Robin Hood – A Origem: mais um remake sem nada a acrescentar

Mais um ano, mais um remake ambicioso com o subtítulo “a origem” chega aos cinemas. Desta vez, é o justiceiro Robin Hood que ganha sua enésima rodada nas telas, agora com o rostinho bonito de Taron Egerton, uma coleção de roupas inexplicavelmente modernas e o festival de pirotecnia e efeitos visuais que se espera de qualquer superprodução de respeito. Continuar lendo “Robin Hood – A Origem: mais um remake sem nada a acrescentar”

De volta ao mundo dos dinossauros

Por mais que Hollywood diga o contrário, poucos filmes nascem com a vocação para se tornarem franquias. Desses poucos, os melhores provavelmente vieram da mente de Steven Spielberg. Nesta quinta (21), estreia oficialmente (depois de uma semana de pré-estreias) o quinto longa de sua famosa saga jurássica, “Jurassic World – Reino Ameaçado”. Um filme que vem provar, em meio a um mar de sequências desnecessárias, que um universo bem construído pode render décadas de terror, curiosidade, aventuras e dilemas morais que não estão nem perto de acabar.

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Crítica: “O Caçador e a Rainha do Gelo” desperdiça o potencial de um grande elenco

Não era preciso muito para que “O Caçador e A Rainha do Gelo” fosse um bom filme. Ou, pelo menos, um filme de aventura divertido para assistir com os amigos. Com um elenco formado por Charlize Theron, Emily Blunt, Jessica Chastain e Chris Hemsworth, duas vilãs com poderes mágicos e um casal de heróis-modelos, bastava uma história épica genérica e algumas cenas de ação bem coreografadas para que o público fosse cativado. Mas o improvável aconteceu.

A sequência de “Branca de Neve e O Caçador” não só desperdiça o potencial do seu quarteto de protagonistas, como adota um ritmo lento e entediante. Ao excluir da fórmula o elemento que pesara negativamente no filme anterior (Kristen Stewart, no caso), “O Caçador e A Rainha do Gelo” prova que o problema da franquia não é o elenco, mas sim o conceito como um todo – ou a falta de um.

Apesar de prometer ação e romance, o que o filme entrega é uma jornada cansativa cheia de diálogos pretensiosos e pouco significativos. A ação, em si, é pouca e o romance, tolo. Em certo momento, para “preencher a cota do feminismo”, a personagem de Chastain discursa sobre o fato de que Eric, personagem de Hemsworth, não pode decidir sobre os seus sentimentos. “Não é sobre o que você faz ou deixa de fazer”, ela diz. “Não é porque você cumpriu sua missão que eu tenho a obrigação de amar você”, ela diz. Em seguida, dorme com ele.

O filme é pontuado por diversas declarações sobre “a força do amor” e “como o amor vence tudo”, o que pode afastar o público masculino (e, justiça seja feita, o feminino também). A trama é, em si, um manifesto sobre isso: Freya (Blunt) e Ravenna (Theron), a rainha do primeiro filme, são irmãs. Ravenna sempre teve poderes, enquanto Freya nunca manifestou os seus, mas, um dia, após ter o coração brutalmente partido, ela finalmente descobre a magia e se torna a Rainha do Gelo, partindo para erguer um exército onde a única regra é “não amar”.

É claro que Eric e Sara (Chastain) se apaixonam e são expulsos do exército, até que o espelho mágico reaparece, após a derrota de Ravenna pela Branca de Neve. Ao lado de quatro anões (porque é preciso manter uma ligação com o clássico), eles se unem numa corrida para que o objeto não caia nas mãos de Freya.

Se Hemsworth e Chastain são criminosamente mal aproveitados, Theron consegue se sobressair e dar um sopro de vida ao filme. Suas cenas são, sem dúvida, as mais interessantes e sua personagem, como no primeiro filme, é a que concentra a atenção do público. Blunt, no papel da Rainha de Gelo, pode até ter momentos fortes, mas é rapidamente reduzida à marionete ingênua da irmã. Se não fosse por sua fraqueza, talvez o filme tivesse um desenvolvimento melhor.

