da diretora japonesa Naomi Kawase. O filme acompanha o dono de uma loja de dorayakis – bolinhos japoneses recheados de pasta de feijão – que contrata uma senhora para ajudá-lo, depois de provar seus deliciosos bolinhos. Com a atriz Kirin Kiki, de “Assunto de Família”.


A SOMBRA DO PAI | Sesc Digital

Representante do novo terror brasileiro, “A Sombra do Pai” estreia gratuitamente no site do Sesc, como parte do projeto Cinema Em Casa. O filme é o segundo da diretora Gabriela Amaral Almeida, de “O Animal Cordial”, e conta a história de um pai e uma filha de 9 anos que se tornam distantes após a morte da mãe. Aos poucos, o pai vai se tornando mais ausente e mais ameaçador, enquanto a menina começa a acreditar que pode trazer a mãe de volta à vida.

UM LUGAR SILENCIOSO: PARTE II | Cinemas

Emily Blunt retorna aos cinemas para a segunda parte de “Um lugar silencioso”. No novo filme, sua personagem parte com os três filhos para desbravar o que restou do mundo fora de seu refúgio e encontrar outros sobreviventes. Agora que ela conhece o ponto fraco das criaturas que caçam pelo som, a humanidade pode ter uma chance.

Gostou? Veja a lista completa de lançamentos de julho aqui.

10 Filmes sobre cozinheiros

Se a cozinha é o seu lugar favorito da casa, seus amigos estão sempre se convidando para jantar, e você até andou aproveitando o isolamento para aprender novas receitas, prepare-se para se deliciar com esta lista:


First Cow

O sucesso indie “First Cow”, dirigido por Kelly Reichardt, já está no catálogo do Mubi com um cardápio do tipo “improvisadão”. Ambientado no início do século XIX, o filme conta a história de um cozinheiro que viaja até o extremo Oeste americano procurando começar uma vida por lá. Chegando a um pequeno povoado, ele se une a um imigrante chinês e começa a produzir bolinhos fritos – que parecem bolinhos de chuva –, trazendo a esse ambiente bruto um gostinho de infância e uma lembrança da vida urbana. Os quitutes são um sucesso, mas há um problema: a receita usa leite, só existe uma vaca na região, e ela não pertence a eles.


Meu eterno talvez

Procurando algo mais açucarado? A dica é a comédia romântica “Meu eterno talvez”, em cartaz na Netflix. Com Ali Wong e Randall Park, o filme acompanha um casal de amigos que se conhece desde a infância, mas acaba se afastando e se reencontra depois de 15 anos em posições radicalmente opostas. Ela se tornou uma chef renomada, enquanto ele não conseguiu evoluir muito desde que os dois se viram pela última vez. Será que duas pessoas tão diferentes vão conseguir se entender?


A 100 passos de um sonho

Agora pense num filme com pratos de encher os olhos, dignos de revista. É assim em “A 100 passos de um sonho”: essa é a história de uma família indiana que emigra para a França e decide abrir um restaurante, começando uma rivalidade com seu vizinho de frente: um tradicional restaurante francês que ostenta uma estrela Michelin. 


Julie e Julia

Todo grande cozinheiro precisa começar por algum lugar, não é mesmo? Em “Julie e Julia”, de Nora Ephron, Amy Adams é uma mulher que decide aprender a cozinhar com a ajuda de um livro de receitas da famosa Julia Child, e documenta todo o processo num blog. A história de Child, interpretada por Meryl Streep, vai sendo contada em paralelo, mostrando como ela, também, enfrentou suas dificuldades para entrar nesse mundo até então exclusivamente masculino.


Chef

O multitalentoso Jon Favreau escreve, dirige e protagoniza a comédia inspiradora “Chef”, que tem sabor de comida de rua. No filme, ele vive um chef de cozinha que abandona o trabalho num grande restaurante após receber uma crítica negativa e perceber que não estava feliz. Então, ele decide abrir um food truck junto com seu melhor amigo e o filho, e pegar a estrada.


Ratatouille

Uma das animações mais fofas da Pixar consegue juntar a paixão francesa pela gastronomia e uma das figuras mais temidas por qualquer dono de restaurante: um rato. Pois Ratatouille é justamente sobre um ratinho com talento para a cozinha, cujas intenções são obviamente frustradas por sua natureza. As coisas começam a dar certo quando ele se une a um cozinheiro aprendiz, humano, e começa a levar suas receitas para um respeitado restaurante, sem que ninguém desconfie.


Sem reservas

Passando para uma proposta meio-doce, meio-azeda, recomendamos o romance “Sem reservas”, com Catherine Zeta Jones, Aaron Eckhart e uma pequenininha Abigail Breslin. O filme adota o clichê da mulher bem-sucedida que é temida por todos os seus colegas e não consegue conciliar a vida familiar com a profissional, mas complica a questão ao colocar, na vida da chef Kate, uma responsabilidade repentina: cuidar da sobrinha de dez anos após a morte da irmã. Para piorar, um novo chef é contratado por seu restaurante, e ela teme que ele tenha vindo roubar o seu lugar.


