Thelma e Louise e Hunter

Quase trinta anos separam os filmes Thelma & Louise, clássico de 1991 escrito por Callie Khouri (que ganhou o Oscar pelo roteiro) e dirigido por Ridley Scott; e Swallow, novidade cult de Carlo Mirabella-Davis lançada entre 2019 e 2020, em cartaz no Mubi. De um lado, um roadmovie com sua dose de humor, uma dose de ação e outra dose generosa de Geena Davis e Susan Sarandon. Do outro, um drama um tanto aflitivo conduzido pela ainda desconhecida, mas interessantíssima Haley Bennett. Em ambos, mulheres aprisionadas. Em ambos, mulheres que machucam a si mesmas. 

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Malcolm & Marie

Depois de um atraso na forma de internet caída, enfim assisti ao filme-dê-erre da vez: Malcolm & Marie. Estava tão curiosa quanto receosa: tinha lido coisas boas e ruins, tinha visto o trailer e vinha cultivando uma vaga sensação de que aquela era uma obra cheia de ego. Um pastiche feito de imagens que mais pareciam do que eram, inflado por dois dos atores mais cultuados do momento. Bonito. Pretensioso. Falso. Já tinha um veredito antes de começar. 

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Vem aí: vídeos e podcasts

Depois de muito tempo andando em câmera lenta e oscilante rumo a nenhum lugar particularmente interessante, comecei este ano tentando colocar a vida de volta aos trilhos. Esta vida, quer dizer, a produtiva. O que só foi possível depois de entender que eu teria que criar novos trilhos sobre os quais colocá-la. Pois, mãos à obra: respirei fundo, olhei bem para minhas frustrações dos últimos anos e separei o que eu gosto e sei fazer do que eu escolhi abandonar completamente da minha vida (no fim, não era todo o jornalismo que eu abominava, mas parte dele. No fim, eu não queria ficar assim tão longe dele). Se vai dar certo? Ora, desta vez vamos ter que fazer dar. (Gostam desse otimismo, né? Esperem mais um mês. Ou uma semana).

Enfim, é nesse espírito de euforia que convido vocês a conhecerem as primeiras peças dessa estrada em construção. Que rufem os tambores…. Tu-dum-tu-dum:


  1. Notícias da Ju 

Aeeeeeeee!!! Uhuuuuuuu!  

Tá, eu sei, não parece tão bacana assim. Mas é. Deem uma chance. A ideia é a seguinte: há duas semanas, comecei a jogar no Instagram (e no Facebook, mas vocês sabem como o Facebook anda meio xoxo… Chocho?) um videozinho de 6 ou 7 minutos com uma seleção de notícias da semana, explicadas e comentadas. A ideia é eleger alguns acontecimentos do universo da cultura que rendam um mínimo de debate – já falei, por exemplo, do caso GameStop (não sabe o que é? Ouça lá! =P), do golpe militar em Mianmar (que tem uma ligação com cultura, juro) e até do BBB. Porque “eclético” é a palavra da vez.

O Notícias será semanal, sempre às sextas-feiras, só nas redes sociais. Provavelmente à noite, mas pode variar. Então, não deixem de dar uma olhadinha lá no @cadernojota e dar aquela força pra esta jornalista perdida-querendo-se-encontrar! E comentem, porque eu quero saber o que vocês estão achando, de coração. Ajuda a não desistir tão cedo.


  1. Cinefilia & Companhia

Esse eu já percebi que vocês vão gostar: é um podcast! Confesso, sou péssima ouvinte de podcasts porque passo o dia inteiro lendo ou escrevendo, e, se ouvir música com vocal já é difícil, imagina um bate-papo! Mas gravar a gente grava, e se diverte imensamente no processo. O Cinefilia não é cria minha, mas sim de um grande amigo chamado Hugo Harris, que é professor de jornalismo e de cinema no Mackenzie, na FAAP e na FECAP. (Ele foi minha banca na pós em Jornalismo Cultural, quando escrevi sobre Tim Burton! E você, já virou amigo do seu avaliador hoje? rs).  Enfim, ele montou um trio comigo e com o cineasta (entre outras coisas) Henrique Pires e, a cada 15 dias, vamos conversar sobre um filme – lançamento ou não – e compartilhar esse papo com vocês, editadinho pela Laura Videira e com artes estilosíssimas do Joe Borges. Gostaram, né? Eu falei! Podem procurar por ele no Spotify ou em qualquer outro player (não conheço muitos, mas supostamente estará lá) a partir de segunda-feira, dia 08/02. Começaremos por “Pieces of a Woman”, da Netflix! E aí, será que eu gostei? Ouça para descobrir… Mwuahuahua.


