Homem-Aranha no Aranhaverso: seis aranhas para a nova geração

Depois de anos de super-heróis amadurecidos, sombrios, metidos em guerras mundiais, grandes dilemas morais ou na subversão tão pós-moderna dos conceitos de bem e mal, a animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” chega aos cinemas bem menos pretensiosa, devolvendo o gênero às crianças e lembrando aos adultos que toda aventura começa tão pequena quanto uma picada de aranha num garoto inseguro.

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O Grinch: fofura natalina para derreter corações gelados

Vocês se lembram dele, não se lembram? Verde, rabugento, querendo destruir o Natal… No Brasil, as criações do autor infantil Dr. Seuss não são tão conhecidas, mas, em 2000, um filme estrelado por Jim Carrey tornou uma de suas criaturas bem famosa – mesmo que não exatamente amada. É que o longa, que também veio com o nome “O Grinch” (“How the Grinch Stole Christmas”, no original), era um live action e os personagens da “Quemlândia” mais pareciam monstrinhos excêntricos do que alegres cidadãos apaixonados pelas luzes natalinas. O próprio Grinch, então, era de causar pesadelos. Continuar lendo “O Grinch: fofura natalina para derreter corações gelados”

O Anima Mundi 2018 vem aí (e já conhecemos alguns destaques)

Tem gente que acha que animação é coisa de criança e, com isso, estão tentando dizer que é ruim. Não sei se reviro os olhos e ignoro ou respiro fundo, convido para um jantar e coloco discretamente para rodar uma sessão de “Mary & Max”, “Túmulo dos Vagalumes” ou “O Castelo Animado”. Ainda não me decidi. Continuar lendo “O Anima Mundi 2018 vem aí (e já conhecemos alguns destaques)”

14 anos depois, eles ainda são Incríveis

Vamos falar de perspectiva? Em 2004, a Pixar lançou nos cinemas um filme chamado “Os Incríveis”. Era uma animação diferente, que agradou tanto aos pais quanto aos filhos num tempo em que desenhos animados eram coisa de criança – e os adultos odiavam ter que acompanhá-las. É, o mundo já foi assim e você nem se lembrava.

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Feminismos animados

Nos últimos dias, uma enxurrada de trailers inundou a internet, mas dois em particular me chamaram a atenção: “Wifi Ralph” e “Uma Aventura Lego 2”. Ambos sequência, ambos animados, ambos inspirados em brinquedos nostálgicos. E ambos tentando fazer um mea culpa gigantesco em tempos de #TimesUp.

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Nada se cria

Quanto mais eu olho para a cultura, mais certeza tenho de que vivemos num looping, correndo atrás de nossas próprias caudas com o desespero de um cão faminto… “Nada se cria”, já dizia Lavoisier, e tenho cada vez mais certeza de que tudo se copia. Inclusive a si mesmo.

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FC! Review – Procurando Dory


Hoje estreamos o FC! Review, um novo programa no Fala, Cinéfilo! com críticas de filmes. Para começar, mergulhamos no universo da Pixar para falar de “Procurando Dory”, principal estreia desta quinta-feira, 30 de junho.
O filme é a primeira sequência de “Procurando Nemo” e acompanha Dory, Marlin e Nemo em mais uma aventura pelos mares, desta vez para encontrar os pais da esquecida peixinha azul.

Gostou? Deixe seus comentários! Queremos saber o que você achou do filme e do programa para melhorarmos sempre.

Confira mais vídeos sobre cinema no canal Fala, Cinéfilo!

Crítica: “Mogli – O Menino Lobo” eleva a animação realista ao próximo nível

Qual é a linha exata que separa um live action de uma animação? Na nova adaptação do clássico “Mogli – O Menino Lobo”, que chega aos cinemas nesta quinta-feira (14/04) sob direção de Jon Favreau (do adorável “Chef”), os limites se revelam mais turvos (e irrelevantes) do que nunca.

O filme é em todos os sentidos mais intenso que o desenho de 1967, com o qual muitos espectadores tiveram o primeiro contato com a história de Rudyard Kipling: há mais aventura, mais drama, mais tensão, mais emoção. Mas nem era preciso. Com aqueles efeitos visuais, até a mais fraca das tramas seria hipnotizante.

“Mogli – O Menino Lobo” causa um espanto semelhante ao que causou “Avatar” em 2009, como se uma revolução técnica de repente desabrochasse diante dos olhos do espectador. A diferença é que, aqui, não é só o visual dos animais e da floresta (todos construídos em CGI, sobre um cenário quase completamente coberto por panos azuis) que surpreende, mas toda a qualidade da produção.

As vozes originais, gravadas por nomes como Bill Murray (o urso Baloo), Idris Elba (o tigre Shere Khan), Lupita Nyong’O (a loba Raksha) e Scarlett Johansson (a cobra Kaa), são tão responsáveis pela imersão na fantasia quanto o design – e o elenco faz um trabalho tão bom que o fato de dois animais digitais estarem conversando entre si (numa floresta digital) nunca parece falso.

Se isso tudo não faz de “Mogli – O Menino Lobo” uma animação, é porque existe um único ator em cena (Neel Sethi, que interpreta Mogli), acompanhado por alguns detalhes do cenário e eventuais marionetes. A captura de movimento dos animais e a criação dos cenários virtuais foram feitos antes das filmagens com o ator-mirim e combinados posteriormente.

