Oito mulheres e o mesmo segredo

No sábado passado, fui animadíssima ao cinema assistir à nova versão de “Onze Homens e Um Segredo”, o todo-feminino “Oito Mulheres e Um Segredo”. Digo “nova versão” porque, convenhamos, não é exatamente outra história, tampouco uma continuação… Mas é um filme de assalto com um elenco incrível e, no fim das contas, é isso que a gente quer ver. Então fui lá, feliz da vida, descobrir como a mulherada ia roubar o Met Gala (mesmo que, no fundo, eu soubesse que aquele desfile de vestidos comportados estava bem longe de ser o “Met Gala”).

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Crítica: DeNiro esbanja carisma em “Um Senhor Estagiário”

Comédias despretensiosas e inteligentes nunca são demais. Melhor ainda se elas forem protagonizadas por Robert De Niro e Anne Hathaway, numa química entre gerações que não se via desde “O Diabo Veste Prada”, quando Hathaway contracenou com Meryl Streep.

estagiario

Em “Um Senhor Estagiário”, De Niro é Ben Whitaker, um viúvo aposentado que, cansado de ter tanto tempo livre, resolve se candidatar a um estágio numa empresa de e-commerce. Lá, ele é encaminhado para trabalhar diretamente com a fundadora e diretora Jules Ostin (Hathaway), uma mulher jovem e bem sucedida que prefere fazer tudo sozinha, mesmo que isso signifique não comer, não dormir e passar muito tempo longe do marido e da filha.

É, inclusive, uma grande surpresa quando descobrimos que Jules é mãe: parece impossível que alguém consiga conciliar tantas funções e ainda se dar tão bem em todas elas. Ela tem a ajuda do marido, que abandonou o trabalho para ser pai e dona-de-casa em tempo integral, pelo menos até a start-up da esposa se estabilizar. A relação entre os dois é um mar de fofura, mas logo, naturalmente, descobrimos que ela também tem seus tropeços.

No início, Jules acha que Ben pode atrapalhá-la, ou mesmo invadir seu espaço com seu jeito solícito “demais”, então não permite que ele tenha nenhuma função realmente importante. Mas ele não é ingênuo (como muitos idosos são retratados nos cinemas) e, ao invés de se ressentir, mantém olhos e ouvidos bem abertos até encontrar uma oportunidade e mostrar seu valor. A chance vem quando Jules ouve de seu próprio conselho que está na hora de contratar um CEO para controlar o crescimento da empresa.

A diretora Nancy Meyers não esconde seus temas favoritos e, como em trabalhos anteriores (entre eles “Do Que As Mulheres Gostam” e “Alguém Tem Que Ceder”), aqui também ela trata de envelhecimento e feminismo com propriedade. O fato de Jules estar tendo sua autoridade questionada, portanto, pode ser entendido tanto como um receio por ela ser jovem demais quanto por ser mulher (afinal, todos os CEOs que ela visita são homens) – e o mais bacana é que os dois preconceitos serão apontados e combatidos não por ela, mas por seu estagiário senior.

Hathaway está em casa com sua personagem workaholic, mas quem domina a cena é mesmo DeNiro, mais adorável do que nunca como o senhor que ensina cavalheirismo, organização e uma dose de amor próprio aos jovens colegas de trabalho. Ele é mais “cool” que todos os seus colegas hipsters.

Sem pesar nem forçar lições, “Um Senhor Estagiário” faz pensar sobre como subestimamos a experiência de pessoas mais velhas no ambiente de trabalho ou mesmo na vida pessoal. O filme é uma comédia deliciosa para se assistir em casa ou nos cinemas, sozinho ou acompanhado. Vale seu ingresso e vai fazer seu dia ficar melhor.

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.