Até a Netflix está preocupada com o totalitarismo

Acabei de ver, meio por acaso, o primeiro episódio de uma série documental da Netflix chamada Como se tornar um tirano. Ela deve ter acabado de chegar, já que a data de lançamento é 2021, e não poderia ter vindo em melhor momento. Na verdade, sua existência é quase um mau sinal: se chegamos no ponto em que a cultura pop está discutindo tirania e desenhando didaticamente o que significa ser um tirano (mais didaticamente do que Harry Potter e Star Wars), é porque talvez já seja tarde demais. 

Pessimismo à parte, lembro-me de quando estava na escola, talvez no colegial, e minha professora de História tentava explicar a um bando de alunos incrédulos como a Alemanha nazista tinha se tornado uma realidade. “Que povo cruel!”, julgávamos, do alto de nossos incontestáveis bons-sensos. “Como eles podem ter concordado com isso?”. E a História parecia, naquele momento, apenas uma curiosidade sobre um mundo distante que precisávamos conhecer porque cairia na prova. 

Acho que o filme A Onda foi o primeiro a plantar a dúvida em muitos de nós. “Será que…”, começamos a nos perguntar, preocupados, “Será que somos muito mais manipuláveis do que imaginávamos? Será que aquilo poderia acontecer com qualquer um de nós?!”. 

Ah, a ignorância é uma bênção, né?

Sempre ouvi dizer que a História era cíclica, e até pouco tempo atrás tinha a sensação de que isso só se aplicava ao mundo da moda, que cansava de inovar e colava da geração anterior a cada duas ou três décadas, previsivelmente. Quanto à História real, ela era feita de ciclos enormes – coisa de séculos, que eu não ia ver. Imagine, uma crise de verdade? Ditadura, guerra, assassinatos políticos? Não na minha vez.

Aí, já não era ignorância. Era negação. Meu cérebro tentando se autopreservar durante uma juventude alimentada por George Orwell, Aldous Huxley e Ray Bradbury e professoras desanimadoramente realistas, como aquela. Mas a verdade é que, depois que você aprende a ler os sinais, fica ridiculamente fácil reconhecer um governo potencialmente totalitário, ou tirânico, quando você o vê. E, a julgar pela série da Netflix, não somos apenas nós que estamos olhando para ele.

Como se tornar um tirano tem como alvo todas aquelas pessoas que, como eu e meus colegas no colegial, não acreditam que o nazismo poderia nascer aqui, hoje, e acham exagero quando alguém compara, por exemplo, Bolsonaro a Hitler. De fato, eles não são iguais, e o Brasil de 2021 não é a Alemanha de 1934, mas não se iluda pensando que Hitler era, de alguma forma, especial, ou que sua influência sobre o povo alemão não tem semelhanças com o que está acontecendo aqui e em outros países no mundo, agora. 

Isso pode parecer uma teoria da conspiração, mas é só História. O totalitarismo, como bem notou Hannah Arendt, tem padrões muito claros, e a turma de Adolph ajudou a lapidar alguns deles. É aqui, então, que entra a série. Narrada por Peter Dinklage (experiente em tronos e tiranias) e costurada pelas trajetórias de Hitler, Stálin, Kim Il-Sung, Muammar Khadafi e Idi Amin Dada, ela aproveita o formato portátil dos episódios de meia-hora, com ilustrações dinâmicas e tom de voz despojado, para ensinar ao público quais são esses padrões. Então, sob o disfarce de um “livro de regras” para aconselhar um futuro tirano, a produção vai tentando tornar o espectador mais preparado para reconhecer o perigo e, quem sabe, não se deixar manipular tão facilmente da próxima vez (ou nesta). Bem sabemos que conhecer o problema não é suficiente para impedir que ele aconteça, mas é um bom primeiro passo. 

Se tudo isso está soando abstrato demais, aqui vão alguns dos ingredientes essenciais para a criação de um tirano, segundo esse “livro de regras”:

