Power Rangers (Dean Israelite, 2017)

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Quem precisa de um novo Power Rangers? Tenho certeza de que esta pergunta passou pela cabeça de muita gente em algum momento entre o anúncio do novo longa-metragem, a divulgação dos primeiros trailers e a publicação desta crítica, às vésperas da estreia no Brasil. É claro que os fãs estão adorando a novidade e, como uma boa criança que cresceu nos anos 90, me incluo fortemente nesse grupo. Mas, ainda assim: quem precisa de um novo Power Rangers?

A resposta está nos novos fãs. Quem precisa destes Power Rangers não é o fã hardcore que assistiu a todas as vinte e cinco temporadas e sabe o nome de todos os Rangers que já passaram pela televisão. É, sim, o público adolescente que nunca brincou de morfar ou de controlar um Megazord, mas que vai se identificar com as questões pessoais dos protagonistas e talvez se enxergue na descoberta sexual de Trini, na decepção de Kimberly consigo mesma ou na dificuldade de Billy para se relacionar.

Para quem não reconhece os nomes, eles são os mesmos da primeira temporada da série, que foi ao ar em 1993. Os personagens, bem como parte de suas personalidades, foram aproveitados para este reboot, mas suas histórias são novas. Dacre Montgomery, por exemplo, interpreta Jason, o Ranger Vermelho e líder involuntário do grupo. Ele é um jovem jogador de futebol americano que tinha tudo para ser um herói nacional, mas seu jeito encrenqueiro o transformou em vilão e, agora, ele anda por aí com uma tornozeleira eletrônica.

Sim, uma tornozeleira eletrônica. Para um filme inspirado numa série infantil, os protagonistas não poderiam ser mais fora do padrão – não apenas por serem excluídos socialmente, mas por quererem isso. Por se comportarem mal, de verdade e de propósito. Jason, Kimberly (Naomi Scott) e Billy (RJ Cyler), cada um com o seu crime, se conhecem na sala de detenção. Zack (Ludi Lin) e Trini (Becky G.), ainda mais afastados da realidade estudantil, os encontram numa mina de ouro onde costumam se isolar do mundo. É lá que eles são levados até as moedas do poder e até a nave, onde conhecem Alpha 5 (Bill Hader), Zordon (Bryan Cranston) e o seu destino.

“Power Rangers” é uma lição para quem ainda pensa que investir num reboot é tarefa simples – que basta repetir todos os ingredientes do passado para se ter o público na mão. Não é bem assim… Aqui, vemos um esforço constante para equilibrar elementos do passado e do presente numa obra que não pareça datada, nem descolada demais da sua origem, nem adulta nem infantil em excesso. E, mesmo com todo esse cuidado, alguns deslizes inevitavelmente vêm à tona.

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Se o filme acerta na dose de humor, no enquadramento nostálgico das batalhas ou na modernização da vilã Rita Repulsa (Elizabeth Banks), ele deixa a desejar no design dos Zords (é difícil diferenciar um do outro) e decepciona, especialmente, na trilha sonora – que pedia mais da guitarra enérgica dos anos 90 e menos do sintetizador psicodélico de “Stranger Things”, que virou o novo queridinho das produções teen (ele está até na série “Punho de Ferro”, uma das obras com menos personalidade que chegaram à TV neste ano).

Mas é na construção dos personagens que o filme realmente se sustenta – e finca raízes suficientemente profundas para garantir pelo menos uma sequência, prometida numa singela e certeira cena pós-créditos. E é nessa construção dos personagens, mais interessados em criarem relações verdadeiras com seus novos parceiros do que em morfar ou salvar o mundo, que “Power Rangers” se justifica enquanto reboot, trazendo algo a mais. Algo que o público  – novo ou antigo – com certeza vai aprovar.

 

Publicado originalmente no site Guia da Semana.

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Crítica: “Goosebumps: Monstros e Arrepios” é diversão à moda antiga para crianças e adultos

Quem cresceu nos anos 90 provavelmente passou, em algum momento, pelos livros ou pelos episódios da série “Goosebumps”, criada por R.L. Stine. Com mais de sessenta títulos publicados, entre eles “O Boneco Assassino”, “O Lobisomem do Pântano da Febre” e “O Abominável Homem das Neves de Pasadena”, Stine é um dos ícones da literatura de horror juvenil e, agora, ganha uma grande homenagem no filme “Goosebumps: Monstros e Arrepios”.

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O longa tem direção de Rob Letterman (“Monstros vs Alienígenas”) e traz Jack Black no papel do escritor, com uma interpretação bastante divertida que aposta no “autor recluso e misterioso”, cheio de suas características caras e bocas. Como sempre, Black fica muito mais à vontade entre crianças e adolescentes do que entre seus pares e, por conta disso, a química com o elenco principal funciona muito bem.

“Goosebumps” segue uma fórmula tradicional, como o próprio Stine brinca nos minutos finais: “toda história pode ser dividida em três partes: começo, meio e twist”. O início se dá com a mudança de Zach (Dylan Minnette), um órfão de pai (clichê bem aceitável para o material de origem, dos anos 90) para a casa ao lado de Stine e Hannah (Odeya Rush).

O meio, é quando ele abre um dos livros do vizinho e liberta o Abominável Homem das Neves para as ruas de Madison, Delaware. Isso mesmo: as criaturas inventadas por Stine ganham vida quando seus livros são abertos, por isso ele os mantém trancados e não deixa que ninguém se aproxime da casa, dele ou da filha. Após alguns incidentes, o arrepiante boneco ventríloquo Slappy trata de libertar todos os outros monstros, transformando a cidade num caos.

Quanto ao twist, não cabe revelar, mas adiantamos que o filme reserva algumas surpresas, suficientes para manter o interesse até o minuto final.

O filme vai agradar aos adultos pelo fator “nostalgia”, já que traz à tela alguns dos vilões mais emblemáticos da década retrasada, além do próprio Black, que estrelou comédias sarcásticas como “Escola do Rock” e “Tenacious D”. O roteiro simples, mas inteligente, deve atrair os adolescentes, já que estimula a criatividade sem resolver tudo “fácil demais”. Já para as crianças, não há risco: todas as vítimas são congeladas ou apenas machucadas, sem sinal de sangue ou mortes.

Os monstros, em si, também não são tão assustadores (com exceção do boneco), o que é um ponto positivo (para os pequenos), mas também negativo, já que a razão para que o Lobisomem, por exemplo, não dê medo, é que os efeitos não são tão bons e ele soa falso entre os demais personagens.

“Goosebumps: Monstros e Arrepios” estreia nesta quinta, 22 de outubro, e é uma pedida certa para quem procura diversão à moda antiga (o filme lembra clássicos da Sessão da Tarde, como “Deu a Louca nos Monstros” e “Jumanji”). Ideal para uma sessão em família (a classificação indicativa é de 10 anos).

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.