Homem-Aranha no Aranhaverso: seis aranhas para a nova geração

Depois de anos de super-heróis amadurecidos, sombrios, metidos em guerras mundiais, grandes dilemas morais ou na subversão tão pós-moderna dos conceitos de bem e mal, a animação “Homem-Aranha no Aranhaverso” chega aos cinemas bem menos pretensiosa, devolvendo o gênero às crianças e lembrando aos adultos que toda aventura começa tão pequena quanto uma picada de aranha num garoto inseguro.

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O Grinch: fofura natalina para derreter corações gelados

Vocês se lembram dele, não se lembram? Verde, rabugento, querendo destruir o Natal… No Brasil, as criações do autor infantil Dr. Seuss não são tão conhecidas, mas, em 2000, um filme estrelado por Jim Carrey tornou uma de suas criaturas bem famosa – mesmo que não exatamente amada. É que o longa, que também veio com o nome “O Grinch” (“How the Grinch Stole Christmas”, no original), era um live action e os personagens da “Quemlândia” mais pareciam monstrinhos excêntricos do que alegres cidadãos apaixonados pelas luzes natalinas. O próprio Grinch, então, era de causar pesadelos. Continuar lendo “O Grinch: fofura natalina para derreter corações gelados”

FC! Review – O Bom Gigante Amigo


Steven Spielberg, Roald Dahl, Melissa Mathison e Walt Disney juntos no mesmo projeto? Como isso poderia dar errado?
No FC! Review de hoje, comentamos a estreia de “O Bom Gigante Amigo”, um filme infantil que tinha tudo para ser um dos grandes lançamentos do ano, mas que acabou decepcionando. Estreia no dia 28 de julho.

Imagens: O Bom Gigante Amigo / Walt Disney Pictures

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FC! Review – Procurando Dory


Hoje estreamos o FC! Review, um novo programa no Fala, Cinéfilo! com críticas de filmes. Para começar, mergulhamos no universo da Pixar para falar de “Procurando Dory”, principal estreia desta quinta-feira, 30 de junho.
O filme é a primeira sequência de “Procurando Nemo” e acompanha Dory, Marlin e Nemo em mais uma aventura pelos mares, desta vez para encontrar os pais da esquecida peixinha azul.

Gostou? Deixe seus comentários! Queremos saber o que você achou do filme e do programa para melhorarmos sempre.

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Crítica: pesado e sem ritmo, “O Bom Dinossauro” caminha para se tornar o primeiro grande fracasso da Pixar

Até mesmo os grandes estúdios falham. No início deste ano, a Pixar trouxe aos cinemas uma das animações mais emocionantes e originais de todos os tempos, um filme que não surpreenderia ninguém se aparecesse entre os indicados às categorias mais altas do Oscar, lado a lado com live actions. Agora, menos de 12 meses depois, a mesma casa apresenta um longa que é o oposto disso.

dinossauro

O Bom Dinossauro” não é nem emocionante (pelo menos, não genuinamente), nem original. O filme se esforça demais para provocar tristeza e acaba assumindo um tom pesado, apoiado numa trilha melodramática e em cenas duras e apelativas. Para os adultos, tudo soa muito novelesco, mas, para as crianças, pode ser uma experiência traumática, já que falta a compensação de um final otimista ou dos personagens engraçados que normalmente equilibrariam as emoções.

O filme conta a história de um dinossauro chamado Arlo, que é o mais medroso de sua família. Depois de fracassar nas tarefas básicas da fazenda dos pais (sim, esses dinossauros são fazendeiros), ele tem a chance de se redimir se conseguir matar a criatura que está roubando toda a comida armazenada no silo. Na hora H, ele descobre que o ladrão é um menino humano (primitivo, que age como um cãozinho), sente pena e deixa-o fugir.

Quem tem um mínimo de experiência com filmes infantis já consegue descobrir, por esse prelúdio, tudo o que acontecerá em seguida: Arlo tentará consertar a situação, provocará um desastre e acabará se afastando da fazenda, depois reencontrará o menino (a quem chamará de Spot), se tornará amigo dele e passará o resto do filme procurando o caminho de casa.