O roteiro, escrito pelo quase estreante Justin Marks, tem sacadas inteligentes e funciona bem tanto para o público infantil quanto para o adulto – pelo menos, na maior parte do tempo. Uma cena, em especial, pode incomodar: quando o gigantesco orangotango Louie (Christopher Walken, cuja voz não combina tão bem com o personagem) tenta convencer Mogli a ajudá-lo, tem início um número musical desnecessário e um tanto inseguro – nem falado, nem propriamente cantado. Em seguida, acontece uma perseguição dentro das ruínas que parece saída de um videogame. Passado esse trecho, porém, o filme volta aos trilhos.

“Mogli – O Menino Lobo”, ao contrário de outras refilmagens recentes de clássicos da Disney, é um filme necessário. Favreau se permite distanciar do original (considerando, aqui, a animação dos anos 60 e não o livro), criando uma fábula mais atual, mais poderosa e mais livre – tanto no conteúdo quanto na forma. Despreocupado com rótulos, o filme consegue explorar todas as possibilidades do cinema como meio e atinge o “status” de experiência. Uma experiência que deve conquistar as novas (e as velhas) gerações.

 

Texto publicado originalmente no site Guia da Semana.

Fala, Cinéfilo! #01 – Oscar 2016, Snoopy, Creed e Reza a Lenda


Está no ar a primeira edição do Fala, Cinéfilo!!
Hoje, comentamos as indicações ao Oscar 2016 e destacamos cinco filmes em cartaz. “Carol”, “Creed – Nascido Para Lutar” e “Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme” estrearam no dia 14/01, enquanto “Joy” e “Reza a Lenda” estreiam no dia 21/01.
Se você quiser saber mais sobre os filmes comentados no programa, confira minhas críticas! Links abaixo:

O Regresso: http://bit.ly/1SmQ8x5
Mad Max: Estrada da Fúria: http://bit.ly/1e1muvY
Star Wars: Episódio VII – O Despertar da Força: http://bit.ly/1OwzPaq
Divertida Mente: http://bit.ly/1FBWP9q
Carol: http://bit.ly/1OdzdZJ
Creed: http://bit.ly/1N9awJX
Apostas para o Oscar 2016: http://bit.ly/1ZnfbiF
Veja a lista completa de indicados ao Oscar 2016: http://bit.ly/1Zs4UBF

Crítica: pesado e sem ritmo, “O Bom Dinossauro” caminha para se tornar o primeiro grande fracasso da Pixar

Até mesmo os grandes estúdios falham. No início deste ano, a Pixar trouxe aos cinemas uma das animações mais emocionantes e originais de todos os tempos, um filme que não surpreenderia ninguém se aparecesse entre os indicados às categorias mais altas do Oscar, lado a lado com live actions. Agora, menos de 12 meses depois, a mesma casa apresenta um longa que é o oposto disso.

dinossauro

O Bom Dinossauro” não é nem emocionante (pelo menos, não genuinamente), nem original. O filme se esforça demais para provocar tristeza e acaba assumindo um tom pesado, apoiado numa trilha melodramática e em cenas duras e apelativas. Para os adultos, tudo soa muito novelesco, mas, para as crianças, pode ser uma experiência traumática, já que falta a compensação de um final otimista ou dos personagens engraçados que normalmente equilibrariam as emoções.

O filme conta a história de um dinossauro chamado Arlo, que é o mais medroso de sua família. Depois de fracassar nas tarefas básicas da fazenda dos pais (sim, esses dinossauros são fazendeiros), ele tem a chance de se redimir se conseguir matar a criatura que está roubando toda a comida armazenada no silo. Na hora H, ele descobre que o ladrão é um menino humano (primitivo, que age como um cãozinho), sente pena e deixa-o fugir.

Quem tem um mínimo de experiência com filmes infantis já consegue descobrir, por esse prelúdio, tudo o que acontecerá em seguida: Arlo tentará consertar a situação, provocará um desastre e acabará se afastando da fazenda, depois reencontrará o menino (a quem chamará de Spot), se tornará amigo dele e passará o resto do filme procurando o caminho de casa.

Se a trajetória do protagonista parece tão previsível, alguns elementos são ainda mais familiares, descaradamente copiados do clássico infantil “O Rei Leão”. Há cenas inteiras reaproveitadas, além de personagens e situações muito semelhantes. Como se não bastasse, o ritmo não funciona: a jornada é lenta, as cenas dramáticas são exageradamente longas e os momentos de humor são curtos demais.

Tudo isso contribui para que “O Bom Dinossauro” seja, como vem se anunciando, o primeiro grande desastre comercial e de crítica do estúdio, mas a verdade é que os problemas começaram muito antes de ele chegar às telas. Marcado inicialmente para 2013, o projeto passou por uma troca de direção (de Bob Peterson, de “Up! Altas Aventuras”, para Peter Sohn, que só dirigira até então o curta “Parcialmente Nublado”), porque, segundo o presidente da Pixar Edwin Catmull, “Às vezes os diretores se envolvem tanto com suas ideias que é preciso uma pessoa de fora para terminá-las”. Mas isso não foi tudo.

Com a mudança, todo o roteiro foi reescrito e alguns personagens foram alterados, afetando também o elenco e exigindo novas gravações. O que vemos nos cinemas é a última versão de um texto produzido a dez mãos, retrabalhado diversas vezes porque ninguém acreditava que a história estava dando certo. Bem, talvez fosse o caso de desapegar e começar tudo do zero.

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.