Sweet Tooth – fofura e humanidade nos limites do fim do mundo

Aparentemente, o combo de medo e tédio que esta pandemia sem fim injetou na cultura no último ano não vem rendendo apenas histórias horríveis em mundos apocalípticos com a humanidade à beira da extinção, mas, também, histórias fofinhas em mundos apocalípticos com a humanidade à beira da extinção. 

Uns meses atrás, a Netflix lançou Amor e Monstros: uma espécie de comédia com ação, um romancezinho de fundo e algumas lições de vida cheias de otimismo, tudo ambientado num mundo tomado por insetos gigantescos e assassinos. O filme foi um sucesso – e é mesmo uma delicinha de assistir. Agora, chega ao catálogo a primeira temporada da série Sweet Tooth, igualmente despretensiosa, igualmente feel good, e potencialmente mais viciante.

Sweet Tooth é a adaptação de uma HQ da Vertigo, linha da DC Comics, lançada originalmente entre 2009 e 2013. O piloto para a Netflix foi feito em 2019, mas quem assiste logo saca que o grosso dos episódios foram produzidos em 2020, bebendo da expertise de uma pandemia real. Isso porque a série tem como contexto uma doença, parecida com uma gripe, que aniquila boa parte da humanidade, e diversas cenas mostram detalhes mais do que familiares para quem viveu o último ano: frascos de álcool gel espalhados pelo cenário, placas pedindo o uso de máscaras, distanciamento social marcado em adesivos no chão. Fala-se em teorias envolvendo a fabricação do vírus em laboratório, mostra-se a exclusão dos contaminados e, numa cena perto do fim, vemos um homem zombando da doença, afirmando com toda a convicção que “eles querem que surtemos” e retirando o equipamento de proteção para fumar e ainda dar uma baforada na cara do amigo incrédulo. Se não são esses os momentos mais distópicos da realidade, não sei quais são.

O foco da série não é a doença, o que é um alívio, mas sim a misteriosa “epidemia” secundária que acompanha o evento, quando centenas de bebês começam a nascer diferentes… Com atributos físicos de animais. Chamam-nos de “híbridos”, mas são crianças geradas por casais humanos. O protagonista, como você já deve ter percebido pela imagem no topo desta página, é uma dessas crianças: um garotinho (Christian Convery) que é a fofura em forma de gente (meia-gente?) e que é “híbrido” de cervo, com chifres e orelhinhas que se movem de acordo com seu humor. 

Como é de se esperar de uma história distópica, essas crianças passam a ser caçadas por todo o tipo de “homens maus” – governo, exército, mercenários, escolha o seu. Afinal, eles representam iconicamente o drama do pós-humano: uma “nova espécie” que promete substituir a humanidade (ela nasce enquanto você morre), mas que é, ao mesmo tempo, uma evolução dela. Uma evolução mais conectada com a natureza, único futuro imaginável hoje em dia. E é claro que as pessoas têm medo de que a “velha” humanidade, sem orelhas dançantes ou focinhos peludos, desapareça, e acham que eliminar a novidade vai fazer o mundo voltar ao que era antes. 

Tolinhos, não são sempre?

Por outro lado, espécies misteriosas são sempre alvo de experimentos científicos, tanto quanto do ódio e do extermínio, e, mesmo quando esses experimentos têm a melhor das intenções – como buscar a cura para uma pandemia, por exemplo –, também sabemos que, para o bem da narrativa, nenhum tipo de estudo pode ser feito sem que o “objeto” morra uma morte terrível. Está formado o dilema moral que acompanhará a jornada do nosso protagonista e dos outros personagens que serão apresentados, um a um, ao longo de oito episódios de 40 a 50 e poucos minutos.

Sweet Tooth já está disponível na Netflix e é uma pedida certeira para quem procura um pouco de leveza e humanidade em meio a todo esse caos. 

Verão de 85: tem Ozon estreando nos cinemas

Acho que, depois de seis ou sete filmes, já posso dizer que sou fã do François Ozon. Não que eu AME todos os trabalhos do diretor francês, mas suas contradições me fascinam desde Dentro da Casa, de 2012 – meu favorito até hoje. Para mim, Ozon representa a intersecção entre a ousadia e a delicadeza, os temas polêmicos e a forma suave. Seus filmes sempre carregam uma tensão sexual que se equilibra entre a curiosidade e a obsessão, suas histórias sempre explorando relações de poder, identidades ambíguas e os mistérios da ficção – o quanto nos transformamos em personagens quando contamos nossas histórias. Seu novo trabalho, Verão de 85, não é diferente.