Se a trajetória do protagonista parece tão previsível, alguns elementos são ainda mais familiares, descaradamente copiados do clássico infantil “O Rei Leão”. Há cenas inteiras reaproveitadas, além de personagens e situações muito semelhantes. Como se não bastasse, o ritmo não funciona: a jornada é lenta, as cenas dramáticas são exageradamente longas e os momentos de humor são curtos demais.

Tudo isso contribui para que “O Bom Dinossauro” seja, como vem se anunciando, o primeiro grande desastre comercial e de crítica do estúdio, mas a verdade é que os problemas começaram muito antes de ele chegar às telas. Marcado inicialmente para 2013, o projeto passou por uma troca de direção (de Bob Peterson, de “Up! Altas Aventuras”, para Peter Sohn, que só dirigira até então o curta “Parcialmente Nublado”), porque, segundo o presidente da Pixar Edwin Catmull, “Às vezes os diretores se envolvem tanto com suas ideias que é preciso uma pessoa de fora para terminá-las”. Mas isso não foi tudo.

Com a mudança, todo o roteiro foi reescrito e alguns personagens foram alterados, afetando também o elenco e exigindo novas gravações. O que vemos nos cinemas é a última versão de um texto produzido a dez mãos, retrabalhado diversas vezes porque ninguém acreditava que a história estava dando certo. Bem, talvez fosse o caso de desapegar e começar tudo do zero.

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.

Crítica: “Goosebumps: Monstros e Arrepios” é diversão à moda antiga para crianças e adultos

Quem cresceu nos anos 90 provavelmente passou, em algum momento, pelos livros ou pelos episódios da série “Goosebumps”, criada por R.L. Stine. Com mais de sessenta títulos publicados, entre eles “O Boneco Assassino”, “O Lobisomem do Pântano da Febre” e “O Abominável Homem das Neves de Pasadena”, Stine é um dos ícones da literatura de horror juvenil e, agora, ganha uma grande homenagem no filme “Goosebumps: Monstros e Arrepios”.

goosebumps

O longa tem direção de Rob Letterman (“Monstros vs Alienígenas”) e traz Jack Black no papel do escritor, com uma interpretação bastante divertida que aposta no “autor recluso e misterioso”, cheio de suas características caras e bocas. Como sempre, Black fica muito mais à vontade entre crianças e adolescentes do que entre seus pares e, por conta disso, a química com o elenco principal funciona muito bem.

“Goosebumps” segue uma fórmula tradicional, como o próprio Stine brinca nos minutos finais: “toda história pode ser dividida em três partes: começo, meio e twist”. O início se dá com a mudança de Zach (Dylan Minnette), um órfão de pai (clichê bem aceitável para o material de origem, dos anos 90) para a casa ao lado de Stine e Hannah (Odeya Rush).

O meio, é quando ele abre um dos livros do vizinho e liberta o Abominável Homem das Neves para as ruas de Madison, Delaware. Isso mesmo: as criaturas inventadas por Stine ganham vida quando seus livros são abertos, por isso ele os mantém trancados e não deixa que ninguém se aproxime da casa, dele ou da filha. Após alguns incidentes, o arrepiante boneco ventríloquo Slappy trata de libertar todos os outros monstros, transformando a cidade num caos.

Quanto ao twist, não cabe revelar, mas adiantamos que o filme reserva algumas surpresas, suficientes para manter o interesse até o minuto final.

O filme vai agradar aos adultos pelo fator “nostalgia”, já que traz à tela alguns dos vilões mais emblemáticos da década retrasada, além do próprio Black, que estrelou comédias sarcásticas como “Escola do Rock” e “Tenacious D”. O roteiro simples, mas inteligente, deve atrair os adolescentes, já que estimula a criatividade sem resolver tudo “fácil demais”. Já para as crianças, não há risco: todas as vítimas são congeladas ou apenas machucadas, sem sinal de sangue ou mortes.

Os monstros, em si, também não são tão assustadores (com exceção do boneco), o que é um ponto positivo (para os pequenos), mas também negativo, já que a razão para que o Lobisomem, por exemplo, não dê medo, é que os efeitos não são tão bons e ele soa falso entre os demais personagens.