“O Caçador e A Rainha de Gelo” estreia no dia 21 de abril nos cinemas de todo o país.

 

Texto publicado originalmente no site Guia da Semana.

Crítica: “A Travessia” narra proeza real com humor, poesia e vertigem

Um aviso para quem tem medo de altura: “A Travessia” será o filme mais agonizante que você verá nos cinemas este ano – mas o esforço valerá a pena. Baseado na história real do equilibrista francês Philippe Petit, que atravessou as Torres Gêmeas sobre uma corda de aço, sem proteção, nos anos 70, o novo longa de Robert Zemeckis (“De Volta Para o Futuro”, “Forrest Gump”, “O Voo”) procura recriar, com a ajuda do 3D, a sensação de vertigem e liberdade que o artista sentiu ao realizar sua obra máxima.

travessia

Quem assume a missão de andar sobre a corda bamba diante das câmeras é o ator americano Joseph Gordon-Levitt, que capricha no sotaque francês (além de mostrar fluência na língua, que estuda há mais de dez anos), tira do baú suas estranhas lentes de contato azuis (como as que usara em “Looper”) e exibe um penteado de época que, definitivamente, não lhe cai bem.

Gordon-Levitt, como sempre, se entrega 100% ao personagem e isso transparece em cada gesto circense, em cada piada levemente arrogante e em cada expressão de tensão ou êxtase quando seus pés estão sobre a corda. A escolha do ator para o papel principal é um dos grandes acertos de Zemeckis, que inclusive o coloca para narrar a história do alto da Estátua da Liberdade.

Apesar de ser um filme baseado numa história real, “A Travessia” tem uma boa dose de poesia, com pequenos detalhes românticos que tornam tudo mais leve. O espectador sabe que nem tudo o que está na tela é exatamente como aconteceu, mas ver Philippe e Annie (Charlotte Le Bon) tendo sua primeira conversa como mímicos de rua, ou acompanhar toda a equipe de “cúmplices” planejando a instalação clandestina das cordas no maior estilo “Missão: Impossível” faz com que a aventura seja muito mais interessante e divertida.

Outro ponto forte do longa é a capacidade de Zemeckis de criar tensão, mesmo quando o espectador já conhece o desfecho. Por mais que você saiba que está numa sala de cinema, vendo uma história encerrada há mais de 40 anos, é impossível não prender a respiração quando Philippe e Jean-François (César Domboy), um professor de matemática com fobia de altura, sobem juntos ao 110º andar e começam a preparar os equipamentos.

O interessante é que a maior parte do filme se desenrola antes que a travessia tenha início. A inspiração e o treino ocupam a primeira parte, a investigação e o planejamento (já que a performance é completamente ilegal), a segunda, e apenas no terceiro ato vemos Philippe realizar seu sonho. E, quando isso finalmente acontece, é totalmente diferente do que você espera – e melhor.

“A Travessia” chega aos cinemas no dia 8 de outubro e terá pré-estreias a partir do dia 1º em salas selecionadas. Se puder (e se tiver coragem), assista em 3D.

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.

Crítica: “Maze Runner: Prova de Fogo” traz muita corrida e pouca personalidade

Existe um senso-comum em Hollywood sobre segundos filmes: eles são amaldiçoados. Salvo uma ou outra exceção milagrosa (“O Império Contra-Ataca”, por exemplo), quase sempre a primeira sequência de um filme será pior que o original – aliás, bem pior. E “Maze Runner: Prova de Fogo”, infelizmente, não foge à regra.

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O primeiro filme chegou aos cinemas em 2014 e teve uma recepção razoável por parte do público e da crítica. Adaptação do primeiro volume de uma série com cinco livros (que serão condensados em três filmes), “Maze Runner: Correr ou Morrer” aproveitou a onda das distopias juvenis e trouxe aos cinemas mais uma história de jovens oprimidos por instituições. No caso, é um grupo de meninos que têm suas memórias apagadas e são trancados numa clareira totalmente sem recursos, cercada por um labirinto cheio de armadilhas.