O filme, que se inspira no livro Dance on my grave, de Aidan Chambers, e teria sido lançado no Festival de Cannes de 2020 se esse não tivesse sido cancelado, conta a história de um adolescente certinho, Alexis (Félix Lefebvre), que conhece um garoto um pouco mais velho (David, interpretado por Benjamin Voisin) que é praticamente seu oposto – alto, corajoso, confiante – e, é claro, se apaixona intensamente. Porém, o filme começa com uma narração de Alex, detido e irreconhecivelmente soturno, falando sobre morte, cadáveres e… Bem, sobre como David se transformou em um.

E é assim, com a sugestão de uma tragédia e um crime ainda não explicado, que começa essa história ensolarada sobre o amor e a inocência juvenil. Verão de 85 não é um suspense nem um horror, como a abertura faz parecer, mas Ozon gosta de deixar seu espectador com a sensação de que ele tem uma carta extra na manga – algo que você não sabe, e que torna tudo um tanto mais misterioso. Como a mãe de David (Valeria Bruni Tedeschi), que flerta com Alex de um jeito que beira o impróprio, e às vezes repousa alguns segundos numa expressão de loucura, provável reflexo da perda recente do marido.

A relação entre Alex e David também não é simples. Talvez o amor homossexual, tema frequente no cinema de Ozon, seja ideal para exprimir a tensão latente que ele tanto gosta de explorar. Não que eles hesitem em assumir qualquer coisa um ao outro ou a si mesmos, mas seu romance ainda se esconde do mundo – e das mães – sob paredes finas e portas fechadas. 

Para complicar, David propõe a Alex um pacto eterno: o último a morrer dançará no túmulo do outro. É uma proposta poética que combina com a personalidade imprudente de um e com o gosto pelos rituais fúnebres do outro. Alex se encanta por múmias, pirâmides e culturas que valorizam o além-vida, mas tenta explicar que isso não faz dele um psicopata ou um suicida. Não é que ele queira morrer, mas, aos 16, a morte está distante o suficiente para não ser ameaçadora. Ou isso é o que ele pensava.

É uma pena que Verão de 85 crie tantas expectativas sobre o seu final, que não corresponde. Ainda assim, o conjunto funciona e tem beleza, como um Me chame pelo seu nome em que os dois lados são adolescentes extremos e perdidos. O longa estreia nos cinemas neste fim de semana (a partir de 3 de junho), e deve chegar nos próximos meses às plataformas digitais. Já o próximo filme de Ozon, Tout s’est bien passé, já está no forno e, vejam só, competirá em Cannes no mês que vem. Não sei nada sobre ele e já quero ver.

Um ano e meio (quase)

Não posso dizer que estou sem sair há um ano e meio (quase). Tenho ido ao mercado, à farmácia, contornado meu quarteirão a pé todos os dias com Gabriel e Cacau. Tenho, também, visto meu irmão, meu pai, meus sogros, minhas cunhadas e minha sobrinha, com todos os seus 19 meses de vida. Vejo-os menos do que gostaria, mas mais do que qualquer outra pessoa. Encontrei até alguns amigos nesse meio-tempo, um casal por vez, não mais que duas ou três visitas por par. Alguns, vi uma vez; outros, nenhuma – e talvez já fosse ser mesmo assim. 

Fui duas vezes ao shopping, as duas no mesmo. Comi fora umas quatro ou cinco – abrindo lugares vazios às onze da manhã, escolhendo a noite mais fria e chuvosa para espantar outros clientes em potencial. Escolhi a calçada, ou o deck, ou onde houvesse uma janela enorme. Mesmo assim, parece que estive presente apenas pela metade. Um olho no copo, outro no álcool gel, o sorriso abafado, a risada envergonhada. Alta demais. Será que nos sentamos muito perto?