“Goosebumps: Monstros e Arrepios” estreia nesta quinta, 22 de outubro, e é uma pedida certa para quem procura diversão à moda antiga (o filme lembra clássicos da Sessão da Tarde, como “Deu a Louca nos Monstros” e “Jumanji”). Ideal para uma sessão em família (a classificação indicativa é de 10 anos).

Texto publicado originalmente no Guia da Semana.

Crítica: “Peter Pan” funciona bem como aventura infantil, mas não emociona o público mais velho

Você já conhece a história do garoto que não queria crescer, do capitão com um gancho no lugar da mão e até daquele mesmo garoto, quando resolveu virar adulto. Mas, e quanto à origem dos personagens? No novo filme de Joe Wright, Peter e Gancho ainda não são “Pan” nem “Capitão”, mas a Terra do Nunca já está ali e é nela que os dois se tornarão grandes amigos, antes de descobrirem suas primeiras desavenças.

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Peter Pan” traz de volta aos cinemas alguns velhos conhecidos do público: além de Peter (Levi Miller) e Gancho (Garrett Hedlund), Tigrinha (Rooney Mara) e o pirata Smee (Adeel Akhtar) têm papéis de destaque, as sereias (Cara Delevigne) têm seu momento, o crocodilo dá as caras e Sininho tem uma participação relâmpago. No papel do vilão, quem entra é Barba Negra, interpretado por um Hugh Jackman de peruca, bigode e um sorriso de quem nunca se divertiu tanto.

O filme começa promissor, com uma sequência da mãe de Peter (Amanda Seyfried) abandonando o bebê na porta de um orfanato e, em seguida, algumas cenas divertidas do dia-a-dia na instituição. Logo, o protagonista começa a desconfiar que a diretora (má como a mais malvada das diretoras de orfanatos) esteja vendendo crianças em troca de dinheiro.

Para tirar a prova, ele e seu melhor amigo resolvem ficar acordados durante a noite, e é aí que Peter é levado pelos piratas de Barba Negra, que caem do teto pendurados em cordas feito ioiôs. A partir daí, Peter conhecerá a Terra do Nunca, descobrirá que pode voar e partirá numa aventura em busca do ninho secreto das fadas, ao lado de Tigrinha e Gancho.

Tudo em “Peter Pan” é bastante teatral – das acrobacias aéreas à fumaça colorida que sai das armas de fogo; do figurino dos índios aos hinos de punk rock entoados pelos escravos de Barba Negra. Já era de se esperar: entre outros filmes, Joe Wright é conhecido por sua adaptação nada discreta de “Anna Karenina”, que, apesar de cansativa, transformou o romance de Tolstói numa sofisticada encenação.

Como aventura infantil, “Peter Pan” tem todos os elementos para funcionar bem: um herói mirim, criaturas fantásticas, vilões sedutores, capangas atrapalhados e uma grande viagem cheia de obstáculos. Para o público adulto, porém, acostumado a versões como a animação de 1953 ou o filme  com Robin Williams, de 1991, será difícil estabelecer um novo laço. O Peter de Miller, sério e todo “adulto”, não é o Peter que conhecemos. Aquele Gancho,  mulherengo e nobre de coração, também não é o pirata que tememos na infância.

Muita coisa se manteve e muita coisa mudou, mas, nesse processo de inovação, algo da essência de J.M. Barrie se perdeu. O que foi feito da Terra do Nunca, único lugar da imaginação onde qualquer um poderia ser criança para sempre? Onde está a sensação de liberdade que aquele mundo deveria carregar?

“Peter Pan” traz as doses certas de diversão, ação e drama, mas erra em alguns personagens e exagera em algumas cenas essenciais (o clímax da batalha contra Barba Negra é algo que você dificilmente esquecerá, e não digo isso no bom sentido). Por isso, o longa perde a chance de ser inesquecível, mas, ainda assim, é um programa interessante para o Dia das Crianças. O filme chega aos cinemas no dia 8 de outubro, com cópias em 3D.