Pegando fogo

Seguindo na linha de chefs problemáticos, que tal conhecer Adam Jones? O chefe de cozinha vivido por Bradley Cooper em “Pegando Fogo” conseguiu arruinar a própria carreira com seu comportamento irresponsável e vício em drogas. Agora, sóbrio e queimado, ele tenta retornar à ativa assumindo o comando de um importante restaurante londrino.


Os sabores do palácio

Falando em trabalhos importantes, você já parou para pensar em quem prepara a comida para as autoridades? Em “Os sabores do palácio”, a chef Hortense Laborie é convidada para ser a cozinheira particular do presidente francês, amante da gastronomia e sedento por novos sabores. Competente e firme em suas escolhas arriscadas, Hortense consegue conquistar seu novo patrão, mas logo perceberá que, num lugar tão cheio de egos e poderes, não é só ele que precisa aprovar seu trabalho… 


The Lunchbox

Para encerrar o menu com aquela “comfort food” de aquecer o coração, sugerimos o indiano “The lunchbox”. Nele, uma dona-de-casa prepara marmitas para o marido numa tentativa de melhorar a relação; mas, certo dia, o almoço é entregue no endereço errado e vai parar nas mãos de um homem solitário, prestes a se aposentar. Depois de explicado o engano, os dois começam a trocar cartas por meio das marmitas e desenvolvem uma profunda amizade, mesmo sem nunca terem se conhecido. 


Já ficou com fome? Então aprecie este vídeo com personagens cozinhando no dia-a-dia em filmes do Studio Ghibli:


Este conteúdo também está no Youtube, numa versão mais enxuta! Siga nosso canal:

Tudo o que eu não gostei na série Loki

Pensei em chamar este texto de “tudo o que eu não gostei na série Loki”, mas achei que ia soar apelativo. Então, lembrei que a internet funciona assim mesmo, fui em frente e digitei as nove palavrinhas polêmicas. Pelo menos, estaria falando a verdade. 

Loki é a terceira série original da Marvel a estrear na Disney Plus, expandindo o MCU, desenvolvendo melhor alguns personagens secundários e preparando o terreno para a famosa e um tanto vaga “Fase 4”. A primeira delas foi WandaVision, uma série que, antes de estrear, era uma gigantesca incógnita na minha cabeça; mas, depois, se tornou meu xodó entre os lançamentos do ano. Tinha humor, tinha ritmo, tinha uma química imensa entre os atores, e usava das situações lúdicas e absurdas para falar de coisa séria: luto, dor, negação. E tinha Elizabeth Olsen, diva em todas as décadas.

A segunda foi Falcão e o Soldado Invernal, outra que não me interessara muito até estrear, mas acabou surpreendendo. Usando do formato conhecido dos filmes de ação e perseguição, ela trouxe como tema central o racismo e a mudança dos tempos: o que significaria – para o mundo, para um país conservador e para uma pessoa negra – se o próximo Capitão América fosse negro? Sem se apressar, a jornada de Sam Wilson (Anthony Mackie) foi mostrando os diferentes lados dessa história, os dilemas morais, as consequências, as responsabilidades, as dificuldades (financeiras inclusive), ao mesmo tempo em que trabalhava em segundo plano uma trama sobre refugiados que os colocava ora como vítimas, ora como vilões, e ora ainda como seres humanos complexos com um ideal de coletividade. Nada mal para uma série da Marvel sobre dois sidekicks, né?

Então chegou Loki, a única que se propunha a seguir um personagem já muito popular entre os fãs: o vilão de Vingadores, irmão de Thor, Deus da Trapaça, mezzo-alívio cômico, mezzo-sex symbol vivido por Tom Hiddleston desde 2011. Não que eu esperasse muito, mas olhar para o Gabriel com uma cara meio indignada e dizer “cara, isso tá muito ruim” toda quarta-feira? Isso, eu não esperava. 

#chateada

A série parte do momento em que, tentando resgatar as joias do infinito no passado, Homem de Ferro, Capitão América e Homem Formiga se atrapalham e deixam o Tesseract cair no chão. Loki, então, pega a joia e desaparece. Agora, descobrimos que esse breve momento de vitória não durou quase nada, já que, ao se teletransportar, Loki é interceptado por um grupo de soldados (representantes dos Guardiões do Tempo) e enviado para um escritório/prisão (o TVA). A acusação é de que Loki provocou uma ruptura na “linha do tempo sagrada” ao se apossar do Tesseract, e, se você estava prestando um mínimo de atenção, talvez estranhe essa informação. Afinal, quem provocou a mudança foi o trio de Vingadores, não? Hm, não tente pensar demais nisso. 