  1. Megalomania, excesso de autoconfiança ou simples narcisismo delirante: a arte de acreditar que “só você pode salvar o mundo”, como vem ensinando Hollywood há pelo menos meio século (Neo, estou olhando para você)
  1. Um dedo bem apontado para o Outro: uma nação feliz não tem interesse em tiranos, então é importante identificar algo que esteja causando indignação (como uma crise econômica), e depois eleger um Grande Culpado (que nunca será você mesmo, é claro, mas normalmente imigrantes, acadêmicos, artistas, mulheres um pouco mais questionadoras, comunistas, judeus etc). O Partido Nazista, vejam só, ascendeu depois da Queda da Bolsa de 29, o que me faz pensar se a ascensão global da extrema direita nos dias de hoje não pode ser um reflexo da crise de 2008, quando uma série de bancos americanos quebraram em decorrência da bolha imobiliária, afetando mercados do mundo inteiro.
  1. Gente como a gente: nada como uma caneta Bic para mostrar que alguém é simples, né? Pois os maiores ditadores da História sempre se preocuparam em manter uma imagem próxima do povo para que fossem reconhecidos como os “verdadeiros representantes” do país, mesmo que isso só fosse verdade na hora da foto. Afinal, isso não é sobre um partido ou um plano de governo, mas sobre criar um ídolo. 
  1. Publicidade é tudo: Goebbels sabia disso. Hoje em dia, talvez a publicidade clássica, baseada na repetição infinita de uma imagem e uma ideia, tenha sido substituída pelo investimento na desinformação – com mil fontes dizendo coisas diferentes, quem é que vai acreditar nos jornais quando eles apontarem os erros do governo?
  1. Esquadrão de minions: pra quem não sabe, o termo “minion”, usado na animação “Meu malvado favorito”, significa algo como “capanga”, ou “seguidor fiel” de alguém poderoso, frequentemente um vilão. Como explica Dinklage (e a História), qualquer pessoa que pretenda aplicar um golpe de governo e se manter ali, numa posição de poder absoluto, precisa se cercar de aliados extremamente fiéis, capazes de fechar os olhos para tudo o que ocorrer de absurdo ou desumano (como campos de concentração nazistas), por lealdade à sua imagem.

E isso foi só o primeiro episódio. Deu até um medinho, né? 

Pensar demais (ou como fazer as malas para o fim do mundo)

Existe uma palavra em inglês que me representa mais do que qualquer outra: “overthink”. Algo como “pensar excessivamente”. Mais que o necessário, mais que o limite do saudável. Como agora, quando tento escrever um texto sobre a dificuldade de colocar as coisas em prática por questionar cada passo exageradamente, e tudo o que me vem à mente são frases como “será que você deveria estar escrevendo esse texto?”; “quem vai ler?”; “você não sabe do que está falando”; “isso não combina com o resto do conteúdo do seu site”; “por que você inventou de fazer listas de estreias, mesmo?”; “essa frase aí está truncada”; “você tem esse vício no começo das suas orações, já reparou?”; “você precisa mesmo de mais um exemplo?”; etc, etc. 

Às vezes, o pensamento excessivo se expressa assim, em dúvida e auto-sabotagem, mas nem sempre. Às vezes, é preocupação pura e simples: tenho uma reunião marcada, ou um trabalho novo, ou uma burocracia qualquer para preencher, uma bagagem para despachar, e é o fim. Ou o começo, de uma espiral de cenários possíveis que começam a se materializar na minha cabeça, um atropelando o outro e me deixando exausta antes mesmo de começar. Não é que eu ache que as coisas vão necessariamente dar errado, mas pensar sobre tudo o que eu posso vir a fazer de errado e tudo o que eu preciso fazer para garantir que isso não aconteça, e repensar infinitas vezes até a hora da coisa-em-si é como viver a tensão da experiência em looping, multiplicada – e sempre, invariavelmente, descobrir que a realidade era muito mais simples do que qualquer uma das versões que antecipei. 

Não há conclusão possível quando sua cabeça sabe que tudo é relativo

Nada disso é muito produtivo, caso você esteja se questionando. Afinal, cada hora que eu passo refletindo sobre causas, consequências, cenários e possibilidades é uma hora a menos de concentração para o que eu realmente poderia estar fazendo. E já falei sobre o quão difícil é fazer escolhas quando se pensa demais? Ora, é óbvio: se você se vê diante de A, B e C, sua mente irá imediatamente listar – e questionar – todos os pontos positivos e negativos de cada opção, até começar a duvidar se os positivos eram realmente positivos e vice-versa. Não há conclusão possível quando sua cabeça sabe que tudo é relativo, e que qualquer caminho esconde múltiplas ramificações. Ela não está errada, mas também não está ajudando. 

O Chidi, da série The Good Place, me representa como ninguém.

the good place chidi anagonye gif | WiffleGif

Esta noite, sonhei que estava fazendo as malas para o apocalipse. Eu sei, meus sonhos são estranhos, mas, naquele momento, parecia claro que eu precisava escolher bem os meus pertences – aqueles que eu levaria numa mochilinha para encarar a vida fora de casa, na estrada e sem civilização até sabe-se lá quando. Pensei em tênis, sabonetes, comida, atrasei todo mundo tomando um último banho antes de sair porque isso ia fazer to-da a diferença e, em algum momento, comecei a perguntar onde estavam os carregadores (de celular e computador, ítens essenciais em qualquer fim de mundo). Absurdo, claro. Queria empacotar a vida inteira e colocá-la nas costas, então correr como se não houvesse peso nem amanhã… E não havia mesmo, ali na segurança do meu sonho. Mas eu nem estava com medo de o céu cair sobre minha cabeça, isso é o pior: o medo era de não saber do que eu ou as pessoas que iriam comigo precisaríamos, até que o céu caísse sobre nossas cabeças. O medo era de não estar preparada o suficiente, com ou sem apocalipse. 