Texto publicado inicialmente no Guia da Semana.

Crítica: emocionante e original, “O Pequeno Príncipe” explora o impacto do livro de Saint-Exupéry em novos leitores

Adaptar uma obra literária para os cinemas é sempre um desafio, mas a tarefa fica ainda mais arriscada quando a obra original é um livro infantil, francês, escrito nos anos 40, que praticamente todo o público adulto já leu ou teve algum contato na infância.

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É por isso que “O Pequeno Príncipe”, animação de Mark Osborne que estreia em agosto e será exibida no festival Anima Mundi, é tão valiosa: Osborne (“Kung Fu Panda”) não tenta apenas transpor a obra para a tela da forma como a conhecemos, mas cria uma história completamente nova a partir de sua própria experiência com o livro.

“Ganhei meu primeiro exemplar há mais de vinte anos da minha esposa”, conta o diretor. “Na época, éramos namorados e eu estava me mudando para estudar animação, então o livro veio como uma lembrança de que estaríamos juntos, mesmo à distância. Foi essa mensagem que eu quis passar para o filme.” Osborne também revela que se inspirou na filha para a personagem da “menina” (sem nome) e usou as risadas do filho para o Pequeno Príncipe (que podem ser ouvidas mesmo na versão dublada).

O filme conta duas histórias paralelas e utiliza duas linguagens para isso: na história “real”, focada na menina e no aviador, a animação é em CGI; já na imaginação, onde vive o Pequeno Príncipe, é usado stop-motion. A inclusão de novos personagens e a ampliação da trama original ajudam a atualizar as questões do livro de Saint-Exupéry e inserir críticas ao modo de vida contemporâneo.

A protagonista é uma menina que acaba de se mudar e está prestes a entrar numa escola muito rígida. Sua mãe, solteira e trabalhadora, divide as horas e minutos da menina em tarefas cuidadosamente cronometradas, na tentativa de ajudá-la a ser aceita na escola. Apesar das boas intenções, porém, ela não percebe que, com tantas obrigações, está fazendo sua filha se esquecer do que significa ser criança.

Pois é para resgatar a infância que surge o personagem do aviador – um velho rejeitado pela vizinhança por fantasiar demais. Um dia, ele dá à menina algumas páginas soltas de desenhos narrando seu encontro com o Pequeno Príncipe, um garoto que vivia num pequeno planeta, amava uma rosa e tinha como melhor amiga uma raposa.

Osborne trabalha com a sensibilidade de quem entende o universo infantil e não menospreza seus espectadores mirins. O livro original é recontado e explorado como uma grande metáfora sobre perda, valores e visões de mundo, numa fantasia fascinante que ajuda a pequena protagonista a encarar seus desafios.

Mesmo para quem não conhece ou não gosta tanto do livro, será difícil passar por “O Pequeno Príncipe” sem derramar pelo menos uma lágrima. O filme dosa pequenos momentos de humor, doçura e drama, sem nunca pesar demais nem ser leve demais. Para as crianças que terão seu primeiro contato com a obra pelo cinema, não há dúvida de que o longa deixará uma marca, como o livro deixou aos seus pais e avós. E elas também mostrarão aos seus filhos quando for a hora.

Texto publicado no Guia da Semana em 16/07/2015.

Crítica: fofura dos “Minions” não sustenta aventura solo

Os mascotes amarelos de “Meu Malvado Favorito” estão de volta aos cinemas e, desta vez, ganharam seu próprio filme. “Minions”, que estreia no dia 25 de junho, assume de vez o que já vinha se ensaiando desde a segunda aventura de Gru, quando os coadjuvantes assumiram a dianteira e ofuscaram seu mestre pela primeira vez: mais valem mil imagens fofinhas do que uma boa história.

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A animação vem ainda mais direcionada ao público infantil do que os filmes anteriores e pode não agradar tanto aos pais quanto eles esperavam. Afinal, depois de quinze ou vinte minutos de piadas com bananas e vilões azarados, o adulto precisará de algo um pouco mais consistente para continuar rindo, e isso não acontece.