Essas são as novidades, que, prometo, não vão significar o fim dos textos aqui do blog. Essa é uma promessa que faço para vocês e para mim mesma, então, podem cobrar. Combinado?

Vamos nessa que ainda tem muito trilho para assentar! 


Atualizando: o Podcast já está no ar!

Você tem onze minutinhos?

Então deixa o Instagram de lado rapidinho e vem comigo neste link conhecer um dos dois curtas-metragens brasileiros que se qualificaram para o Oscar 2021 (ambos dirigidos por mulheres, porque o mundo agora é nosso, né?), e podem figurar na pré-lista de indicados que será divulgada no dia 9 de fevereiro (a premiação será em abril). O outro, de oito minutos, você pode assistir aqui depois e chorar um pouquinho. 

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A magia das coisas

Vocês conhecem o Benedict Cumberbatch? Britânico, voz meio cavernosa, olhos estreitos, comprido… Às vezes usa uma capa vermelha, em outras um sobretudo com gola levantada? Não? Bem, eu gosto muito dele e ontem mesmo sua voz estava na minha televisão, saindo da garganta de um dragão. Mas por que estou falando de um ator? Continuar lendo “A magia das coisas”

Estudando sci-fi

Bom dia, pessoal. Como vocês estão? Sério, como vocês estão? 

Tenho achado que um tempo fora-do-tempo assim pede um minuto para a gente se perceber… Sei que alguns estão ainda percebendo a si mesmos – empoeirados em meio a tanta urbanidade, desacostumados com o espaço para respirar. Pois respirem, olhem o sol na parede, façam o quanto precisarem de nada, se a avalanche da vida em casa deixar. Depois venham conversar. Continuar lendo “Estudando sci-fi”

Homem-Aranha no Aranhaverso: seis aranhas para a nova geração

Depois de anos de super-heróis amadurecidos, sombrios, metidos em guerras mundiais, grandes dilemas morais ou na subversão tão pós-moderna dos conceitos de bem e mal, a animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” chega aos cinemas bem menos pretensiosa, devolvendo o gênero às crianças e lembrando aos adultos que toda aventura começa tão pequena quanto uma picada de aranha num garoto inseguro.

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Tinta Bruta: vencedor do Teddy Awards usa delicadeza e poesia para falar de repressão

Pedro não gosta de lugares públicos. Apesar disso, todas as quintas-feiras ele liga sua webcam e dança nu, banhando-se em tinta neon e tocando seu corpo colorido para uma plateia fiel e pagante. O vencedor do Festival do Rio e do Teddy Awards (troféu voltado para filmes queer no Festival de Berlim), “Tinta Bruta”, finalmente chega aos cinemas brasileiros no dia 6 de dezembro trazendo essa história melancólica e quase trágica para brilhar na tela. Isso, se o público estiver pronto para ela. Continuar lendo “Tinta Bruta: vencedor do Teddy Awards usa delicadeza e poesia para falar de repressão”

Robin Hood – A Origem: mais um remake sem nada a acrescentar

Mais um ano, mais um remake ambicioso com o subtítulo “a origem” chega aos cinemas. Desta vez, é o justiceiro Robin Hood que ganha sua enésima rodada nas telas, agora com o rostinho bonito de Taron Egerton, uma coleção de roupas inexplicavelmente modernas e o festival de pirotecnia e efeitos visuais que se espera de qualquer superprodução de respeito. Continuar lendo “Robin Hood – A Origem: mais um remake sem nada a acrescentar”

Em Chamas: suspense coreano seduz com trama ambígua e cheia de entrelinhas

Há muito pouco fogo no sul-coreano “Em Chamas”. Muito pouco diante das câmeras, quero dizer, porque, por trás delas, pode haver quantas labaredas você quiser imaginar. E é disso que se trata o suspense psicológico de Lee Chang-Dong, longa que representa seu país no Oscar 2019 depois de ter sido indicado à Palma de Ouro e vencido o prêmio da crítica em Cannes: imaginação. Continuar lendo “Em Chamas: suspense coreano seduz com trama ambígua e cheia de entrelinhas”