Daí em diante, o que acontece é uma espécie de jornada de autoconhecimento e transformação para Loki, que, entre outras coisas, terá acesso ao “vídeo da sua vida” (tão brega quanto parece), descobrirá que não é a única versão de si mesmo no multiverso (e nem sequer a melhor), verá que existem forças mais poderosas do que Thanos (e que usam as jóias do infinito como pesos de papel, o que é uma piada muito barata) e viverá alguns dias como uma barata-tonta entre planetas, épocas e dimensões. Divertido? Mais no papel do que na prática.

Talvez o maior erro de Loki tenha sido se preocupar demais em apresentar uma nova grande ameaça megalomaníaca para o Universo Marvel, esquecendo-se de trabalhar seu personagem principal, como alguns veículos já defenderam muito bem. Mas certamente não foi o único. Aponto pelo menos outros três:

Muito se falou da cena em que Loki sugere, com uma frase vaga, que poderia ser bissexual. “Uau, como a Disney está abraçando a diversidade!”, “Nossa, a Marvel arrasou!”, blablabla. Acontece que, a partir daí, ele começa a viver um relacionamento potencialmente romântico com Sylvie, sua versão feminina. O que estaria ótimo, se ele também sugerisse qualquer tipo de flerte com seus outros espelhos, já que a ideia é explorar seu narcisismo. Mas não: o clima Loki-Sylvie só existe porque estamos colocando um personagem masculino para passar tempo demais com uma personagem feminina (e meninos não podem ser amigos de meninas, todo mundo sabe). Diga-se de passagem, todos os outros Lokis se consideram iguais em algum sentido, mas o Loki-Hiddleston faz questão de frisar como ela é diferente. Mais diferente do que um JACARÉ, só porque é mulher.

Meu segundo ponto crítico na série é a apresentação do protagonista como o oposto de um vilão. E não estou falando em humanização, que em geral é super válida, mas na completa distorção do personagem na pressa por gerar simpatia e redenção a tempo para a chegada do próximo filme da marca. O que sai pela culatra, acho eu, já que Loki é o sucesso que é justamente por seus traços vilanescos: a arrogância e a astúcia, em especial. Aqui, o mesmo Deus asgardiano que estava determinado a dominar a Terra, e disposto a se aliar a Thanos mesmo que isso colocasse em risco o universo inteiro, não tem nem arrogância nem astúcia. Pior: ele não tem nenhum plano. Nenhum. Nem sequer um planinho que dá errado, ou uma proposta aos Guardiões do Tempo, uma intenção de virar o jogo, nada. Loki está nu, com frio. Patético e frágil.

Lembra desse Loki aqui, usado extensamente na divulgação? Então, foi pra te enganar.

Ok, talvez eu esteja sendo cruel aqui, pois ele expressa a intenção de se aproximar desse novo poder para tirar alguma vantagem, mas isso nunca passa do primeiro episódio. O resto do tempo, Loki gasta sendo jogado de um lado ao outro, seguindo os impulsos e as convicções de terceiros. A série justifica essa impotência do personagem pela crise de consciência que ele tem ao descobrir que não é dono do próprio destino, rever em tela as próprias crueldades e ouvir de um completo estranho que sua mania de grandeza é, na verdade, a ilusão de uma criança desesperada por atenção. Terapia eficiente essa, né?

Mas, mesmo que a gente acredite que Owen Wilson seja sobrenaturalmente convincente, será mesmo que um único vídeo de 5 minutos seria capaz de convencer o Deus da Trapaça de que seu “glorioso propósito” era morrer nas mãos de Thanos, de um jeito bobo, sem ter jamais conquistado nada? Cá entre nós, essa criatura domina mágica, mas não consegue conceber um deep fake e uma boa edição, sei lá…? 

Terceiro ponto, e esse é para quem assistiu até o fim [vem spoiler aqui]: o diálogo final defende a tese de que, se você tirar o poder de um ditador, a consequência será, necessariamente, o caos. Digo, gente… Vocês já ouviram falar em democracia? O argumento que Loki parece não conseguir refutar (e isso já plenamente posicionado como o “bonzinho” e “sensato”) é que, ou se tem um indivíduo no controle de tudo – a única pessoa a quem pode ser concedido o livre-arbítrio –, ou não será possível controlar mais nada e o universo (multiverso, no caso) se auto-destruirá, porque as pessoas poderão fazer “o que quiserem”. É claro que, em se tratando de uma saga de aventura e fantasia, a tal ameaça de caos se intensifica por uma coleção de outros hiper-vilões, mas isso não muda o fato de que se propõe, com todas as palavras, que uma ditadura seja a situação mais desejável. Uma que só permite a existência de uma única linha do tempo, à custa de infinitas outras, porque essa é a linha em que existe o próprio ditador. (Duh)  [Fim dos spoilers]

Em suma, para uma série que se propõe a desenvolver um personagem que é notoriamente ambíguo, manipulador, e que passou filmes e filmes oscilando entre o “Bem” e o “Mal”, Loki se mostra imensamente frustrante. Ela agradou e vai continuar agradando, sim, a muitos fãs, mas tenho a impressão de que é mais pelos easter eggs, pelos coadjuvantes carismáticos (praticamente todos roubam a cena de Hiddleston) e pelas portas que abre para o futuro da franquia do que pelo que faz por Loki, em si. 