Pensando agora, acho que era minha mente revivendo cada véspera de viagem em que tentei especular sobre absolutamente tudo o que poderia acontecer, e mesmo assim acabei esquecendo de algo importante. Pensando mais um pouco, eu provavelmente seria a primeira a morrer num apocalipse real.

“Por quê?” tem sido minha pergunta-armadilha

Ando pensando (evidentemente) nisso tudo na esperança de que me ajude a entender o que foi que deu errado. Por que desisti das coisas que desisti e por que cada projeto que comecei caiu tão rápido na caixinha de coisas questionadas – “por quê?” tem sido minha pergunta-armadilha desde que acabou a estrada bem asfaltada da vida escolar. E percebo que ela não tem me deixado aproveitar o “o quê” das experiências da vida. Ela me diz que, se não houver um motivo que resista a todas as indagações, então não posso, não devo – preciso desesperadamente olhar para o outro lado. Uma daquelas (outras) opções deve ser “a coisa certa”, o “meu propósito”… 

E eu sei muito bem o que você está pensando. Meses atrás, a Pixar e sua (mal-resolvida, mas persistente) animação Soul também me disseram isso: que devo sim, que posso o que for. Que o propósito é supervalorizado, o caminho certo é uma ilusão, e que passar todos os dias olhando para o passado com medo de errar no futuro é um ótimo jeito de não viver. Sou especialmente boa nisso, e você?

E, falando em porquês, por que será que escrevo isso, para todo mundo ver (adicionando mais algumas dúvidas à coleção)? Bem, acho que é porque, como Ethan Hawke surpreendentemente falou outro dia neste TED Talk, o trabalho de escritores, poetas e outros artistas da palavra é tentar dar sentido e colocar certa ordem nos sentimentos que muitos temos, mas que alguns de nós não conseguem expressar, e ficam sufocados. Mostramos, com nossos próprios sentimentos traduzidos, que essas pessoas não estão sozinhas. E esperamos descobrir que também não estamos.

Mas será…?


Foto de Andrew Neel (via Unsplash)

Um ano e meio (quase)

Não posso dizer que estou sem sair há um ano e meio (quase). Tenho ido ao mercado, à farmácia, contornado meu quarteirão a pé todos os dias com Gabriel e Cacau. Tenho, também, visto meu irmão, meu pai, meus sogros, minhas cunhadas e minha sobrinha, com todos os seus 19 meses de vida. Vejo-os menos do que gostaria, mas mais do que qualquer outra pessoa. Encontrei até alguns amigos nesse meio-tempo, um casal por vez, não mais que duas ou três visitas por par. Alguns, vi uma vez; outros, nenhuma – e talvez já fosse ser mesmo assim. 

Fui duas vezes ao shopping, as duas no mesmo. Comi fora umas quatro ou cinco – abrindo lugares vazios às onze da manhã, escolhendo a noite mais fria e chuvosa para espantar outros clientes em potencial. Escolhi a calçada, ou o deck, ou onde houvesse uma janela enorme. Mesmo assim, parece que estive presente apenas pela metade. Um olho no copo, outro no álcool gel, o sorriso abafado, a risada envergonhada. Alta demais. Será que nos sentamos muito perto?

Fui, uma vez, andar na Avenida Paulista. Costumava fazer isso toda semana e foi estranho. Foi ruim. Passamos de carro pelo bairro da Liberdade, e quis parar para comprar uns shimejis, tomar um café, entrar numa loja de bugigangas para a cozinha. Não parei. Sentia falta de outra liberdade: a de descer numa estação qualquer e caminhar por onde quisessem meus pés. Não peguei um único metrô nem um único ônibus nesse ano inteiro. Nem cheguei a aproveitar o benefício do bilhete de estudante, porque, no semestre antes da pandemia, a burocracia emperrou. Agora o mestrado já está acabando e não sei dizer se realmente o fiz. Mestre do EAD, diria um diploma mais honesto. Mestre na arte de se isolar.

Venho vivendo nesse regime semi-aberto há um ano e meio (quase) e, outro dia, alguém achou graça quando disse que, obviamente (eu achava que era óbvio), estava entediada: “Ora, por quê? Você não sai de casa?”. Pois é, senhora, acho que não. Engraçado, né? Saio de casa, mas não saio de casa, desde que tudo isso começou. Não saio do trabalho, do escritório, da rotina, daquele cenário minúsculo e preenchido com meia dúzia de pessoas, todas conhecidas e cúmplices de uma história comum, como no mundo fechado de Truman. Controlado e previsível. É muito estranho que eu sinta falta dos desconhecidos? De ouvir conversas alheias e esbarrar em pessoas imprevistas, comer um salgado às pressas e dar bom dia ao cobrador? Ora, sinto falta das coisas mais banais. 

