Eles sabem.

Eu não sei exatamente quem são “eles”, mas sei que eles sabem.

Sabem que, no último sábado, eu e o meu marido paramos para perguntar o preço de algumas lentes numa galeria da Avenida Paulista. Na mesma hora, espalharam anúncios da Canon pela sua timeline – não espalharam pela minha, é claro, porque sabiam que era ele quem gostava de fotografia, como sabiam que era Canon, não Nikon. Continuar lendo “Eles sabem.”

Assunto: este e-mail é seu?

Olá. Meu nome é Juliana e, provavelmente, o seu também.

Pergunto se este e-mail é seu porque, veja bem, ele é meu também. Alguns meses atrás comecei a receber mensagens de pessoas que eu não conhecia, sobre assuntos que eu não entendia, e fiquei desconfiada. Sabe, eu não moro no Rio Grande do Norte, não me inscrevi em nenhuma SmartFit (e depois desisti) e ninguém tão próximo de mim faleceu neste ano – sobre isso, aliás, sinto muito. Continuar lendo “Assunto: este e-mail é seu?”

Lendo Anne Rice

Algumas memórias ficam guardadas por tanto tempo que a gente até esquece que aconteceram de verdade… Até que, um dia, elas vêm à tona por um motivo qualquer. E você pensa: como foi que eu fiquei tanto tempo sem lembrar? Continuar lendo “Lendo Anne Rice”

Conversas verticais

Você já reparou em como as grandes empresas de tecnologia adoram criar novidades que não são tão novas assim? A última delas foi um botãozinho discreto, adicionado de surpresa no canto do feed do Instagram, com o formato irônico de uma TV de tubo. Irônico porque, lá dentro, você vai encontrar praticamente o oposto que você encontraria numa televisão.

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Corpo

Quando a primeira temporada de “Glow” chegou à Netflix, mais ou menos um ano atrás, a atriz Alison Brie deu uma entrevista dizendo que a série – sobre mulheres comuns que estrelam um programa de luta livre nos anos 80 – fez com que ela mudasse completamente a forma de encarar seu corpo. Fez com que ela se sentisse “forte”… E tenho certeza de que ela não se referia ao tamanho dos seus braços. Continuar lendo “Corpo”

Artistas malditos

Não sei se vocês já leram alguma aventura de Sherlock Holmes, mas tenho uma coleção completa aqui e, de tempos em tempos, pego uma das histórias para folhear antes de dormir. São divertidíssimas, recomendo! Mas tem uma pegadinha… Elas podem ser bem preconceituosas.

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(Des)aprendendo a escrever

Escrevo desde criancinha e nunca dei muita bola pra isso. Simplesmente inventava histórias para as minhas bonecas, para os personagens que eu gostava da televisão, ou criava minhas próprias heroínas estranhas e as colocava no papel – fosse em forma de quadrinhos, anotações nos cantos dos desenhos ou, certa vez, num calhamaço de papel escrito à mão, com capa e tudo como num livro de verdade.

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Pão e Circo

Toda Copa do Mundo é o mesmo drama: para cada dois ou três torcedores fanáticos, existe um protestando contra o “pão e circo” que é esse espetáculo midiático. Uma maquinação diabólica para que o povo, entretido, não perceba as opressões que se colocam sobre ele nesses e em todos os outros dias do ano.

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Superpoderes

Estava pensando em superpoderes. Não nos dos super-heróis, fantásticos e inúteis (a não ser que você esteja metido numa batalha contra as forças do mal), mas nos de gente nada heroica, desses poderes discretos que fazem a diferença na vida pacata de quem não gosta nem de brigar. Por exemplo: tem gente que é boa com pessoas e consegue tudo, só na lábia. Tem gente que cozinha bem, e isso já é meio caminho andado para uma vida feliz. E memória fotográfica então? Baita poder!

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Crônica de quatro patas

Ela se enrola toda como um caracol e relaxa, empurrando de leve minha coxa e suspirando fundo antes de fechar os olhos. Passo os dedos por pelos longos e castanhos e, feito mágica, já me sinto melhor. É infalível. Brinco então com as orelhas, sempre despenteadas, e arrumo uma delas que tinha se virado ao contrário. É só eu me distrair um segundo que elas dão um jeito de virar ao contrário. Continuo o carinho enquanto encaro a tela em branco, ameaço escrever alguma coisa e sinto-a se remexer. Agora, exibe a barriga branca para que eu prossiga com o coça-coça, mas mantém a cabeça mais ou menos na mesma posição, retorcendo todo o corpinho peludo como se estivesse muito confortável. As patinhas estão dobradas, mais ou menos soltas no ar. A cena é ridícula e, ao mesmo tempo, deliciosa. Quero tirar uma foto.

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