Uma pena. Como li outro dia numa matéria muito boa, a Marvel tem falhado com seus vilões há tempos, e não foi desta vez que ela fez justiça. Esperemos que, na próxima temporada, já confirmada, a equipe de roteiristas se lembre de quem é o verdadeiro protagonista.

Seis filmes para ver no fim de semana (16/07-18/07)

Finalmente, alguns dos maiores lançamentos do ano chegam às telonas e às telinhas para embalar o seu fim de semana, junto com alguns clássicos e uma pérola do outro lado do mundo. Vem ver:

EM CHAMAS | Cinema #EmCasaComSesc 

Esse filmaço sul-coreano está chegando ao site do Sesc, para todo mundo assistir de graça ao longo do próximo mês (e não precisa nem se cadastrar!). “Em chamas” é um suspense psicológico bastante tenso sobre um jovem tímido e uma garota extrovertida, que lhe apresenta um novo amigo – rico, charmoso e com um hobby perigoso.

CRUELLA | Disney Plus 

O filme de origem de uma das vilãs mais malvada da Disney finalmente chega ao catálogo do Disney Plus para todos os assinantes, sem custo extra. O longa traz Emma Stone no papel principal, como uma estudante de moda que tenta se afirmar no competitivo meio artístico na Londres dos anos 1970.

CACHÉ | Reserva Imovision

Nesta semana, o Reserva Imovision traz um especial com cinco filmes do diretor Michael Haneke, entre eles o suspense “Caché”, de 2005. Com Juliette Binoche, o longa acompanha um casal que é ameaçado por uma série de vídeos de vigilância deixados na porta de sua casa. O filme rendeu a Haneke o prêmio de Melhor Diretor em Cannes.

GODZILLA VS. KONG | HBO Max

Uma das grandes novidades no catálogo da HBO Max é a chegada do blockbuster “Godzilla vs. Kong”, que arrecadou quase meio bilhão de dólares nos cinemas mundialmente, durante a pandemia. O filme coloca os dois monstros gigantes frente a frente, numa batalha que pode dizimar a humanidade.

JFK: A PERGUNTA QUE NÃO QUER CALAR | Belas Artes à la Carte

Enquanto o diretor Oliver Stone apresenta seu novo documentário  “JFK Revisited” no Festival de Cannes, o filme que deu origem à sua obsessão pelo tema chega ao Belas Artes à la Carte. Em “JFK: A pergunta que não quer calar”, Kevin Costner interpreta um promotor que decide investigar novamente o assassinato do presidente americano John F. Kennedy, e descobre um outro lado da história.

SPACE JAM – UM NOVO LEGADO | Cinemas

A colorida sequência do clássico dos anos 90 “Space Jam” chega aos cinemas, trazendo o atleta LeBron James no papel de um jogador de basquete que é aprisionado num espaço digital junto com seu filho, e precisa da ajuda de personagens animados como Pernalonga e Lola Bunny para vencer um jogo decisivo e sair de lá. 

Gostou? Confira a lista completa de lançamentos de julho aqui.

Elize Matsunaga: fascinação pelo grotesco

Nunca entendi direito a febre dos true crimes. Não sou fã de histórias reais e, dentre elas, as que exploram crimes hediondos são as que menos me interessam. Programas pinga-sangue no fim de tarde? Tô fora. Filme do Tarantino sobre o assassinato de Sharon Tate? Pre-gui-ça. Documentários sobre serial killers carismáticos? Crimes mal resolvidos? Traumas para a vida toda? A busca frenética por saber quem matou quem e como, com detalhes? Gente, vocês estão bem…?

É, ninguém está. Apesar disso, resolvi assistir á nova série documental “da Netflix” (produzido por terceiros, pago e aprovado pela Netflix, como todos os seus “originais”), Elize Matsunaga: Era uma vez um crime. Tive dois motivos: um – os tais “terceiros” eram a produtora Boutique Filmes, onde o Gabriel trabalha (o nome dele está nos créditos!), e ele me garantiu que a série era interessante; dois – a direção é da Eliza Capai, de quem eu conhecia o documentário Espero tua (re)volta, sobre os movimentos estudantis que ocuparam escolas públicas em São Paulo uns anos atrás, e com quem eu tinha tido uma conversa muito boa na época, entre uma garfada e outra num restaurante vegetariano. 