Obrigados a viver em comunidade, eles se organizam e criam suas próprias regras, que serão quebradas com a chegada do protagonista Thomas (Dylan O’Brien) e de uma menina, Teresa (Kaya Scodelario). O filme tinha um quê de “Jogos Vorazes”, mas ainda tinha personalidade e apostava num discurso social interessante: jovens disputavam poder, abdicavam da individualidade pelo bem do grupo e criavam uma sensação de pertencimento à tribo que os protegia dos perigos de fora.

Agora, não há mais discurso. Em “Prova de Fogo”, tudo o que Thomas, Teresa e os outros protagonistas fazem é correr. Bem, a corrida está no título e já fazia parte da primeira aventura, mas, aqui, ela deixou de ser um meio para se tornar o objetivo. O que esses meninos vão fazer para se salvar? Correr. O que eles vão fazer para ameaçar a C.R.U.E.L.? Correr. Então prepare-se para muita jornada rumo a um terceiro filme que, esse sim, pode ter algo a dizer.

A fuga que domina este segundo capítulo não é, em si, o problema. O que o torna fraco é o roteiro, que, ao invés de criar situações intrigantes que desafiem os personagens e os façam evoluir, apenas repete a mesma fórmula quatro, cinco, seis vezes num déja-vu infinito. Repare: em todos os ambientes por quais o grupo passa, há uma cena de fuga por uma porta ou janela em que alguém fica para trás, e depois alcança os demais ou é resgatado. Sempre.

A preguiça do roteiro também fica evidente na profusão de clichês, desde os personagens típicos do gênero (o amigo que trai o grupo, o inimigo que se torna amigo, o protetor que se revela vilão…) até as cenas clássicas, como a dos amigos que se levantam um a um para apoiar o herói quando tudo parece perdido. Por favor, o público merece mais do que isso.

“Maze Runner: Prova de Fogo” estreia no dia 17 de setembro e o próximo filme, chamado por enquanto de “The Death Cure”, está previsto para estrear apenas em 2017.

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.

Crítica: mesmo com Pac Man alienígena, “Pixels” não assume vocação nerd e é aventura esquecível

Os anos 70 e 80 realmente estão de volta. Depois de uma onda de remakes e sequências tardias, o público de trinta-e-poucos anos está prestes a ver mais um elemento de sua infância reaparecer nos cinemas. “Pixels”, comédia que estreia no dia 23 de julho, transforma a Terra num fliperama a céu aberto e faz de Pac Man, Centopeia e Donkey Kong os principais vilões de um ataque alienígena.

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O longa foi inspirado por um curta de mesmo nome de Patrick Jean e é dirigido por Chris Columbus (“Esqueceram de Mim”, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”), mas o nome que realmente salta da tela é o do ator Adam Sandler. O filme tem todas as características das comédias habituais do artista (um herói humilde e desacreditado, mas de bom coração, etc.) e, entre todos os protagonistas (o que inclui Kevin James, Josh Gad, Peter Dinklage e Michelle Monaghan), ele é o que ganha mais espaço e prestígio no roteiro.

A provável razão disso é que o principal roteirista, Tim Herlihy, é um colaborador frequente de Sandler. Contando com “Pixels”, já são dez longas juntos desde 1995, incluindo “O Paizão” e “Gente Grande 2”. Para quem não gosta desse tom cômico-sentimental, portanto, fica o aviso.

A história, pelo menos, é bem divertida. Em 1982, uma cápsula da Nasa é enviada ao espaço contendo informações sobre a cultura humana, incluindo imagens de um campeonato de fliperama. A mensagem é mal interpretada e, trinta anos depois, um exército alienígena chega para travar uma guerra contra a Terra, munido de versões gigantes dos personagens daqueles jogos.