O filme começa mostrando a origem dos Minions e sua fascinação pelos vilões mais cruéis da História, como o Tiranossauro Rex e o Conde Drácula. Depois de uma série de desventuras, porém, o grupo é obrigado a se estabelecer numa caverna e desenvolver uma comunidade autossuficiente sem um chefe, e não demora até o tédio tomar conta.

Decidido a mudar essa situação, Kevin (o Minion mais alto dos três principais) anuncia que vai subir à superfície para procurar um novo mestre e convoca dois companheiros: Stuart (de um olho só) e Bob (o mais baixinho, que no começo do filme age como um bebê, mas depois perde um pouco essa característica).

Os três viajam até descobrirem uma convenção em Orlando chamada “Expo Vilões” (Villain Con), onde a supervilã Scarlett Overkill (dublada por Adriana Esteves) se apresentará e recrutará um ajudante. Daí em diante, os Minions terão que se esforçar para, simplesmente, não estragarem tudo mais uma vez.

As cenas de viagens são as mais cansativas do filme e parecem feitas apenas para preencher os enormes espaços vazios do roteiro. Também não soa natural a forma como os Minions, neste filme, são mostrados como heróis desastrados, ao invés dos servos multifuncionais que tanto cativaram o público no filme original.

Para as crianças, “Minions” entrega toda a fofura que prometera, com a linguagem quase decifrável e o comportamento ingênuo dos protagonistas rendendo alguns momentos bem engraçados. Scarlett, contudo, não convence como uma “supervilã” e suas cenas, em geral, têm o poder de irritar mais do que divertir.

Como um spin-off inspirado, principalmente, nos pequenos vídeos promocionais que acompanharam os outros dois filmes, a animação funciona mais como uma esquete excessivamente prolongada do que como um longa-metragem em si. É uma pena, considerando a expectativa que se havia criado sobre esse projeto.

Texto publicado no Guia da Semana em 25/06/2015.

“Cada Um Na Sua Casa” traz protagonista negra e nova safra de mascotes infantis

A Dreamworks pode não ser o estúdio de animação mais bem-sucedido em termos de bilheterias, mas com certeza é o mais engajado na quebra de padrões estéticos para o público infantil. Depois de trabalhar com protagonistas gordinhos (Shrek e Kung Fu Panda) e deficientes (Como Treinar o Seu Dragão), quem chega aos cinemas agora é uma heroína negra, de cabelos cacheados e quadril levemente mais largo que a mocinha comum.

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Cada Um Na Sua Casa”, que estreia no dia 9 de abril no Brasil, fala de diferenças como fala de guerras e colonialismo – tudo de um jeito leve e bastante infantil, com uma trilha sonora pop dançante, piadinhas inocentes e uma nova raça de criaturas fofas (que já tem uma coleção completa de brinquedos prontos para o McLanche Feliz).

Oh é uma dessas criaturas: um alienígena cujo povo (os Boovs) vive fugindo e parece ter encontrado na Terra o esconderijo perfeito. Sem hesitar, eles abduzem todos os humanos e os realocam para os cantos do planeta (como a Austrália), pensando que estão fazendo um grande favor.  A única pessoa que consegue escapar é Tipolina (ou Tip), que logo se une a Oh numa jornada comum – ela para encontrar a mãe, ele para impedir o ataque de uma nave inimiga.

Apesar de não ser tão engraçado ou tão cativante quanto outros filmes recentes, “Cada Um Na Sua Casa” merece atenção especial por tratar as diferenças como mal-entendidos e não com o maniqueísmo tradicional. Todos os grupos (incluindo os vilões) têm suas motivações, qualidades e defeitos, e a solução proposta não é a separação ou o confronto, mas sim a integração ou, no mínimo, a compreensão das angústias do outro.

O filme é uma adaptação do livro homônimo de Adam Rex e tem direção de Tim Johnson (“FormiguinhaZ”). Em inglês, os personagens principais levam as vozes de Jim Parsons, Rihanna, Jennifer Lopez e Steve Martin – as cantoras, é claro, também interpretam parte da trilha sonora.

Texto publicado no Guia da Semana em 20/03/2015.