A série e o longa de Capai não têm muita semelhança entre si, exceto pelo fato de que ela, novamente, assume uma posição de ouvinte e deixa que outros contem a história. Não há narração pessoal, como nos trabalhos de Petra Costa, por exemplo. Aqui, quem descreve os eventos, comenta e conecta são os repórteres que cobriram o caso quando ele estourou, em 2012; além dos advogados de defesa e acusação; amigos e familiares dos dois lados; e a própria Elize – que pela primeira vez teve direito a uma saída temporária da prisão e concedeu uma longa entrevista à equipe, contando passo-a-passo sua versão da história.

Uma tragédia de elite?

São raras as vezes que um assassino confesso se dispõe a falar desse jeito para o grande público, mais raro ainda uma assassina. Daí o apelo da série. Num momento em que se discute feminicídio, violência doméstica, direitos da mulher e a importância da sua voz, a história de Elize chega como uma exceção particularmente complexa e provocadora. Afinal, entender o que motivou o crime não anula o fato de que ele ocorreu – e incluiu os horrores de um corpo esquartejado. 

Porém, conhecer certos detalhes ajuda a perceber esse caso como algo muito maior do que o desentendimento entre duas pessoas ou a violência unilateral de uma: o que está pintado ali, em cores berrantes, é a tragédia de uma elite branca brasileira tão descolada da realidade que sua própria capacidade de empatizar ou se horrorizar com o outro (humano ou não) já se esvaiu há tempos, no momento em que saiu para caçar um animal pelo mero prazer de caçar, ou começou a colecionar armas de fogo e espalhá-las pela casa simplesmente porque gostava. 

Penso nessa série, na fascinação pelos crimes reais e na narrativa que se constrói sobre Elize e Marcos pela ideia do grotesco. O feio que se emoldura como belo, o baixo que se mistura ao alto, a contradição entre o ideal e o imperfeito que modela nossas vidas e dá origem aos melhores dramas. A vida de Elize é cheia de contrastes: a pobreza e a riqueza; a experiência como garota de programa e o sonho de ter uma família tradicional; a aparência delicada e o crime horripilante. A voz calma e o conteúdo terrível do que diz. 

Mas também é grotesca a vida privada dessas pessoas tão perfeitamente civilizadas: eles tinham uma cobra; um quarto que mais parecia um arsenal terrorista; expunham a cabeça de um veado na sala de estar… A cada informação, o conjunto se torna mais estranho, errado, fascinante. E o público aplaude como num freak show.

Grandes simplificações

A impressão é de que a realidade passou a quilômetros daquele apartamento. E seria difícil imaginar um desfecho menos extremo para uma crise conjugal, quando os dois lados tinham tão fácil acesso a pistolas, rifles e uma submetralhadora “como a de Al Capone”.

Mas aponto para essas esquisitices não para amenizar a culpa de quem, de fato, apertou o gatilho, mas para espalhar essa culpa em infinitos pedacinhos (com o perdão do trocadilho). Pois o que a série faz, com sucesso, é mostrar que o contexto é sempre muito mais complicado do que a imagem que se grava num minuto, e que a ideia que temos de Bem e de Mal são, no fundo, grandes simplificações. 

A obra replica o formato do julgamento e dá voz a todos os lados, reconstruindo a história muito além do momento do crime. Contudo, ela não parece fazer isso para que o público julgue quem está certo ou errado, mas para mostrar que o comportamento humano é esse conjunto caótico de experiências e emoções, que às vezes levam a eventos absurdos.

Nesse caso, não há sequer grandes divergências entre versões. Como não há dúvida sobre quem cometeu o crime, a questão passa a ser algo mais abstrato (e essencialmente irrespondível), como o que ela sentiu ao cometê-lo. É como outro filme que assisti esta semana – um drama holandês chamado “Caráter”, de 1997, que também começa com um assassinato e parte para construir sua história. É curioso como produções tão distintas podem dialogar tanto entre si!

Garantia de arrepios

No fim, cada um vai sentir sua parcela de arrepios com “Era uma vez um crime” – seja pela frieza com que Elize conta sua história, seja pela melodia macabra que acompanha algumas cenas… Ou seja por imaginar o tamanho da pretensão de um homem que veste o manto de salvador enquanto “tira” a mulher de uma vida financeiramente independente para emoldurá-la em casa como um troféu, enquanto avalia outras mulheres feito corridas de Uber num fórum online.

Ou, talvez, como foi o meu caso, os arrepios venham mesmo dos comentários dos vivos e não-encarcerados. Absolutamente cegos às próprias contradições.