Fui, uma vez, andar na Avenida Paulista. Costumava fazer isso toda semana e foi estranho. Foi ruim. Passamos de carro pelo bairro da Liberdade, e quis parar para comprar uns shimejis, tomar um café, entrar numa loja de bugigangas para a cozinha. Não parei. Sentia falta de outra liberdade: a de descer numa estação qualquer e caminhar por onde quisessem meus pés. Não peguei um único metrô nem um único ônibus nesse ano inteiro. Nem cheguei a aproveitar o benefício do bilhete de estudante, porque, no semestre antes da pandemia, a burocracia emperrou. Agora o mestrado já está acabando e não sei dizer se realmente o fiz. Mestre do EAD, diria um diploma mais honesto. Mestre na arte de se isolar.

Venho vivendo nesse regime semi-aberto há um ano e meio (quase) e, outro dia, alguém achou graça quando disse que, obviamente (eu achava que era óbvio), estava entediada: “Ora, por quê? Você não sai de casa?”. Pois é, senhora, acho que não. Engraçado, né? Saio de casa, mas não saio de casa, desde que tudo isso começou. Não saio do trabalho, do escritório, da rotina, daquele cenário minúsculo e preenchido com meia dúzia de pessoas, todas conhecidas e cúmplices de uma história comum, como no mundo fechado de Truman. Controlado e previsível. É muito estranho que eu sinta falta dos desconhecidos? De ouvir conversas alheias e esbarrar em pessoas imprevistas, comer um salgado às pressas e dar bom dia ao cobrador? Ora, sinto falta das coisas mais banais. 

E, por algum motivo, achava que todas as pessoas estariam se sentindo assim. Falta das coisas banais, um certo excesso das essenciais. Mas aprendi que isolar-se é uma medida imprecisa e pessoal, e acontece de diferentes formas para cada um. Uns nem chegam a se isolar, mas se protegem de outras maneiras. Outros não. Cada um calcula seus riscos com a equação que lhe é dada. Até agora, tem funcionado para nós, eu e o Gabriel: somos os trouxas do isolamento, os bastiões das máscaras e das reuniões online. Mas estamos saudáveis, até onde se pode dizer: temos dores no pescoço, nas costas, na alma, uns picos de raiva, tristeza e desespero a cada edição do jornal da manhã… Talvez tenhamos aberto mão de coisas demais, ou talvez seja só o cansaço falando. Mas ainda estamos aqui, nós e todos os nossos: ainda estamos todos aqui. O que são mais alguns meses depois de um ano e meio (quase)?

De volta para casa: drama italiano para ver de graça em junho

Desde maio, o Belas Artes à la Carte vem oferecendo uma programação bem bacana de filmes italianos de graça na sua plataforma, em parceria com o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo. Com o nome de Cine Clube Italiano, o evento exibe um filme por mês, que fica disponível por uma semana para assinantes e não-assinantes. É isso aí: de graça, online e pra todo mundo! Melhor não fica, né?

Em junho, o filme escolhido é o drama com um toquezinho de suspense De volta para casa, da diretora Cristina Comencini, de 2019. Ele ficará em cartaz entre os dias 4 e 10, com direito a um bate-papo especial no dia 9, às 18h30, com o crítico Miguel Barbieri Jr. e o gerente de inteligência do grupo Belas Artes, Léo Mendes.

Não sei bem o que me atraiu para esse filme, mas, desde que bati o olho nas primeiras imagens, fiquei interessada. Talvez tenha sido a descrição da protagonista, Alice (Giovanna Mezzogiorno), como uma jornalista de 40 anos que se reconecta com seu passado numa cidadezinha litorânea. Ou talvez tenha sido a beleza do lugar, da luz, do figurino e dos olhares meio receosos dessa mulher que hesita em lembrar de quem um dia já foi. 

Na verdade, a profissão se mostra irrelevante para a história, mas todo o resto fez jus às impressões iniciais: sob o sol italiano, vibrante e límpido como se quisesse revelar mais claramente cada movimento, essa mulher revisita momentos-chave de sua infância e juventude. Percorrendo cômodos e refazendo percursos, ela tenta entender quando foi que aquela garota alegre e despreocupadamente sedutora se perdeu, dando lugar à profissional distante, mãe, divorciada e cheia de preocupações e medos que vemos agora.

Il trailer di Tornare, il nuovo film di Cristina Comencini arriva on demand

Alice retorna a Nápoles para enterrar o pai, com quem não tinha a melhor das relações. Apesar disso, um homem desconhecido aparece no velório e diz a ela que seu pai tinha muito orgulho, sim, e que falava frequentemente da filha. Ele se apresenta como Mark, e conta que tinha sido contratado para ler para o idoso nos últimos seis meses de sua vida. 

