Azul, com traços vermelhos

A questão me apresentava quatro alternativas e, em cada uma delas, duas palavras ambíguas. Você é distante e reservada? Ou cuidadosa e atenciosa? Influente e criativa ou firme e assertiva? Azul, verde, amarela ou vermelha? Vamos, escolha. Conte-nos quem você é. Continuar lendo “Azul, com traços vermelhos”

Histórias descartáveis

Quando foi a última vez que você assistiu a um filme que ficou com você? Digo, realmente ficou, até que você assistisse de novo, lesse uma crítica, convencesse todos os seus amigos a verem também e finalmente incorporasse frases inteiras, ideias e referências da tela para a sua vida? Faz tempo, né? Continuar lendo “Histórias descartáveis”

Rosé gold

Tons pastéis se espalham pela minha timeline. Rosa, azul, dourado, creme, rosé gold, preto e branco. Cadernos decorados como se cada página fosse um quadro. Mesas amplas e convidativas com seus vasinhos, canecas, luminárias, canetas, lápis, cadernos, notebooks. Peças decorativas com um toque irônico sorriem para a câmera. Fofas e autênticas. Idênticas às da página ao lado. Escritórios ou cenários de um filme do Wes Anderson? Perfeitos, limpos, aconchegantes, simétricos. Suas habitantes, também: sapatilhas delicadas, vestidos rodados, cabelos cuidadosamente bagunçados. Nas fotos quadradas, os pés não doem, o vento não bagunça a franja, o café não suja a mesa. As unhas estão bem feitas, o livro harmoniza com o computador, a almofada, o cobertor grosso de tricô. Será que alguém o lê? Continuar lendo “Rosé gold”

Eles sabem.

Eu não sei exatamente quem são “eles”, mas sei que eles sabem.

Sabem que, no último sábado, eu e o meu marido paramos para perguntar o preço de algumas lentes numa galeria da Avenida Paulista. Na mesma hora, espalharam anúncios da Canon pela sua timeline – não espalharam pela minha, é claro, porque sabiam que era ele quem gostava de fotografia, como sabiam que era Canon, não Nikon. Continuar lendo “Eles sabem.”

Assunto: este e-mail é seu?

Olá. Meu nome é Juliana e, provavelmente, o seu também.

Pergunto se este e-mail é seu porque, veja bem, ele é meu também. Alguns meses atrás comecei a receber mensagens de pessoas que eu não conhecia, sobre assuntos que eu não entendia, e fiquei desconfiada. Sabe, eu não moro no Rio Grande do Norte, não me inscrevi em nenhuma SmartFit (e depois desisti) e ninguém tão próximo de mim faleceu neste ano – sobre isso, aliás, sinto muito. Continuar lendo “Assunto: este e-mail é seu?”

Lendo Anne Rice

Algumas memórias ficam guardadas por tanto tempo que a gente até esquece que aconteceram de verdade… Até que, um dia, elas vêm à tona por um motivo qualquer. E você pensa: como foi que eu fiquei tanto tempo sem lembrar? Continuar lendo “Lendo Anne Rice”

Conversas verticais

Você já reparou em como as grandes empresas de tecnologia adoram criar novidades que não são tão novas assim? A última delas foi um botãozinho discreto, adicionado de surpresa no canto do feed do Instagram, com o formato irônico de uma TV de tubo. Irônico porque, lá dentro, você vai encontrar praticamente o oposto que você encontraria numa televisão.

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Corpo

Quando a primeira temporada de “Glow” chegou à Netflix, mais ou menos um ano atrás, a atriz Alison Brie deu uma entrevista dizendo que a série – sobre mulheres comuns que estrelam um programa de luta livre nos anos 80 – fez com que ela mudasse completamente a forma de encarar seu corpo. Fez com que ela se sentisse “forte”… E tenho certeza de que ela não se referia ao tamanho dos seus braços. Continuar lendo “Corpo”

Artistas malditos

Não sei se vocês já leram alguma aventura de Sherlock Holmes, mas tenho uma coleção completa aqui e, de tempos em tempos, pego uma das histórias para folhear antes de dormir. São divertidíssimas, recomendo! Mas tem uma pegadinha… Elas podem ser bem preconceituosas.

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(Des)aprendendo a escrever

Escrevo desde criancinha e nunca dei muita bola pra isso. Simplesmente inventava histórias para as minhas bonecas, para os personagens que eu gostava da televisão, ou criava minhas próprias heroínas estranhas e as colocava no papel – fosse em forma de quadrinhos, anotações nos cantos dos desenhos ou, certa vez, num calhamaço de papel escrito à mão, com capa e tudo como num livro de verdade.

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