E, por algum motivo, achava que todas as pessoas estariam se sentindo assim. Falta das coisas banais, um certo excesso das essenciais. Mas aprendi que isolar-se é uma medida imprecisa e pessoal, e acontece de diferentes formas para cada um. Uns nem chegam a se isolar, mas se protegem de outras maneiras. Outros não. Cada um calcula seus riscos com a equação que lhe é dada. Até agora, tem funcionado para nós, eu e o Gabriel: somos os trouxas do isolamento, os bastiões das máscaras e das reuniões online. Mas estamos saudáveis, até onde se pode dizer: temos dores no pescoço, nas costas, na alma, uns picos de raiva, tristeza e desespero a cada edição do jornal da manhã… Talvez tenhamos aberto mão de coisas demais, ou talvez seja só o cansaço falando. Mas ainda estamos aqui, nós e todos os nossos: ainda estamos todos aqui. O que são mais alguns meses depois de um ano e meio (quase)?

A grama dos outros é mais fácil de cuidar

Desde que virou o ano, tenho andado meio workaholic. Desesperada para produzir alguma coisa, seja lá o que for, seja lá como for, desde que seja agora. Acho que é a iminência do fim do mestrado, e com ele do sentido da vida que vem junto com o ritual de conquista de mais um diploma universitário. Não que uma dissertação (que é basicamente um livro) não seja produção suficiente, mas, profissionalmente falando, ela não vale muita coisa. Não depois da defesa. E a necessidade aliada ao tédio de um ano cheio de referências bibliográficas e nenhuma vida social é a mãe da inspiração. E da produtividade. Então podem vir textos, podem vir vídeos, podem vir posts que eu to topando!

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Sem internet

Eram umas onze horas quando apertei o play para assistir ao novo queridinho da Netflix, Malcolm e Marie. Estava oscilando entre começar a rascunhar uns parágrafos para a dissertação ou preparar alguns posts para as redes do Caderno e decidi que um filme assim no meio do dia era uma boa terceira opção: repertório nunca é demais, não é mesmo? Mas ando desconfiando de que o destino gosta de me repreender, e nem me espantei quando a página não carregou. Esperei alguns minutos, tentei de novo. Nope. Da sala, o Gabriel gritou: “Você também está sem internet?”. Ora ora, pelo jeito estou.

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Depois do fim do mundo

Sempre achei este período entre o Natal e os primeiros dias de janeiro um momento especial. Tenho a tradição de arrumar meus armários, minhas gavetas, meus cadernos, consolidar todas as listas de filmes, séries, livros e o que quer que seja que resolvi anotar naquele ano e virar uma página nova, abrir um caderno novo ou pregar uma nova folha na parede (ou todas as anteriores) e escrever os quatro números que me acompanharão todos os dias do ano que está por vir. Gosto de começos. Gosto de ciclos fechados, metas e planos. Raramente os cumpro, mas isso pouco importa. O prazer está em fazê-los.

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Do reino dos porquês

Já faz um tempo que tenho cultivado um carinho especial pelos porquês. Sei que são um capricho, que mais inspiram dor de cabeça e ódio à gramática do que amor pela língua portuguesa, mas essa sou eu. Gosto de coisas assim. Acho um mimo ter uma língua que se dá ao trabalho de eleger grafias diferentes para diferentes usos da mesmíssima palavra: uma para perguntar, uma para explicar, uma para a coisa explicada e uma última apenas para enfatizar a indignação de quem indaga. Me parece uma língua encantada com perguntas e respostas, uma língua provocadora que talvez um dia tenha pertencido a uma nação indignada, cheia dos porquês acentuados e devidamente separados ao final de suas frases gritadas.

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Fazendo você mesmo

Desculpem a demora em escrever, andei ocupada reinventando a vida.

Numa dessas, inventei de procurar (na internet, pois Covid) um organizador de mesa. Coisa simples, só pra deixar os papéis na vertical e ocupar menos espaço, juntar canetas, tesoura, cola, régua, aquela coisa toda que transforma qualquer meio metro quadrado em incompreensível caos. Era para a mesa de jantar, no caso, que resolvemos cooptar para trabalhos artesanais porque no escritório já não cabe mais… Lá fui eu: papelaria – escritório – organização…

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“Beijos, Mama”

A primeira vez que minha mãe me mandou um postal, ela estava em Nova York. O cartão só foi chegar semanas depois e achei a maior graça, porque foi ela mesma que o recebeu na casa da minha avó. Eu devia ter uns sete ou oito anos e não entendia direito para que servia aquele papel.

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