É curioso como, desde o início, o filme nos deixa com um pé atrás, mas não sabemos ao certo por quê. Alice e sua irmã, por exemplo, parecem estranhar a informação de que seu pai fosse um grande apreciador de livros, mas ninguém volta a tocar no assunto. Logo, a irmã volta para sua cidade, Alice fica sozinha no casarão da família e é aí que a jornada realmente começa.

Atribuo um “toquezinho” de suspense à obra porque, apesar de apresentar um senso mais forte de perigo nas sequências finais, o filme trabalha muito mais o drama psicológico, explorando o lado terapêutico do retorno a um local do passado. A forma como Comencini escolhe mostrar esse retorno é delicada e fascinante: ela coloca Alice literalmente em diálogo com suas versões mais jovens – uma Alice adolescente, de 18 anos, e uma criança. Assim, a protagonista não apenas assiste às suas memórias, mas participa ativamente delas, trocando conselhos com suas outras Alices e descobrindo detalhes que já estavam há muito esquecidos.

A história se revela aos poucos, em pequenos comentários como os de moradores da cidade que lembram da rebeldia da jovem Alice, ou o de uma freira que lamenta a saída precoce da estudante. O que aconteceu ali é o que nós e Alice queremos descobrir, mas os fatos são apenas representações de uma discussão muito maior. Uma discussão sobre homens e mulheres – homens maus, homens bons, mulheres livres e aprisionadas, pais e filhas, maridos e esposas. A diretora, que assina o roteiro ao lado de Giulia Calenda, questiona o discurso de proteção que se impõe sobre meninas e mulheres (especialmente nos anos 60 daquelas memórias) e convida o espectador a encarar o lado podre dessa crença. Afinal, protegida de quê? De quem? Emerald Fennell, diretora e roteirista de Bela Vingança, teria muito a conversar com Comencini.

Agradecimentos (sinceros)

Estava pensando no quanto odeio agradecimentos em trabalhos acadêmicos, porque sempre soam falsos e burocráticos… Então decidi escrever o que eu realmente gostaria de colocar naquela página, quando entregar minha dissertação daqui a mais ou menos um mês. Talvez eu coloque de verdade… Quem sabe?


Gra-ti-dão

Agradeço a Ursula K. Le Guin por ter me dado um motivo para fazer mestrado, e peço desculpas por não ter seguido com o nosso plano. Tive medo de te odiar até o fim da pesquisa, e por algum motivo não pude deixar de escrever sobre cinema. Você não estava no cinema.

Agradeço a Philip K. Dick por ter sido minha segunda opção e inspirado o trabalho que realmente entrego agora. Não, eu não te odiei no final das contas… Só por algumas semanas, lá no meio, quando li seus contos. Sério, você tem problemas com personagens femininas. 

Agradeço também a Ridley Scott e Denis Villeneuve por terem escolhido uma obra com um nome tão longo e peculiar para adaptar e expandir (quer dizer, Androides sonham com ovelhas elétricas? não é o melhor título que você já viu?), e por terem feito desse trabalho uma arte. Se aceitam uma sugestão, experimentem escolher uma ficção científica de autoria feminina para adaptar de vez em quando. Se tivessem feito isso, talvez eu não precisasse desistir da minha primeira opção.

Uma dissertação digital não tem o mesmo impacto que uma impressa, né? E acabei de ver que preciso arrumar essa data.

Acima de tudo, agradeço aos deuses da pirataria por terem disponibilizado tantos PDFs para download. Sem eles, não haveria pesquisa. Com certeza devo muito à biblioteca do Mackenzie (que saudades de escalar aquelas prateleiras empoeiradas!) e ao JSTOR por suas contribuições inestimáveis, mas a verdade é que, sem PDFs, não existe mestrado. Não quando a bolsa é de R$ 1.500.

Obrigada, também, ao amigo do Gabriel por ter emprestado aquele livro maravilhoso sobre A Arte de Blade Runner 2049. Você tem um lugar especial no meu coração e aquele livro também. Acho que artbooks vão virar minha nova obsessão… Ou não. Bem, talvez se eles não fossem tão caros (e agora serei uma mestre desempregada).