O interessante é que a batalha segue as mesmas regras dos video-games: são três rounds e um chefão, e cada duelo tem sua hora marcada. Afinal, os aliens querem destruir a Terra, mas querem fazer isso direito.

Se a premissa é quase irresistível para quem gosta de games e aventuras fantásticas regadas com um humor nonsense, há no mínimo um problema sério com a execução: o filme não dialoga com o seu público. Ou melhor: não admite que seu público (aquele que vai assistir aos trailers e realmente se interessar pela ideia) é tão nerd quanto seus protagonistas, e perde oportunidades preciosas de dialogar com ele.

Atores de Game of Thrones, Senhor dos Anéis e X-Men estão juntos no elenco e isso é simplesmente ignorado. Para piorar, os jogos atuais são generalizados como “violentos e sem regras”, mostrando uma total falta de interesse em compreender o novo público gamer. Já para os jogadores old-school, apenas a sequência inicial será capaz de inspirar alguma nostalgia, já que as batalhas contra os alienígenas têm muito mais ação e efeitos especiais do que estratégia propriamente dita.

Mirando as massas, “Pixels” se afasta da originalidade do curta de Patrick Jean e se torna apenas mais um “filme-família” com as velhas piadas de sempre envolvendo mulheres, gays, militares e presidentes. Ideal para quem não quer pensar muito, mas quer dar algumas risadas com o herói Adam Sandler e seu time de coadjuvantes.

Texto publicado no Guia da Semana em 21/07/2015.

Crítica: com enredo simples e bons efeitos, “Homem-Formiga” apresenta um novo herói para o universo Marvel

Mais um herói dos quadrinhos acaba de ganhar sua versão para os cinemas e está pronto para se unir a Vingadores e Guardiões no universo cinemático da Marvel. “Homem-Formiga”, que estreia no dia 16 de julho, conta a origem do personagem que, com a ajuda de uma roupa especial, é capaz de encolher até o tamanho de um inseto, enquanto ganha uma força sobre-humana e consegue se comunicar com formigas.

formiga

O longa passou por uma série de mudanças antes de sair do papel. A mais polêmica delas foi a direção, já que Edgar Wright estava ligado ao projeto desde 2006, mas, depois de diversos adiamentos e desentendimentos sobre a “visão do filme”, decidiu se afastar. Quem assumiu a batata-quente foi Peyton Reed (“Sim Senhor”), que conseguiu realizar um trabalho satisfatório, apesar de bem menos impactante que os demais longas da marca.

Wright, mesmo fora do comando, ainda assina a produção e o roteiro, escrito a oito mãos por ele, Joe Cornish, Adam McKay e Paul Rudd – o ator principal do filme. Rudd é Scott Lang: o ladrão bem-intencionado que logo se transformará no herói do título. Carismático sem ser muito cômico, ele segura bem o papel, criando uma empatia imediata com o público desde sua primeira aparição, durante uma briga num presídio.

A história é simples: um engenheiro (Hank Pym, interpretado por Michael Douglas) é afastado da própria empresa após se negar a fornecer a fórmula de sua descoberta mais poderosa – uma roupa que encolhe e pode transformar qualquer soldado numa arma invencível de guerra. Quando seu sucessor (Darren Cross/Corey Stoll) decide retomar a pesquisa e recriar a tecnologia para uso militar, Pym recruta um ladrão (Lang/Rudd) para vestir sua antiga roupa e impedir um desastre.

A situação de Lang é análoga à de Pym, já que os dois têm filhas com quem tentam se reconectar e esposas que perderam no meio do caminho. Porém, o “mistério” que cerca a mulher de Pym pode ser compreendido já nos primeiros minutos, deixando dicas do que acontecerá a Lang no final e tornando toda a aventura bastante previsível.

