“Cada Um Na Sua Casa” traz protagonista negra e nova safra de mascotes infantis

A Dreamworks pode não ser o estúdio de animação mais bem-sucedido em termos de bilheterias, mas com certeza é o mais engajado na quebra de padrões estéticos para o público infantil. Depois de trabalhar com protagonistas gordinhos (Shrek e Kung Fu Panda) e deficientes (Como Treinar o Seu Dragão), quem chega aos cinemas agora é uma heroína negra, de cabelos cacheados e quadril levemente mais largo que a mocinha comum.

b

Cada Um Na Sua Casa”, que estreia no dia 9 de abril no Brasil, fala de diferenças como fala de guerras e colonialismo – tudo de um jeito leve e bastante infantil, com uma trilha sonora pop dançante, piadinhas inocentes e uma nova raça de criaturas fofas (que já tem uma coleção completa de brinquedos prontos para o McLanche Feliz).

Oh é uma dessas criaturas: um alienígena cujo povo (os Boovs) vive fugindo e parece ter encontrado na Terra o esconderijo perfeito. Sem hesitar, eles abduzem todos os humanos e os realocam para os cantos do planeta (como a Austrália), pensando que estão fazendo um grande favor.  A única pessoa que consegue escapar é Tipolina (ou Tip), que logo se une a Oh numa jornada comum – ela para encontrar a mãe, ele para impedir o ataque de uma nave inimiga.

Apesar de não ser tão engraçado ou tão cativante quanto outros filmes recentes, “Cada Um Na Sua Casa” merece atenção especial por tratar as diferenças como mal-entendidos e não com o maniqueísmo tradicional. Todos os grupos (incluindo os vilões) têm suas motivações, qualidades e defeitos, e a solução proposta não é a separação ou o confronto, mas sim a integração ou, no mínimo, a compreensão das angústias do outro.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de Adam Rex e tem direção de Tim Johnson (“FormiguinhaZ”). Em inglês, os personagens principais levam as vozes de Jim Parsons, Rihanna, Jennifer Lopez e Steve Martin – as cantoras, é claro, também interpretam parte da trilha sonora.

Texto publicado no Guia da Semana em 20/03/2015.

Turbo renova velhas mensagens com personagens moderninhos

turbo

O novo mascote dos estúdios Dreamworks tem nome invocado e uma equipe de primeira: Turbo, um caracol de jardim, vai disputar a corrida Indy 500 na animação de mesmo nome que estreia nesta sexta-feira, dia 19 de julho.

A história – ou a mensagem por trás dela – não é nova: o mais desacreditado dos seres tem o mais ousado dos sonhos, e conta com a ajuda dos amigos para provar ao mundo que é capaz de alcançá-lo. Mas a graça de Turbo está nos personagens, cenários e trilhas, que dão um sentindo bem mais atual ao velho sonho americano.

Turbo e Chet (com vozes originais de Ryan Reynolds e Paul Giamatti) são irmãos que vivem numa rotina monótona. Turbo passa as noites sonhando com corridas, enquanto Chet só quer saber de segurança. Tudo muda quando Turbo foge de casa e cai no capô de um carro de racha – sendo engolido pelo motor “envenenado”. Quando sai, ele descobre ter os mesmos “poderes” do carro: luzes, som e velocidade.

A partir daí, você já conhece a história: Turbo e Chet sairão do pomar, encontrarão um novo dono e conseguirão se inscrever para o circuito Indy. Lá, o caracol conhecerá seu ídolo, ficará decepcionado e travará uma disputa pessoal pela vitória, provando que “o sucesso não depende do tamanho”. Depois, voltará a uma vida de caracol, com novos amigos e novas atividades.

Apesar da mensagem integradora, Turbo separa bem o universo da periferia e da elite, o sonho do sonhador – que se misturam apenas no momento da corrida. Os donos dos caracóis são mexicanos, nacionalidade que parece estar no centro das atenções, já que também foi mexicano o vilão de Meu Malvado Favorito 2.

Como naquele, em Turbo também são os coadjuvantes que roubam a cena – no lugar de Minions, temos aqui cozinheiros, motoristas, manicures, mecânicos e uma simpática “gangue” de caracóis com características de negros e latinos, mascando chicletes ao som de hip-hop.

Mesmo ridicularizados em alguns momentos, são esses personagens de origem simples que dão charme ao filme, cativando com sua natureza agregadora. Os irmãos mexicanos, que espelham os irmãos caracóis, relembram as velhas lições de parceria e apoio mútuo.

O resultado é uma animação graciosa, que tem tudo para agradar aos pequenos e aos não tão pequenos assim. Opção certeira para levar toda a família.

 

Texto publicado originalmente no site Guia da Semana.