Por fim, agradeço ao meu Macbook Air 2013 por ter aguentado cada sprint de escrita, cada PDF suspeito, cada cena repetida mil vezes no Youtube ou na Netflix, cada lágrima ou café derramado, cada arquivo copiado pela vigésima vez para o Drive, o HD, a nuvem, o céu e o inferno, tudo ao mesmo tempo, com a memória no talo. Obrigada por me acompanhar durante mais essa jornada. Prometo não te fazer passar por um doutorado.

Essa promessa vale por uns dois anos, OK?

Enfim, obrigada.

O que faz um filme ruim?

Antes de ontem, quis assistir a alguma coisa boba. Um filme que não prometesse muito, nem decepcionasse, para ver comendo pipoca de cérebro semi-desligado. Parece fácil, mas vocês ficariam surpresos com o quão raro é encontrar um desses por aqui – na maioria das vezes, me irrito com os primeiros dez minutos e vou ver outra coisa, que pode ser ótima, mas nem de longe era o petisco relaxante que eu procurava. O eleito, dessa vez, foi um filminho de ficção científica da Netflix que já tínhamos considerado mais do que algumas vezes só porque o protagonista era o Michael Peña e, pelo menos como coadjuvante em Homem Formiga, ele tinha sido simpático. Queríamos alguém simpático para aquela sexta-feira à noite.

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Críticas do Oscar – Meu Pai

Pouco a pouco, vou me atualizando sobre os filmes indicados ao Oscar – se é que faz sentido pensar em Oscar no ano-sem-cinema de 2021. Neste ano, o ritmo está mais lento, e nem o grande favorito nem a possível zebra da vez chegaram ainda, mas alguns outros títulos já estão disponíveis e, já que não se pode excluir ninguém depois que Green Book e Moonlight levaram a estatueta, vamos conferindo tudo o que dá. Já risquei da categoria de Melhor Filme O Som do Silêncio (em cartaz na Amazon Prime), Os 7 de Chicago (na Netflix) e, agora, Meu Pai, que chega às plataformas no dia 9 de abril para compra e no 28 para aluguel, mas foi exibido com um pouco de antecedência para os ansiosos da imprensa. Espero escrever sobre todos esses e alguns outros antes do dia 25, quando acontece a premiação. Torçam por mim!

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Novos e velhos heróis

Zack Snyder não é exatamente meu exemplo de diretor de cinema. Apesar disso, passei quatro horas da última quinta-feira conferindo a sua versão do pipocão-sessão-da-tarde Liga da Justiça, filme lançado em 2017 que ele começou, mas não pôde terminar em decorrência de uma tragédia pessoal. Na época, Joss Whedon assumiu o volante e se deu mal: misturar duas visões de uma mesma obra, assim, às pressas, nunca poderia ter dado muito certo, e o resultado foi visivelmente caótico. Mas por que me dar ao trabalho de assistir à nova versão? Bem, um pouco para poder acompanhar as discussões na internet, um pouco porque conseguimos acessar uma promoção bem baratinha do Google Play (se fosse para pagar R$ 50 a história seria outra), e um pouco por curiosidade sobre o que ele poderia me dizer dos novos caminhos do cinema de massa.

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Que jornalismo queremos?

Tenho me feito variações dessa pergunta todos os dias há algum tempo. O que é jornalismo para mim? O que eu espero dele? O que vocês esperam dele? Onde e como “consumimos” (odeio essa palavra) notícias hoje? Onde o jornalismo cultural se encaixa? Em que medida ele precisa ser um pouco publicidade, um pouco opinião, um pouco entretenimento, um pouco informação, e quando foi que essa balança passou a pender tanto para o primeiro lado? Onde estão os jornalistas culturais hoje? Eles ainda acreditam no que fazem? Alguém ainda acredita no que eles fazem?

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A grama dos outros é mais fácil de cuidar

Desde que virou o ano, tenho andado meio workaholic. Desesperada para produzir alguma coisa, seja lá o que for, seja lá como for, desde que seja agora. Acho que é a iminência do fim do mestrado, e com ele do sentido da vida que vem junto com o ritual de conquista de mais um diploma universitário. Não que uma dissertação (que é basicamente um livro) não seja produção suficiente, mas, profissionalmente falando, ela não vale muita coisa. Não depois da defesa. E a necessidade aliada ao tédio de um ano cheio de referências bibliográficas e nenhuma vida social é a mãe da inspiração. E da produtividade. Então podem vir textos, podem vir vídeos, podem vir posts que eu to topando!

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