Até a Netflix está preocupada com o totalitarismo

Acabei de ver, meio por acaso, o primeiro episódio de uma série documental da Netflix chamada Como se tornar um tirano. Ela deve ter acabado de chegar, já que a data de lançamento é 2021, e não poderia ter vindo em melhor momento. Na verdade, sua existência é quase um mau sinal: se chegamos no ponto em que a cultura pop está discutindo tirania e desenhando didaticamente o que significa ser um tirano (mais didaticamente do que Harry Potter e Star Wars), é porque talvez já seja tarde demais. 

Pessimismo à parte, lembro-me de quando estava na escola, talvez no colegial, e minha professora de História tentava explicar a um bando de alunos incrédulos como a Alemanha nazista tinha se tornado uma realidade. “Que povo cruel!”, julgávamos, do alto de nossos incontestáveis bons-sensos. “Como eles podem ter concordado com isso?”. E a História parecia, naquele momento, apenas uma curiosidade sobre um mundo distante que precisávamos conhecer porque cairia na prova. 

Acho que o filme A Onda foi o primeiro a plantar a dúvida em muitos de nós. “Será que…”, começamos a nos perguntar, preocupados, “Será que somos muito mais manipuláveis do que imaginávamos? Será que aquilo poderia acontecer com qualquer um de nós?!”. 

Ah, a ignorância é uma bênção, né?

Sempre ouvi dizer que a História era cíclica, e até pouco tempo atrás tinha a sensação de que isso só se aplicava ao mundo da moda, que cansava de inovar e colava da geração anterior a cada duas ou três décadas, previsivelmente. Quanto à História real, ela era feita de ciclos enormes – coisa de séculos, que eu não ia ver. Imagine, uma crise de verdade? Ditadura, guerra, assassinatos políticos? Não na minha vez.

Aí, já não era ignorância. Era negação. Meu cérebro tentando se autopreservar durante uma juventude alimentada por George Orwell, Aldous Huxley e Ray Bradbury e professoras desanimadoramente realistas, como aquela. Mas a verdade é que, depois que você aprende a ler os sinais, fica ridiculamente fácil reconhecer um governo potencialmente totalitário, ou tirânico, quando você o vê. E, a julgar pela série da Netflix, não somos apenas nós que estamos olhando para ele.

Como se tornar um tirano tem como alvo todas aquelas pessoas que, como eu e meus colegas no colegial, não acreditam que o nazismo poderia nascer aqui, hoje, e acham exagero quando alguém compara, por exemplo, Bolsonaro a Hitler. De fato, eles não são iguais, e o Brasil de 2021 não é a Alemanha de 1934, mas não se iluda pensando que Hitler era, de alguma forma, especial, ou que sua influência sobre o povo alemão não tem semelhanças com o que está acontecendo aqui e em outros países no mundo, agora. 

Isso pode parecer uma teoria da conspiração, mas é só História. O totalitarismo, como bem notou Hannah Arendt, tem padrões muito claros, e a turma de Adolph ajudou a lapidar alguns deles. É aqui, então, que entra a série. Narrada por Peter Dinklage (experiente em tronos e tiranias) e costurada pelas trajetórias de Hitler, Stálin, Kim Il-Sung, Muammar Khadafi e Idi Amin Dada, ela aproveita o formato portátil dos episódios de meia-hora, com ilustrações dinâmicas e tom de voz despojado, para ensinar ao público quais são esses padrões. Então, sob o disfarce de um “livro de regras” para aconselhar um futuro tirano, a produção vai tentando tornar o espectador mais preparado para reconhecer o perigo e, quem sabe, não se deixar manipular tão facilmente da próxima vez (ou nesta). Bem sabemos que conhecer o problema não é suficiente para impedir que ele aconteça, mas é um bom primeiro passo. 

Se tudo isso está soando abstrato demais, aqui vão alguns dos ingredientes essenciais para a criação de um tirano, segundo esse “livro de regras”:

  1. Megalomania, excesso de autoconfiança ou simples narcisismo delirante: a arte de acreditar que “só você pode salvar o mundo”, como vem ensinando Hollywood há pelo menos meio século (Neo, estou olhando para você)
  1. Um dedo bem apontado para o Outro: uma nação feliz não tem interesse em tiranos, então é importante identificar algo que esteja causando indignação (como uma crise econômica), e depois eleger um Grande Culpado (que nunca será você mesmo, é claro, mas normalmente imigrantes, acadêmicos, artistas, mulheres um pouco mais questionadoras, comunistas, judeus etc). O Partido Nazista, vejam só, ascendeu depois da Queda da Bolsa de 29, o que me faz pensar se a ascensão global da extrema direita nos dias de hoje não pode ser um reflexo da crise de 2008, quando uma série de bancos americanos quebraram em decorrência da bolha imobiliária, afetando mercados do mundo inteiro.
  1. Gente como a gente: nada como uma caneta Bic para mostrar que alguém é simples, né? Pois os maiores ditadores da História sempre se preocuparam em manter uma imagem próxima do povo para que fossem reconhecidos como os “verdadeiros representantes” do país, mesmo que isso só fosse verdade na hora da foto. Afinal, isso não é sobre um partido ou um plano de governo, mas sobre criar um ídolo. 
  1. Publicidade é tudo: Goebbels sabia disso. Hoje em dia, talvez a publicidade clássica, baseada na repetição infinita de uma imagem e uma ideia, tenha sido substituída pelo investimento na desinformação – com mil fontes dizendo coisas diferentes, quem é que vai acreditar nos jornais quando eles apontarem os erros do governo?
  1. Esquadrão de minions: pra quem não sabe, o termo “minion”, usado na animação “Meu malvado favorito”, significa algo como “capanga”, ou “seguidor fiel” de alguém poderoso, frequentemente um vilão. Como explica Dinklage (e a História), qualquer pessoa que pretenda aplicar um golpe de governo e se manter ali, numa posição de poder absoluto, precisa se cercar de aliados extremamente fiéis, capazes de fechar os olhos para tudo o que ocorrer de absurdo ou desumano (como campos de concentração nazistas), por lealdade à sua imagem.

E isso foi só o primeiro episódio. Deu até um medinho, né? 

Estreias do fim de semana – 09/07 a 11/07

Ainda não decidiu o que assistir neste feriado? Aqui vão sete sugestões de filmes e séries que acabaram de chegar às principais plataformas de streamings:

Viúva Negra | Disney Plus (Premier Access) + Cinemas

O filme-solo da heroína mais importante do Universo Cinematográfico Marvel demorou, mas finalmente chegou aos cinemas e ao Disney Plus, via Premier Access. Em “Viúva Negra”, Scarlett Johansson retorna ao papel de Natasha Romanoff, numa história que se passa após os eventos de Capitão América: Guerra Civil, enquanto os Vingadores estão separados. No filme, conhecemos melhor o lado espiã da personagem, que divide a tela com novas figuras interpretadas por Florence Pugh, David Harbor e Rachel Weisz.

Elize Matsunaga: Era uma vez um crime | Netflix

Gosta de um “true crime”? Então a Netflix tem uma nova série para você maratonar: “Elize Matsunaga: Era uma vez um crime”. O documentário em quatro episódios relembra o caso do assassinato de Marcos Matsunaga por sua esposa, Elize, em 2012, e, pela primeira vez, ela tem a chance de contar o seu lado da história. O filme é dirigido por Eliza Capai, do excelente “Espero tua (re)volta”.

Maurice | Belas Artes à la Carte

Especialista em clássicos, o Belas Artes à la Carte traz nesta semana o romance “Maurice”, com Hugh Grant e James Wilby. O longa é dirigido por James Ivory, que foi roteirista de “Me chame pelo seu nome” e comandou diversos filmes de época. Ele adapta um romance de E.M. Foster sobre um jovem britânico rejeitado pelo homem que ama em meio à conservadora sociedade eduardiana, no século XIX.

Simpatia pelo diabo | Reserva Imovision

Já o Reserva Imovision traz como destaque o drama “Simpatia pelo diabo”, um filme de 2019 inspirado numa história real sobre um jornalista francês absolutamente destemido e idealista que cobre o cerco de Sarajevo durante a Guerra da Bósnia. 

O Rebanho | Telecine

No Telecine, a novidade é o suspense “O Rebanho”, que parece uma combinação de “A Bruxa” e “O Conto da Aia”, com um quê de “A Vila”. O filme acompanha uma jovem que cresce dentro de uma comunidade isolada, formada por um homem e muitas mulheres: ali, ele é adorado como uma espécie de salvador, e todas elas são suas esposas ou filhas, vivendo sob regras rígidas e opressivas. É uma receita para o desastre.

Mr. X | MyFrenchFilmFestival

Em homenagem ao Festival de Cannes, que começou na última terça-feira, o MyFrenchFilmFestival está disponibilizando uma seleção de filmes de língua francesa que já passaram pelas edições mais recentes do evento – tudo de graça e online. A programação também traz o documentário Mr. X, ou Mr. Leos Carax, sobre o misterioso e cultuado diretor de “Holy Motors”, que abriu o festival deste ano com seu novo filme “Annette”.

Ascensão | Cinema #EmCasaComSesc

Quem também traz uma programação temática é o Sesc Digital, que, a partir do dia 9 de julho, exibirá quatro filmes dirigidos por cineastas soviéticas, um por semana. O primeiro é “Ascensão”, de Larissa Chepitko, que ganhou o Urso de Ouro em 77 com a história de dois partisans soviéticos capturados por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Gostou? Veja o calendário completo das estreias de julho aqui.

