Corpo

Quando a primeira temporada de “Glow” chegou à Netflix, mais ou menos um ano atrás, a atriz Alison Brie deu uma entrevista dizendo que a série – sobre mulheres comuns que estrelam um programa de luta livre nos anos 80 – fez com que ela mudasse completamente a forma de encarar seu corpo. Fez com que ela se sentisse “forte”… E tenho certeza de que ela não se referia ao tamanho dos seus braços. Continuar lendo “Corpo”

Artistas malditos

Não sei se vocês já leram alguma aventura de Sherlock Holmes, mas tenho uma coleção completa aqui e, de tempos em tempos, pego uma das histórias para folhear antes de dormir. São divertidíssimas, recomendo! Mas tem uma pegadinha… Elas podem ser bem preconceituosas.

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(Des)aprendendo a escrever

Escrevo desde criancinha e nunca dei muita bola pra isso. Simplesmente inventava histórias para as minhas bonecas, para os personagens que eu gostava da televisão, ou criava minhas próprias heroínas estranhas e as colocava no papel – fosse em forma de quadrinhos, anotações nos cantos dos desenhos ou, certa vez, num calhamaço de papel escrito à mão, com capa e tudo como num livro de verdade.

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Pão e Circo

Toda Copa do Mundo é o mesmo drama: para cada dois ou três torcedores fanáticos, existe um protestando contra o “pão e circo” que é esse espetáculo midiático. Uma maquinação diabólica para que o povo, entretido, não perceba as opressões que se colocam sobre ele nesses e em todos os outros dias do ano.

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Superpoderes

Estava pensando em superpoderes. Não nos dos super-heróis, fantásticos e inúteis (a não ser que você esteja metido numa batalha contra as forças do mal), mas nos de gente nada heroica, desses poderes discretos que fazem a diferença na vida pacata de quem não gosta nem de brigar. Por exemplo: tem gente que é boa com pessoas e consegue tudo, só na lábia. Tem gente que cozinha bem, e isso já é meio caminho andado para uma vida feliz. E memória fotográfica então? Baita poder!

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Crônica de quatro patas

Ela se enrola toda como um caracol e relaxa, empurrando de leve minha coxa e suspirando fundo antes de fechar os olhos. Passo os dedos por pelos longos e castanhos e, feito mágica, já me sinto melhor. É infalível. Brinco então com as orelhas, sempre despenteadas, e arrumo uma delas que tinha se virado ao contrário. É só eu me distrair um segundo que elas dão um jeito de virar ao contrário. Continuo o carinho enquanto encaro a tela em branco, ameaço escrever alguma coisa e sinto-a se remexer. Agora, exibe a barriga branca para que eu prossiga com o coça-coça, mas mantém a cabeça mais ou menos na mesma posição, retorcendo todo o corpinho peludo como se estivesse muito confortável. As patinhas estão dobradas, mais ou menos soltas no ar. A cena é ridícula e, ao mesmo tempo, deliciosa. Quero tirar uma foto.

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Nada se cria

Quanto mais eu olho para a cultura, mais certeza tenho de que vivemos num looping, correndo atrás de nossas próprias caudas com o desespero de um cão faminto… “Nada se cria”, já dizia Lavoisier, e tenho cada vez mais certeza de que tudo se copia. Inclusive a si mesmo.

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Acabou a luz

Alguma coisa acontece com este quinto andar que, toda vez que dá uma chuva um pouco mais robusta, tenho absoluta certeza de que o prédio vai cair ou que, pelo menos, todas as janelas vão se espatifar. Elas nunca se espatifaram e, felizmente, o prédio continua exatamente no mesmo lugar, mas, no último sábado, a água e o vento estouraram um transformador.

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Explicações

Olá, com licença, meu nome é Juliana e acho que devo algumas explicações.

Para começar, este é o meu blog. Ele não é novo, não faço ideia de há quantos anos já me acompanha, mas até ontem não passava muito de um portfolio de textos sortidos. Coisa escritas para três ou quatro veículos diferentes, de críticas de cinema a crônicas pessoais, de coberturas de eventos a contos inacabados. Até então, ele nem tinha nome.

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Caixas, parafusos e cheiro de cola

Faz quase exatamente um mês que começou a reforma. Checo o calendário duas vezes, desconfiada, porque a cartela vazia de antialérgicos e a mala, tantas vezes refeita, insistem em dizer que faz muito mais. Cronologicamente falando, porém, na medida do relógio e não dos sentimentos, tudo indica que passou-se mesmo apenas isso: um mês. Continuar lendo “Caixas, parafusos e cheiro de cola”