Quem salva o filme, condenado pelo enredo fraco, é o elenco, que mostra uma química boa em cena e consegue arrancar algumas risadas com a espontaneidade de seus personagens. Nesse ponto, destacam-se Rudd, Douglas e Michael Peña, que interpreta um colega de roubos de Lang e é o principal alívio cômico da equipe. Evangeline Lilly também tem um papel importante como a filha de Pym e braço direito de Cross, mas essa ambiguidade não chega a ser explorada de fato.

Outro ponto forte são os efeitos visuais, que impressionam tanto na transição entre as cenas de tamanho real e miniatura (que fluem naturalmente de um extremo a outro), quanto nas sequências de ação que envolvem formigas, cuidadosamente bem feitas para interagir com o herói sem parecerem falsas nem realistas demais.

Mais infantil que seus colegas de estúdio, “Homem-Formiga” chega aos cinemas para preencher o espaço entre “Era de Ultron” e “Guerra Civil”, apresentando um novo personagem sem interferir nos acontecimentos dos outros filmes. A aventura, porém, vem bem amarrada ao restante do universo heroico, trazendo citações, referências e até uma participação especial, além da tradicional cena pós-créditos (aguarde até o final).

Texto publicado no Guia da Semana em 8/07/2015.

Crítica: “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros” equilibra aventura e terror e recupera o espírito do clássico de 93

Velociraptors, pteurossauros e estegossauros estão de volta às telonas neste fim de semana, fazendo marmanjos voltarem à infância e crianças descobrirem os prazeres da saga jurássica (ou cretácea?) criada por Steven Spielberg. O quarto filme da série, “Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros”, segue a mesma fórmula do clássico de 1993, misturando ciência, aventura e terror numa dose adequada para famílias, enquanto traz novas e maiores criaturas, como o gigante aquático Mosassauro e o grande vilão da vez, Indominus Rex.

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Os fãs de longa data vão reconhecer diversas referências ao filme original (algumas sutis, outras nem tanto, como a presença do ator BD Wong de volta ao papel de Dr. Wu), o que dá à produção um quê de nostalgia. Apesar disso, o filme tem olhos fincados no público infantil e juvenil, por isso não economiza nas cenas de ação, tem um protagonista super-herói (Chris Pratt, que já interpretou Star Lord em “Guardiões da Galáxia”) e oferece uma das batalhas mais divertidas que o cinema de monstros já viu.

A história se passa vinte e poucos anos após os eventos de “Jurassic Park” e o parque idealizado por John Hammond finalmente se tornou realidade. Todos os dias, cerca de 20 mil pessoas circulam pelas florestas da ilha Nublar para ter experiências controladas com animais pré-históricos recriados geneticamente, num misto de museu, zoológico e parque temático.

Claire (Bryce Dallas Howard) é uma das administradoras desse complexo turístico e tia de Gray (Ty Simpkins) e Zach (Nick Robinson). Os meninos vão ao parque para passar um fim de semana “em família”, mas Claire não consegue encontrar tempo para eles. Afinal, é justamente nesse dia que sua próxima atração – o dinossauro híbrido Indominus Rex – começa a apresentar problemas.

A nova criatura foi desenhada para ser “maior, mais assustadora e mais legal” do que todas as outras do parque, mas ninguém imaginou que ela também seria muito mais inteligente. Quando, numa sequência arrepiante, o I-Rex consegue escapar da jaula, Claire recorre à ajuda de Owen (Pratt), uma espécie de adestrador de velociraptors, para deter a fera e salvar seus sobrinhos.

O personagem de Pratt pode ser plano e caricato, mas se encaixa perfeitamente no universo de Spielberg. Owen é forte e confiante (o “macho-alfa”, como ele mesmo brinca), pois é o herói necessário para transmitir segurança às crianças do filme e da plateia; mas também é alguém que se relaciona com os animais de forma respeitosa e passa uma mensagem positiva ao final.