Revisitando Doug

Eu e o Gabriel temos um novo hobby: rever um episódio de Doug por dia, após o almoço. Na verdade, não tenho certeza se estamos revendo ou vendo pela primeira vez, pois os episódios que entraram na Disney Plus fazem parte de uma segunda fase, produzida depois que a Disney comprou a produtora do criador Jim Jinkins (Jumbo Pictures) da Nickelodeon em 1996. Até então, já haviam sido exibidas quatro temporadas da série animada, de 1991 a 1994.

A verdade é que eu nunca soube da existência de duas fases distintas até agora, e só suspeitei porque a música de abertura não era a mesma, e alguns outros detalhes não pareciam certos: Roger ficou rico, a mãe de Doug está grávida e onde foi parar o Homem Codorna?? Pois minha memória é fraca o suficiente para que eu me questionasse se não tinha sido sempre assim, mas, nesse caso, não tinha. Infelizmente, ela também não me permite saber se, quando criança, cheguei a assistir às duas versões ou apenas à primeira (a TV Cultura tinha os direitos da fase Nickelodeon, mas o SBT aparentemente exibiu a fase Disney um pouco depois).

Novidade ou não, essa segunda parte também é criação de Jinkins, e a qualidade é igualmente assombrosa, apesar de tudo soar um pouco mais adulto e consciente. Cada episódio discute algum aprendizado profundo na vida de Doug, como saber trabalhar em equipe, não ser ganancioso ou não acreditar em boatos, tudo isso por meio de situações cotidianas envolvendo os amigos e a escola. Até aí, nada de tão diferente de outros programas infantis, né?

O diferencial de Doug, que fica mais claro agora que se pode ver com distanciamento, é que os personagens são bastante falhos, e suas reações – às vezes mesquinhas, às vezes impulsivas, muitas vezes perdidas na imaginação – oferecem ao público a chance de se identificar de verdade, não apenas projetar um ideal ou rir da desgraça alheia. Doug, por exemplo, fica tão animado certo dia por ter conseguido arrancar risadas dos colegas, que se vislumbra um grande comediante, entretendo a todos com seu incomparável humor perspicaz. Tadinho, ele é ingênuo. Mas também não perde uma oportunidade para mandar nos outros – o que eventualmente se mostra um grande erro, mas mostra à criança que seus próprios impulsos egocêntricos não são incomuns. 

Outro elemento que me encanta nessa animação é o fato de o protagonista não ser nenhum padrão de garoto aventureiro, valente ou galãzinho: ele é medroso, inseguro, usa um colete de vovó, tem até uma pancinha simpática, tem um cachorro (mais esperto que ele) e, acima de tudo, tem um diário. E isso não apenas funciona como uma justificativa para a narração, mas mostra como Doug consegue aprender com suas experiências, observando-as e refletindo sobre elas, como numa espécie de terapia – e isso é um exemplo muito bom para qualquer criança, especialmente uma criança introvertida. Sei bem, porque cresci escrevendo em diários todas as noites até a adolescência, e foi um hábito que moldou tanto meu caráter quanto minha escrita. Porém, não era algo que um garoto poderia fazer e admitir publicamente… Diários eram, naquela época, até onde chegava aos meus ouvidos, “coisa de menina”. E Doug tinha um.

E, já que estamos falando em expectativas de gênero, vale lembrar que a Paty Maionese não é só um interesse amoroso para Doug – ela é uma amiga e, nessa temporada que estou assistindo, o amor platônico é bem amenizado (o que é ótimo considerando que é uma série sobre crianças). Além disso, Patty tem algo de moleca: ela gosta de esportes, compartilha do mesmo amor de Doug e Skeeter por uma banda de rock, e tem dificuldade de se integrar a um grupo feminista num episódio sobre isso, porque também criou suas hipóteses sobre o que é considerado feminino (ela acredita que o grupo será “fútil” e “arrogante”, mas aprende na prática que não é).

Rever Doug (mesmo que não os mesmos episódios) me fez lembrar de algo que costuma voltar à minha cabeça de tempos em tempos: a ideia de que tendemos (a imprensa, especialmente) a subestimar a importância do conteúdo produzido para crianças, e excluí-lo das nossas coberturas e recomendações. E o fazemos porque esquecemos que foi graças a séries como Doug, Castelo Rá-Tim Bum, Animais do Bosque dos Vinténs, Os Cavaleiros do Zodíaco, Sailor Moon, Anos Incríveis, e livros como Harry Potter ou os da Coleção Vagalume, e filmes como as animações clássicas da Disney ou A História Sem Fim, que todos nós aprendemos muitos dos valores que carregamos até hoje, para o bem ou para o mal. E isso vale para todas as gerações, marcadas por vidas inteiras por aquilo que viram e leram na infância. Porque a arte tem esse poder de tocar, não tem? E nunca foi preciso ser adulto para ser tocado por ela.