Claire, por outro lado, representa a empresária calculista que toma todas as decisões erradas, mas depois coloca a mão na massa para se redimir e acaba aprendendo algumas lições de vida. No extremo da vilania, está o personagem de Vincent D’Onofrio, um general interessado em explorar os dinossauros como armas militares – um conceito novo e um pouco perturbador que o filme traz à franquia.

“Jurassic World – O Mundo dos Dinossauros”  é dirigido pelo quase estreante Colin Trevorrow, que também assina o roteiro com outras seis mãos. O excesso de escritores envolvidos não impede, porém, que o filme tenha uma curva de tensão crescente e bastante firme, culminando num último ato sombrio e agressivo.

O longa estreia no dia 11 de junho e é a pedida perfeita para pais e filhos que procuram uma aventura à moda antiga. Assista numa tela bem grande.

Texto publicado no Guia da Semana em 09/06/2015.

Crítica: Disney leva o parque de diversões aos cinemas com “Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível”

Estreia neste feriado de Corpus Christi a nova superprodução da Disney, “Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível”. Inspirado por um parque temático futurista dentro do Magic Kingdom, em Orlando, o filme cumpre a promessa de transformar a experiência cinematográfica numa grande brincadeira, com engenhocas malucas, dimensões paralelas e personagens históricos reinventados como grandes conspiradores. Infelizmente, o roteiro não acompanha tantos malabarismos e acaba deixando mais dúvidas do que certezas.

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George Clooney e Britt Robertson dividem a tela nos minutos iniciais para narrar suas aventuras. O formato é interessante: cada um começa a contar uma parte da história, ao seu modo, enquanto o outro interrompe com comentários e reclamações.  Ficamos sabendo que ele, Frank Walker, é um pessimista incurável, enquanto ela, Casey Newton, é o extremo oposto.

Está dada a dica para a mensagem central do filme: se não acreditarmos que as coisas podem ser melhores, elas nunca serão. No caso, quem está precisando de uma dose de otimismo é a Terra, que, segundo os cálculos de Walker, um cientista brilhante, tem seus dias contados para a extinção.

O filme se passa num futuro próximo, quando o Cabo Canaveral está sendo demolido e engenheiros da NASA estão perdendo seus empregos. Casey é filha de um desses engenheiros e sempre sonhou em ir ao espaço, por isso passa as noites sabotando a demolição perto de casa. É lá que uma androide chamada Athena (Raffey Cassidy) a encontra e discretamente a “recruta” com um botton especial.

O objeto mostra uma cidade futurista e acaba atraindo Casey à casa de Walker – segundo Athena, o único que poderia levá-las àquele lugar. No processo, outros androides canastrões aparecem para tentar eliminar os três, desencadeando todo o sistema de armadilhas da casa do cientista (e rendendo uma sequência genial dentro de uma loja Geek).

Entre a narração das infâncias dos protagonistas e a chegada a Tomorrowland, o longa segue impecável, como uma verdadeira aventura infanto-juvenil regada a imaginação e ciência, com destaque para a personagem robótica de Cassidy. Quando o trio finalmente chega ao objetivo, porém, a mistura desanda e a revelação do tão esperado mundo fantástico é um enorme anti-clímax.

O problema não é a aparência de Tomorrowland, mas sim a falta de informações que nos são dadas sobre ela. Como encontraram aquele lugar? Como foi a vida dos primeiros moradores? Qual foi a crise que levou a esse ponto atual, no qual Walker e Athena foram expulsos e Casey se faz tão necessária? A pergunta maior vem logo em seguida: como, exatamente (e não apenas em discursos vagos), esse lugar vem influenciando a vida na Terra?

Sem pelo menos algumas dessas respostas, “Tomorrowland – Um Lugar Onde Nada é Impossível” perde a oportunidade de ser uma grande propaganda do parque original da Disney, ou um grande filme com uma bela lição, para se tornar uma aventura incompleta. Ao invés de sair querendo embarcar numa montanha russa, o público sairá se perguntando se aquilo tudo realmente fazia sentido.

Texto publicado no Guia da Semana em 02/06/2015.